SEM TÍTULO VII
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SEM TÍTULO VII
*
Num verso me quis dar, em versos me fui dando,
Como se em verso amando eu mais pudesse amar,
Ou como se cantar fosse ir-me, a mim, doando
Nunca sabendo quando insistir... ou parar.
*
Depois de a mim me achar, quiçá, frutificando
E em tudo me adequando a quanto ousei cantar,
Talvez reflicta o mar, talvez vá naufragando
E vá o mar cantando os versos que eu calar...
*
Se pareço falar de mim, tão só de mim,
Não vos direi que sim, nem vos direi que não,
Mas esta embarcação transmuta-se em jardim
*
E não há espaço em mim para a tripulação
Que dela fez seu chão e nela viu seu fim:
É, afinal, assim que não se embarca em vão.
*
Mª João Brito de Sousa
16.11.2022 - 11.00h
***
Soneto em verso alexandrino com rima dupla (intercalada)
A poesia como actividade fundamental na vida da autora. Letra a letra, palavra a palavra constrói a sua imortalidade.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Agradeço a sua desmedida boa vontade, L., mas eu sou apenas mais uma entre aqueles que ficarão "mortos para toda a vida"...
EliminarTrabalho incansavelmente a poesia de formato fixo, sobretudo em soneto e duvido muito que as elites literárias me perdoem essa obstinação.
Pode ser que alguns pensem que é obsessão, mas não é. É obstinação, repito, porque eu e outros/as como eu, entendemos que é importantíssimo que a poesia metrificada não naufrague de vez nesta profusão de tempestades em que vivemos.
Forte abraço!
Ao sabor do tempo
ResponderEliminarenxergamos esperança e alento
Boa e bela tarde agasalhada e molhada , beijinhos
Isso mesmo, !
EliminarEsta é a embarcação na qual embarcam os que ainda não perderam a esperança nem o alento
Muito cinzentinha e molhada, esta tarde... Mas que ainda assim seja uma alegre tarde para ti!
Obrigada e beijinhos
Boa tarde
ResponderEliminarUma barca ou não a simbolizar a vida e os sentires da Poeta
Um soneto exímio que sei que me repito mas um dos melhores que já li neste espaço.
Peço imensa desculpa Maria João, mas quando leio um trabalho desta craveira e que me deixa encantada( e este já o li e reli) costumo fazer a sua leitura ao contrário, eu explico, leio de baixo para cima.
Fiz esse exercício e achei que também fica demasiado belo e sem lhe perder o sentido.
Boa semana
Um beijo
Fico muitíssimo grata pela sua gentileza, Piedade
EliminarPor favor, nem pense em voltar a pedir-me desculpa! É completamente livre de fazer as leituras que entender e deixa-me muito feliz por sabê-la tão entusiasmada com este soneto. :)
Que tenha, também, uma excelente e inspirada semana!
Um beijinho grande!
Lindo de ler
ResponderEliminarCumprimentos
Obrigada, Ryk@rdo!
EliminarUm abraço!
Parabéns pela maestria poética. Faz muitíssimo bem em manter essa sua atitude de defesa do soneto. Poucas ou nenhumas pessoas a conseguem igualar.
ResponderEliminarMuito grata pelas suas animadoras palavras, Francisco.
EliminarAcredite que ainda temos alguns extraordinários sonetistas :) Infelizmente, um dos grandes entre os maiores faleceu no dia 20 do passado mês de Outubro. Fiquei profundamente abalada pela sua partida...
Amanhã reeditarei um soneto que lhe dediquei quando ainda acreditava que ele venceria a doença que o minava. Ou talvez um Acróstico a Florbela escrito primeiro por ele e depois por mim...
Um fraterno abraço!