"NO AMOR, CIRURGIÃO, NA TEMPESTADE, O RAIO"

Ao António Só, poeta.
"NO AMOR, CIRURGIÃO, NA TEMPESTADE, O RAIO"
*
(Soneto em verso alexandrino)
*
"No amor cirurgião, na tempestade o raio",
Na poesia, ensaio em plena orquestração,
Às vezes equação, às vezes de soslaio
Reinventa-se catraio em trovas sem (es)cansão
*
E vai-se a solidão assim que abraça Maio...
Jamais será lacaio! Ainda que em tensão
Cumpre a sua função não sendo rei nem aio;
Corsário, se malaio, ou mero herói de acção
*
Será, sem solução, poeta até morrer;
Ainda que sem ver, muito embora cativo
Manter-se-á bem vivo, ousando renascer...
*
Mais não sabe fazer e ao passar, furtivo,
Passa a "ser criativo", em vez de apenas ser;
Porque se há-de esconder, se em verso é produtivo?
*
Maria João Brito de Sousa - 24.05.2021 - 10.00h
Bravo, Maria. tirou-me as palavras. Muito obrigado.
ResponderEliminarGrande abraço
António
Obrigada por ter gostado, António :)
EliminarPercebi de imediato que, retirando o verbo do último verso do seu poema, obteria um verso alexandrino perfeito e não resisti a glosá-lo.
Forte abraço
Eu gostava de fazer sonetos assim, em verso alexandrino ou não... Lindíssimo e inspirador!
ResponderEliminarUma boa semana com muita saúde.
Um beijo.
Muito obrigada pelas suas palavras, Graça.
EliminarSó aos 55 anos me apaixonei perdidamente pelo soneto e embora os hendecassilábicos, decassilábicos e eneassilábicos me nascessem espontaneamente, de ouvido, levei quase dez anos a conseguir domar a "fera" que é o soneto alexandrino, rsrsrs...
Para ser muito sincera, ainda não percebi muito bem se fui eu que o domei a ele ou se foi ele que me domou a mim.
Retribuo os votos de uma boa semana e muita saúde.
Um beijo
Não é fácil escrever algo assim, tão complexo quanto intenso, mas tu conseguiste muitos beijinhos e desculpa não vir aqui tanto quanto antes, mas sabes o porquê.... semana feliz, minha amiga querida e muita inspiração!🌻🌷
ResponderEliminarObrigada, Sandra.
EliminarDifícil, difícil é compreender bem o que é exactamente um soneto alexandrino. Há por aí muitos sonetos dodecassilábicos que não são alexandrinos por não serem formados por dois perfeitos hemistíquios hexassilábicos. Depois de se compreender isso e de se lhes "apanhar" o ritmo, torna-se muito fácil construí-los.
Sim, sei porquê; não te preocupes com isso. Também eu tenho limitado muito as minhas visitas por causa das insuportáveis dores de cabeça que o esforço ocular me provoca.
Beijinho
As tuas melhoras, que logo seja a operação e fiques bem! Beijinhos, e parabéns por não desistires da escrita! 🌻🌷
EliminarSei que estou a tentar ir um pouco além dos meus limites, mas... desistir da poesia seria desistir de viver, Sandra :)
EliminarAinda não sei nada sobre a data da cirurgia, mas amanhã não estarei por cá porque, entretanto, surgiu algo que, na opinião do meu médico, tem de ser urgentemente observado em ORL.
Vou apavorada porque tenho um medo que se aproxima do pânico no que toca a exames invasivos... mas vou. Que outro remédio tenho!?
Beijinho
Sempre em grande
ResponderEliminare certeira
Bela tarde e noite com alegria, beijinhos MJ
Obrigada, Anjo
EliminarAinda o solzinho vai brilhando e a lua está longe de se mostrar, já eu vou estando ensonada...
Bom final de tarde e beijinhos
Sempre poesia de alta qualidade técnica, hoje na homenagem a alguém importante para si.
ResponderEliminarUm abraço
L
Obrigada pelas suas palavras, L.
EliminarQue eu saiba, nem sequer conheço pessoalmente o António Só, mas já o glosei mais do que uma vez e sei que ele acompanha este blog há uns bons doze anos. Em tempos, quando os olhos mo permitiam, também eu visitava muito frequentemente um dos seus blogs de poesia e, anteontem, fui brindada com um soneto bárbaro que não resisti a glosar em soneto alexandrino a partir do último verso, ao qual apenas retirei a forma verbal inicial.
Tem, em cima, onde diz "Ao António Só, poeta", um link de acesso ao blog de que falei; basta clicar sobre o nome do poeta.
Forte abraço
Penso que é uma adversidade teres nascido portuguesa, com o teu talento, devias ser bem mais reconhecida, mas que fazer? Num pais onde só se olha ao futebol e pouco mais, a cultura não interessa nada.
ResponderEliminarExcelente tudo o que escreves!
Um abraço M João, saúde amiga.
Obrigada, minha querida Natália.
EliminarSabes, o estado em que me encontro e esta quase reclusão que há muito me tem sido imposta pela dificuldade de locomoção e por longos anos de penúria , também não ajudam nada.
Mas não nego que seja possível que noutro qualquer país as minhas hipóteses de ser reconhecida em termos literários pudessem ser bem maiores...
Abraço-te, amiga!
Vejo querida amiga, que a sua musa voltou, e de forma tão bela !
ResponderEliminarEstou completamente de acordo com o comentário anterior , acho lamentável a Maria João não ser reconhecida como merece.
Será que é preciso a pessoa partir, para depois a elogiarem ?
Grande beijinho , as melhoras, que a consulta lhe tenha corrido da melhor maneira possível.
Ah, Blue Bird
EliminarDesde pequenina que me habituei a conhecer muito bem os caminhos que levam ao reconhecimento de um poeta/escritor;
Ninguém ou quase ninguém chega ao reconhecimento sem o peso de uma grande editora.
Por outro lado, ninguém lá chega depois de ter vivido uma vida apagadinha como a minha;
Durante vinte e cinco anos fui casada e passei todo esse tempo a tentar representar o papel de fada do lar. Depois do divórcio, fiquei sem qualquer tipo de rendimentos e fiz de tudo um pouco para sobreviver. Por essa altura ainda tive algum trabalho activo enquanto membro da Associação Paço D`Artes, enquanto artista plástica, e da Associação Portuguesa de Poetas, mas foi por muito pouco tempo. Em breve as dificuldades de mobilidade me afastariam completamente da pintura e, depois, das reuniões da APP.
A qualidade, por muita que seja não basta, acredite.
Outro grande beijinho