PREÇOS

PREÇOS...
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Que força tinha na ponta dos dedos!
Que firmeza e que humana lucidez
No quanto dissertou daquela vez
Em que evocou a vida e seus segredos...
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Ah! Tudo quanto fez, fê-lo sem medos,
Nem sonhando que houvesse insensatez
Que confrontasse o tanto que então fez
E ousasse condená-lo a tais degredos.
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Escreveu, tão só escreveu, nunca sonhou
Quanto iria custar-lhe o que criou
Ou quanto o não pensou quem deveria
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E agora, amigos meus, nem sequer cria
Por culpa desse instante em que voou
E, depois, ao silêncio o condenou.
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Maria João Brito de Sousa - Março, 2016
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In A CEIA DO POETA (inédito)
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Trabalho ligeiramente reformulado
Um poema que presta homenagem a alguém que não conheço mas que se percebe ter estado na luta.
ResponderEliminarUm abraço
L
É o meu avô poeta, António de Sousa, L.
EliminarQue eu saiba, nunca foi comunista, mas era um empenhado anti-fascista.
Era frequente termos a casa "visitada" por elementos da pide, que, na verdade era um pouco mais cuidadosa com quem, como o meu avô, se relacionava com muitos dos grandes intelectuais do mundo inteiro.
Sabendo que o meu avô nunca seria capaz de deixar de auxiliar quem necessitasse, chegaram a "infiltrar" um elemento que fazendo-se passar por um advogado perseguido pelo regime, almoçou e jantou em nossa casa durante meses. Não me lembro qual dos muitos escritores que frequentavam a nossa casa de Algés, descobriu quem a criatura era na realidade e o desmascarou, mas recordo-me de ver o meu avô levantá-lo pelos colarinhos e de o ter feito, literalmente, voar porta fora.
A pide intensificou a vigilância e perdeu um pouco as "boas maneiras" a partir daí, mas o meu avô não foi "dentro", pelo menos dessa vez.
Já tinha estado preso, no entanto, quando ainda morava em Coimbra.
Forte abraço
Maria João,
ResponderEliminarPor coincidência, hoje também homenageei uma pessoa querida, o meu pai.
Pelo que li no comentário anterior, um homem de fortes convicções. Já sei a quem foi buscar esses genes
Um beijinho de boa noite, com o desejo que esteja bem.
Já por lá passei e li, comovida, a homenagem a seu pai, Blue Bird
EliminarEste homem, meu avô paterno, é e será sempre um grande poeta. Quando vivo, foi também um advogado, tradutor e anti-fascista de fortíssimas convicções.
Obrigada e um grande beijinho
O silencio por vezes
ResponderEliminaré de ouro
Li e gostei, bom e feliz dia com alegria MJ, beijinhos
Bom dia, Anjo
EliminarO dele, jaz algures "numa praia deserta", "conservado em molho de luar"...
Obrigada e beijinhos daqui, deste meu fim de Tejo
Maria João
ResponderEliminarQue bela homenagem ao seu avô.
Adorei ler e gostei da foto.
Beijinhos!
:)
Piedade Sol
http://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/
Muito obrigada, Piedade!
EliminarNão foi a primeira e espero que não seja a última pequenina homenagem que presto a um grande homem e grande poeta do Modernismo Português que nunca deixou de, quase clandestinamente, continuar a amar o soneto até ao fim da sua vida.
Beijinho muito grato