POEMA/PÃO

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POEMA/PÃO
*



Escrevo pra ti que vens de olhos pasmados


Matar nestes meus versos fome e sede:


Possam teus sonhos ser alimentados


Por quanto pão meu espanto te concede
*



Se te não são, nem foram dedicados,


Servi-los-ei à fome que mos pede


Mal a pressinta aqui, de olhos poisados:


Que lhe faça proveito o que me excede!
*



E mais razão nenhuma me mantendo,


Não reconheço justa outra razão


Senão a que talvez me vá perdendo
*



Mas à qual nunca irei dizer que não:


Pra que o que sinta fome os vá comendo,


Cozinho versos como quem faz pão.
*



Mª João Brito de Sousa


In A CEIA DO POETA


Inédito


***

Comentários

  1. Brancas nuvens negras26 de outubro de 2022 às 14:25

    As palavras e o pão, uma inspirada associação.
    Um abraço.
    L

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  2. Soneto deslumbrante que me fascinou ler
    .
    Cumprimentos poéticos.
    .

    .

    ResponderEliminar
  3. Olá, querida amiga Maria João!
    De fato, a poesia é nosso pão diário.
    Além dela mesmo nós alimentar à alma.
    Macera, amassa a inspiração e o poema vos será acrescentado.
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos

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    Respostas
    1. Bem-haja, querida Rosélia!

      Que por muitos anos lhe continuem a crescer os poemas de cada dia!

      Beijinhos!

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  4. E que bom que é um pão acabado de cozer, ainda quente e aromático! Como este delicioso soneto.

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    Respostas
    1. Muito obrigada, Fernando!

      Fico muito feliz por saber que gostou do soneto que provou.

      Um abraço!

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