SONETO quase TRANSESTÉTICO

SONETO
(quase)
TRANSESTÉTICO
*
Na poética asséptica isométrica,
Fluída consumida e assumida
Cosmética patética ou hermética,
Re-re-re-repetida, ainda, a vida
*
Cinética diegética anoréctica
Comida, remoída e digerida;
Frenética imagética epiléptica
Fruída se incontida e esteticida.
*
É de aço inoxidável e lítio e cromo
Ou átomo ofuscante e ofuscado
Que não tem tempo e nunca teve dono
*
Nem ousa ser senão assimilado
Pla liquidez do sono/mono-promo
Que mal nasceu passou a ser passado.
*
Maria João Brito de Sousa - 24.10.2021 - 19.15h
***
Sonetos da Matrix
Êláááá´
ResponderEliminarque quem sabe sabe
e é no que dá a poesia
Bom dia e boa Semana com alegria MJ
com saúde, beijinhos
Ah, Anjo, é nisto que dá ter uma Musa rebelde, mas atenta ao mundo em que vive
EliminarObrigada e beijinhos daqui, do meu líquido estuário
Um poema de complexidade linguística que revela a competência da autora.
ResponderEliminarSaúde, um abraço.
L
Muito grata pelas suas palavras, L.
EliminarSe mo perdoar - conto que o faça - dir-lhe-ei que o que este soneto, duplamente transgressor, pretende fazer passar é a sedução da mensagem musical. Claro que também existe um sentido para essas palavras aparentemente aleatórias, mas deixo a sua descodificação para os muito poucos que o venham a ler.
Aceito de braços abertos a transgressão do conteúdo mas, transgredindo a própria transgressão, repudio a destruição da melodia.
Um forte abraço!
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ResponderEliminarE assim, de forma fabulosa, escreve uma ilustre poetisa.
Saudações poéticas
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Muito lhe agradeço, Rik@rdo
EliminarFraterno abraço
A "Sonetagem", hoje, está muito "inoxidável"! Saúde!
ResponderEliminarSim, Francisco; inoxidável, liofilizada, atomizada e transgressora...
EliminarQuando o soneto se apercebe de que está num mundo líquido... nada!
Aliás, faz pelo menos uns três ou quatro anos que o soneto começou a nadar, com bastante bons resultados, no meu humílimo entender.
Saúde, criatividade e o fraterno abraço de sempre
Confesso que me perdi no meio das palavras e do sentido do poema. Por certo foi melhor assim...
ResponderEliminarContinue a cuidar-se, minha Amiga.
Uma boa semana.
Um beijo.
Graça, muito obrigada por tê-lo lido, ainda que se tenha "perdido".
EliminarVou tentar explicar esta aparente excentricidade da minha Musa;
Gostemos, ou não, vivemos num mundo que se tornou líquido. Não me parece que seja um fenómeno nascido do nada e sim uma espécie de vaporoso prolongamento do Modernismo.
Bom, seja lá o que for, a Minha Musa há muito que se apercebeu da sua (in)existência. Ora, sendo este um mundo de pequenas/grandes paixões, explosivo, aqui e ali, e em constante mobilidade - líquido, portanto - o soneto apercebeu-se de que depressa afundaria se não aprendesse a nadar.
O soneto não tem de gostar, ou não, da realidade contemporânea, mas precisa de a conhecer e aprender a nadar nesse meio líquido.
Muitos sonetos transestéticos já me nasceram, desde 2017 ou 18, e não foi por isso que a minha Musa deixou de lado a facilidade de navegar no pensamento estruturalista. O Soneto resiste como pode, mas resiste e, se reparar bem, a musicalidade clássica deste soneto está perfeitamente intacta.
Desculpe-me esta verborreia toda, mas sinto que tenho a obrigação de, pelo menos, tentar explicar as razões que me levam a experimentar a "atomização" do soneto.
Um beijo
Há poemas assim
ResponderEliminarsem alma por dentro
sem outra beleza
que não seja
aquela que não se almeja
Mas olha que este soneto tem alma.
EliminarÉ, sem dúvida, uma alma muito provocadora, mas que está lá, bem firme no meio dos escombros.
E canta sem desafinar uma notazinha que seja. Palavra de Musa que se fez ao mar num barquito de papel de partitura!
Abraço GRANDE, Rogério