MOIRA(S)

MOIRA(S)
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(Mitologia Grega)
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Não são parcas, as Moiras, no seu zelo;
Fiam, tecem e cortam noite e dia
Sem se cansarem da monotonia,
Sem se esquecerem de nenhum novelo
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Desponta o fio e logo irão tecê-lo
Com mão que sabiamente doba e fia,
Senhoras da tristeza e da alegria
Dos dias mais magoados e mais belos.
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No fim, uma das Moiras corta o fio
Das luas e dos sóis de cada vida;
Só essa determina o fim de um rio,
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Só essa indica a hora da partida;
Ela é quem sela o poderoso trio
Ante o qual Zeus recolhe a espada erguida.
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Maria João Brito de Sousa - 27.02.2021 - 12.00h
Gosto muito das temáticas ancestrais ligadas às Moiras / Mouramas!
ResponderEliminarMoura, moira e mourama / Leve seja o teu penar / Que o Destino te chama / Sem encantamento quebrar.
Quadra que faz parte de conjunto que fui escrevendo sobre "Terras de Aquém - Tejo".
https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/retalhos-do-alentejo-4243
Felicitações pela sua maestria poética!
Muito obrigada, Francisco!
EliminarEstas Moiras são outras, não as de que me fala e que habitam as lendas portuguesas vindas dos muçulmanos. Estas são as tecelãs do destino, segundo a mitologia grega. Correspondem às Parcas romanas, que também eram três.
Mas gostei muitíssimo do seu poema!
Fraterno abraço
Mas, Maria João, com toda a consideração que me merece e o conhecimento que tem e bem demonstra em todos os excelentes sonetos que escreve e o domínio de linguagem que sempre apresenta, não acha que há uma base comum a toda essa" Moirama"?! Isto é, o Destino e a respetiva Fatalidade, a "tecelagem" seja ela feita por entidade qualquer que seja, comum em vários contextos culturais, que subjazem no "nosso" Ocidente Peninsular?! Digo eu, não sei...Muita Saúde e continuada inspiração.
EliminarÉ bem possível que sim, que haja, amigo Francisco, embora não me seja nada fácil associar o Norte de África à Grécia Antiga...
EliminarAgora deixou-me na dúvida, mas... assim que puder hei-de trocar impressões com um amigo que eu sei que sabe muito mais disto do que eu, já que ensiná-lo é a sua profissão. Só espero não me esquecer porque, quando começo a produzir a um ritmo tão desgastante, concentro-me nos poemas e o mundo passa-me ao lado...
Mas prometo tentar saber um pouco mais sobre esta possível "contaminação" - no melhor dos sentidos - histórico-mitológica.
Seja como for, comunicar-lhe-ei o que puder apurar sobre o que possa haver em comum entre as lendas e o mito desta moirama encantada.
Fraterno abraço!
Caríssima, Maria João.
EliminarNão ignore que a "Grécia Antiga" estabeleceu colónias por toda a Bacia do Mediterrâneo, inclusive Norte de África. E que durante a Idade Média, os Árabes foram os guardiães do saber clássico.
Mas não tenho pretensão de saber, pois sou um amador, que me interesso por estes assuntos.
Continue a poetar, que o faz como ninguém! Muita Saúde!
Não ignorarei, não, ainda que eu também seja apenas uma amadora. E uma amadora muitíssimo mais "amadora" da Poesia e da Ciência do que da História e da Mitologia. Por isso lhe disse que iria tentar informar-me mais a fundo, bebendo de fonte segura toda a informação que conseguir obter.
EliminarDe que, em termos culturais, todos nos "contaminamos" mutuamente desde os primórdios da História, não tenho qualquer dúvida. Creio mesmo que já nos íamos contaminando muito antes do nascimento da História, embora seja um pouco mais difícil comprová-lo...
É muitíssimo provável que tenha toda a razão, mas ainda quero tentar saber um pouco mais. Se o conseguir, claro.
Muita saúde, Francisco!
Gostei muito deste seu soneto. Poesia todos os dias.
ResponderEliminarObrigado. Um abraço.
L
Olá, L.
EliminarNem queira saber quanto tenho andado a produzir no Horizontes da Poesia. Creio que a minha musa tomou o freio nos dentes...
Muito obrigada e um abraço grande
como adoro este género de poesia, esta temática! Um obrigada enorne por nos deixares estas partilhas, e pelo teu jeito de escrever! Adoro, sou tua fã muitos beijinhos, lindo fim de semana, muito inspirado!⚘
ResponderEliminarMuito obrigada, Sandra
EliminarMal tenho arranjado tempo para respirar fundo, mas tentarei visitar-te ainda hoje.
Um grande beijinho para ti
No fim, uma das Moiras corta o fio
ResponderEliminarDas luas e dos sóis de cada vida;
Só essa determina o fim de um rio,
Apressa-te
tenho mares que por mim esperam
e sou um rio
em que as margens tanto me apertam
Ah, nem queiras saber quanto me tenho apressado, Rogério, que mal arranjo tempo para respirar fundo entre dois poemas, no Horizontes da Poesia..
EliminarNão sei quando a terceira Moira me cortará o fio, de vez, mas a segunda Moira apenas mo doba, não me impõe que deixe de auxiliar um rio irmão a alargar as suas margens; só não sei como fazê-lo de outra forma que não esta...
Abraço grande!
Que belo e misterioso este momento Maria João.
ResponderEliminarEnquanto houver dias belos, vamo-nos encantando não é verdade?
Um beijinho
Sim, Blue Bird, embora o meu grande encantamento seja poder escrever poesia. Sobretudo nos formatos clássicos do soneto e com conteúdos que, nalguns casos - não neste específico soneto... - podem perfeitamente inserir-se na linha Pós-modernista ou mesmo na Surrealista.
EliminarAndam por aí sonetos como o "Stacatto", o "VI VINICIUS" ou o "I de ISOPOR" que se inserem facilmente nessas linhas, apesar do irrepreensível formato clássico.
Muito obrigada e um beijinho também para si