DESVARIO

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DESVARIO


*


Passa tranquila, a noite, acorda o dia


De cinzento vestido. Em pleno inverno


O cinzento é padrão comum, moderno,


Sem etiqueta mas com garantia
*


De chuva, de gelada ventania,


De um temporal que me parece eterno...


Aberto sobre o colo, o meu caderno


Pede, apesar do vento, a poesia.
*


Zune o vento e as palavras vão nascendo


Uma atrás de outra como um longo fio


Que as minhas mãos geladas vão estendendo
*


Num hábil gesto que resiste ao frio


E as encadeia como se tecendo


A tosca manta deste desvario.
*


 


Maria João Brito de Sousa - 29.01.2021 - 13.59h

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