VISLUMBRES DE UMA DISTOPIA

 



VISLUMBRES DE UMA DISTOPIA


*



Silenciosos nos seus corpos de aço,


Dormindo estranhos sonos vigilantes


E usufruindo, ou não, de um espanto escasso,


Estão os que já não são o que eram dantes
*


 



Guardam os torreões do novo Paço


E, escolhidos a dedo, são gigantes


Que avançam dez mil milhas num só passo


E abatem de um só sopro astros errantes
*


 



As montanhas, rolando sobre esferas,


Desviam-se dos rios e das ribeiras


Que agora desaguam nas crateras
*


 



Cavadas pelas balas não certeiras;


Não há noites nem dias, só há esperas,


Débeis aspirações, pulsões grosseiras...
*


 


 


Mª João Brito de Sousa


28.03.2022 - 14.00h
***


Tela de Hieroymus Bosch


hieronymus bosch.jpeg

Comentários

  1. Poema lindíssimo que me fascinou ler.
    Cumprimentos

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  2. Um poema que é um grito sobre aquilo que se passa no mundo.
    Deduzi que foi escrito a pensar na Rússia, e dedicado ao que se assiste na Ucrania.
    Boa semana e um beijo.
    :)

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    Respostas
    1. Um poema que é um grito sobre aquilo que se passa no mundo.
      Deduzi que foi escrito a pensar na Rússia, e dedicado ao que se assiste na Ucrania.
      Boa semana e um beijo.
      :)
      Piedade Sol

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    2. Também, caro/a anónimo/a, mas não só; fui relembrando obras como as de Orwell, Huxley, Philip K. Dick e, estranhamente, algumas telas de Hieronymous Bosch...

      As distopias há muito que alimentam o imaginário de artistas de diferentes áreas...

      Obrigada, boa semana e um abraço!

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    3. Desculpe, Piedade! Desta vez não a reconheci no comentário que ficou anónimo...

      Um beijo

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  3. Brancas nuvens negras29 de março de 2022 às 17:10

    Um poema fantástico que constrói um cenário grandioso que não podemos evitar de visualizar.
    Um abraço
    L

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  4. Respostas
    1. Bom -... a...aaaa... atchim! - dia, Anjo meu

      Cuida-te desta poeirada toda e evita as gripalhadas que, este ano, chegaram em tempo de saldos de Inverno...

      Beijinhos!

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  5. Hoje, sinto-me montanha...

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    Respostas
    1. Espero que te sintas uma montanha, mas fora da distopia, Rogério :)

      O Admirável Mundo Novo do Huxley não me pareceu menos assustador do que o 1984 do Orwell...

      Forte abraço!

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