E SE? II
![]()
E SE? II
*
E se em vez de eu ser eu fosse ninguém
Esta que reproduz, que engendra e escreve
Ou se antes de quem sou fosse eu tão leve
Quanto o ar que respiro e me sustém?
*
Na decadência do meu corpo, mãe,
Se a chama da vontade se me atreve
A consumir-me mais do que o que deve
E se engendra a partir do que nem tem
*
Talvez na persistência dessa chama
Resida eu mesma e tudo o que em mim clama
Por quanto desse fogo ousar nascer
*
Ou mesmo no poema quando emana
Do fel de cada dia da semana
E se faz voz da voz que me couber.
*
Mª João Brito de Sousa
In A Ceia do Poeta
Inédito
***
Soneto encantador, maravilhoso de ler.
ResponderEliminar.
Cumprimentos cordiais.
.
Muito grata, RyK@rdo!
EliminarUm abraço!
Há momentos, raros, em que nos pomos em causa e questionamos a validade da nossa vida.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Raríssimos, sim, L.
EliminarNeste caso foi mais uma brincadeira em torno de uma personificação da poesia, ou de uma emancipação daquilo a que chamo Musa.
Forte abraço!
Dá gosto ler estas linhas MJ
ResponderEliminarmas e mais mas
tamos com a validade a ficar fora de prazo
Há que ir vivendo cada momento com alento, Beijinhos
Estou mesmo fora de prazo, , mas a alternativa a ir vivendo fora de prazo não me entusiasma nada, rsrsrsrs
EliminarBeijinhos!
E se fosse esse mesmo o sentido da Vida?
ResponderEliminarQuanto mudaria em cada segundo ... em cada vida...
É essa mais uma parte que será parte do segredo da Vida
que ainda está por ser redescoberto dentro de cada vida vivida!
Minha Querida, fizeste-me lembrar um poema que escrevi há cerca de um ano com o mesmo título.
Beijinhos
E SE…?
E se o planeta Terra
estivesse rodeado de invisível perfeição?
E se essa perfeição
quisesse penetrar a própria Terra?
E se o Ser Humano
tivesse sido criado para essa Missão?
E se, ao nascermos aqui,
fosse essa a ‘nossa função espiritual’?
E se, na viagem, nos tivéssemos dispersado,
esquecendo o fundamental?
E se, depois de dispersarmos e esquecermos,
acordássemos para essa missão vital?
Então a entrada na matéria
deveria tornar visível a perfeição invisível!
E a componente etérea da matéria
teria de recuperar a sua pureza,
manifestando toda a sua Natureza!
Por que não?
Seria manifestação da Perfeição!
Este é o desafio da nossa Missão!
TODOS não somos demais
para sermos irmãos, IGUAIS,
atuando na Fraternidade
e na Paz da Solidariedade!
lena b.
Querida Lena B., respeito muito tudo o que me dizes, mas este meu E SE? não tem a profundidade do teu, é sobretudo a tradução de um momento lúdico em torno da hipótese muitíssimo fantasiosa de eu ser um poema, ou de poder conceder vida própria à tal Musa que não é mais do que um estado de espírito aliado a um momento de menor desconforto físico.
EliminarSou, desde muito pequenina, uma evolucionista, e , para mim, a vida faz todo o sentido por muito cruel que possa ser, a perfeição é um conceito criado por nós, humanos, e a noção de perfeição diverge muito entre os diferentes grupos étnicos.
Claro que enquanto comunista - com muito orgulho e desde muito jovem - acredito na igualdade de direitos de todos os humanos, mas nem por um segundo duvido de que não somos nem poderíamos ser todos iguais. Vamos lá ver se me consigo explicar bem: eu própria passei a ter necessidades muito maiores do que as que tinha há vinte anos. Deixei de me poder deslocar autonomamente num percurso superior a cinquenta metros, ainda por cá ando graças a uma prótese que trago dentro do coração, vejo minimamente bem porque tenho uma lente artificial dentro de cada olho e mais duas lentes amovíveis (óculos) e preciso de ser ajudada em coisas tão elementares como um simples duche. Como vês, embora continue a ser persistente, curiosa e produtiva - na poesia, claro - , tenho necessidades básicas que não tinha enquanto jovem.
Quanto ao teu poema homónimo, gostei muito de o ler, é um belo poema de apelo à paz, à fraternidade e à solidariedade, que também são objectivos meus. Posso chamar-lhes SONHOS ou PEQUENAS UTOPIAS, mas serão sempre objectivos.
Obrigada e um grande beijinho
Muito obrigada, Querida Maria João!
EliminarConsidero que os teus objectivos são exactamente iguais aos meus, embora não tenha quaisquer alvos sejam eles políticos, partidários ou outros... Sempre procurei uma liberdade ilimitada como qualquer liberdade que busca genuinidade... Por isso, ainda hoje busco a minha identidade... Essa continua a ser a minha grande utopia sem tamanho - grande, média, pequena... sem quantidade nem qualidade, procurando identidade (nunca personalidade,,,) É por aí que vou, mais ou menos individual 'mente'... numa busca genuína...
É confesso que é um processo cada vez mais espiritual porque quando me centro mais em mim... mais me descubro numa liberdade luminosa (ainda que não me sinta onde estou quem sou!) que me ajuda a aprofundar um pouco mais do que é "SER um HUMANO"
Curioso constatar como só em muito poucas línguas há esta diferença tão subtil entre 'ser' e 'estar'...
Obrigada por me fazeres reflectir!
Beijo muito grato!
Não me agradeças, querida Lena B. Limitei-me a ser sincera e esse é um dos deveres que sinto/creio ter para com os meus companheiros de espécie :)
EliminarTens toda a razão, são poucas as línguas que nos permitem diferenciar o SER do ESTAR. Para ser ainda mais sincera, não estou a conseguir lembrar-me de nenhuma que o faça, para além da nossa e da espanhola... Mas não sou nenhuma poliglota, só conheço razoavelmente umas quatro línguas.
Quanto à liberdade ilimitada que também me fascinou durante o início da adolescência, essa só pode ser experimentada durante o processo criativo e apenas por alguns minutos. A mim basta-me isso pois acredito que só na completa alienação da realidade a poderemos encontrar e "capturar". Por outro lado, nunca me poderei sentir completamente livre enquanto tantos outros seres humanos continuarem a ser explorados e oprimidos. É uma opção muito minha, mas confesso que muitos dos que me viram crescer e me guiaram durante esse processo, também a haviam feito.
Um beijo muito grato também para ti!
Minha Querida, esta nossa 'dialogação' não tem fim (se ficarmos neste nível de diálogo...)! É um facto da nossa limitação deste liberdade de que gostamos tanto, mas que nos 'aperta' a verdadeira LIBERDADE! Procuro diariamente transcender este LIMIAR que nos afixia (se o virmos a este nível... ),indo olhar as árvores a respirar e vendo a luz que vão emanando para o céu, mas nunca é suficiente...
EliminarSinto que este é um diálogo que ficará sempre 'pequenino' para tanto que gostaríamos de conversar! No entanto, apesar de estarmos perto do mar, eu estou demasiado a Sul e dificilmente conseguiremos contactar em directo... Só o Quim Sustelo poderia ajudar um pouco mais...
Resta a virtualidade de eu ir a Lisboa com mais tempo do que o habitual... Liberto à VIDA tal possibilidade! Quem sabe? O fluxo vital contém em si Milagres insondáveis!
Grande beijo de comunhão sábia!
:) Também me parece que esta nossa conversa poderia nunca ter fim...
EliminarMas, vou agora desviar-me um pouco dela e confessar-te um pequeno capricho pessoal que começou a ganhar consistência quando me decidi a escrever a série de Sonetos da Matrix. Gostaria muito de não morrer sem fazer pelo menos uma coroa de sonetos com uma IA. Sei que já existem traquitanas que produzem poesia e que sugerem aos humanos a melhor forma de escreverem poemas "como os dos grandes poetas". Sempre fiz duetos, ou dei "abraços" enquanto tecia coroas de sonetos com sonetistas humanos, mas com uma IA seria um duelo, mesmo. E pronto, vou ter de contentar-me com a confissão do caprichozinho porque as traquitanas capazes de tecer coroas com sonetistas humanos provavelmente nunca virão a ser criadas...
Desculpa-me esta lengalenga toda, mas também eu tenho as minhas humanas fraquezas e se a ideia de competir com companheiros de espécie me repugna, a ideia de competir com uma maquineta de fazer versos, empolga-me os sentidos todos :)
Receio bem que depois do disparate que me ocorreu e que te acabo de contar, não me aches assim tão sábia, rsrsrs
Beijo grande!
EliminarEspero que, quando acabares, me informes... Confesso que até fiquei um pouquinho curiosa, embora não me envolva muito com IA!!! Tem muitos 'bugs' para meu gosto... Acho que nunca bate certo... , mas também não me dou bem 'artificialidades'...
Prefiro a essência genuína, ainda que não consiga lá chegar ...
É como a nossa conversa... rsrsrsrs
Grande beijo
Vou mas é ficar aguada, porque o mais provável é que nunca venha a ser inventada uma traquitana capaz de compor uma coroa de sonetos em conjunto com um/a sonetista de carne e osso...
EliminarTambém não te digo que saiba muito sobre a IA, mas soube que ela já vai dando umas dicas - apenas em inglês... - aos homens e mulheres que queiram escrever poemas ao estilo dos grandes poetas clássicos. Vade retro, que eu gosto muito de escrever com o meu muitíssimo próprio estilo, não quero andar debaixo da asa de ninguém, nem mesmo debaixo da asa de um génio como Shakespeare. Sou extremamente criteriosa na forma e na musicalidade, mas os conteúdos dos meus sonetos podem ser, se eu assim quiser, futuristas, surrealistas ou mesmo transestéticos.
No entanto, desde dar umas "dicas" aos aspirantes a poetas até tecer uma coroa de sonetos, vão anos luz! Este é um daqueles caprichozinhos que nunca serão satisfeitos, por muita pena que eu tenha porque ficaria muito contente se conseguisse bater a IA tanto em qualidade quanto em velocidade. Enfim, criancices de sonetista ...
Também eu não morro de amores pela IA, mas só se fosse ainda mais tonta do que sou acreditaria que é possível pará-la. Não é possível e não vale a pena dizerem-nos que "nós criámo-la por isso podemos pará-la quando quisermos". Não é verdade! Para o bem e para o mal, a IA tornou-se imparável. Talvez por isso mesmo, num absolutamente inútil arroubo de humana dignidade, eu gostasse de medir talentos com ela...
Beijo grande!
Querida, estou a deliciar-me com esse teu 'capricho' mas também não te vejo envolvida em automatismos de escrevinhação e medição de talentos... eheheheh
EliminarPela parte que me toca, fico muito feliz por poder ler a riqueza do que escreves tão genuinamente, mesmo quando não interajo no momento, mas os teus poemas são sempre lufada de ar luminoso que, acredito, fazem sempre bem a quem lê!
A insensibilidade das máquinas só é desafio para quem se imagina a lutar quixotescamente contra moinhos de vento...
Sejamos heroicamente humanas...
Noite descansada e leve e
Beijinhos sonhadores e brilhantes.
Mas olha que os dragões da IA já existem, só não são (ainda) sonetistas de fôlego, capazes de "correr" uma maratona de catorze sonetos.
EliminarNão me estás a ver a fazer frente a uma IA no meu próprio território? Olha que eu não hesitaria um segundo! Não sou nada competitiva face aos meus irmãos de carne e osso, mas sê-lo-ia diante de uma traquitana de lata que transformasse algoritmos em versos decassilábicos, hendecassilábicos ou mesmo dodecassilábicos alexandrinos.
Sejamos, então, heroicamente humanas.
Beijo grande
EliminarPura diversão com ou sem traquitana!!!
Deixei os dragões lá fora na praia...! Disseram-me que não sabiam nadar e que a água lhes apagava o fogo! Fiquei com pena, mas decidi, que seriam óptimos (por enquanto) para me aquecer água para o chá...
eheheh!!!
Bj cheio de mar com ondas vivas que não param!!!
Ahahahah! Que bela ideia, essa de pôr os dragões a aquecer o chá das cinco!
EliminarCaramba! São quase cinco da tarde e esqueci-me de fazer o almoço!
Vou ver se consigo a colaboração de um desses dragões para me fritarem os hambúrgueres - esta palavra fica horrível depois de traduzida para português, credo! - e me cozerem o arroz branco.
Bjo cheio de mar!
AHAHAHAH!
EliminarE a tradução oralizada 'AS AMBURGAS' ainda é pior ... A nossa língua piorou com o Novo Acordo!!! É uma dor de Alma para mim e ter assistido nos bastidores a tal tormentosa confecção ... A Comissão de sábios é que decidia (sabia?...)
O Prof. Malaca Casteleiro era o big boss da Academia!.. A voz da sensatez - o Prof. Lindley Cintra - já tinha falecido!
Bom 'almantar' com a ajuda draconiana!!!
Beijo aquecidono vapor!!!
Tens razão, "amburgas" também não soa soa nada bem, prefiro usar a palavra escrita no seu original.
EliminarTive conhecimento dessa desastrosa reunião de "sábios", ainda nos anos 90 do século passado, sim. Depois de tão "sábia" confecção, não lhes confiaria nem a fritura dos hamburgers do meu almoço!
Conheci o Lindley Cintra quando era pequenina. Era um dos muitos amigos do meu avô.
Beijo anti AO 90!
Estamos totalmente em sintonia!!! Acompanhei o início do Acordo Ortográfico com o meu adorado Lindley Cintra que foi meu professor de Introdução à Linguística Portuguesa e às sucessivas Linguísticas (de Filologia Românica) em Letras e no Centro de Linguística da Fac de Letras de lisboa... etc..
EliminarMais tarde, pedi a minha demissão porque não aguentei o perfil... e fiquei a assistir de longe ao sucessivo desmoronar da Língua com o Malaca...
Muito haveria para dizer... mas agora vou preparar-me para apanhar o alfa para Lisboa!!! Tenho vários exames na Fundação Champalimaud...
Vou estar fora do meu cantinho algarvio até 5ªfeira... e, naturalmente, fora do computador e Internet... Adoro espairecer e centrar-me na LUZ!!!!
Beijinhos risonhos entre o Sol e a Terra!
Que nunca te falte a luz, Lena B.
EliminarAté eu, depois de tantos anos a ler textos mistos, ora segundo a grafia que aprendi em pequenina, ora segundo o desastroso AO90, começo a vacilar de quando em quando, sobretudo nas expressões que nos impunham hífenes... Volta e meia, escorrego na casca da banana.
Beijinhos entre o Sol e a Terra, com muito cuidadinho para não chocares com um dos milhares de satélites do E. Musk
O perfil era do Malaca, claro!!!
ResponderEliminarBeijo de imensidão
Vou preparar a mochila. O comboio é daqui por uma hora..
Percebi que era o do Malaca.
EliminarBeijo e boa viagem no pouca-terra, pouca-terra