EU POSSO LÁ...
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EU POSSO LÁ...
*
Eu posso lá vestir o meu burel
E fazer-me ao caminho como os mais,
Se a minha barca é feita de papel
E há tanto tempo que não sai do cais...
*
Eu posso lá pegar no meu pincel
Para imprimir na tela os meus sinais,
Se a mão me falha e se uma dor cruel
Me rouba os traços mais originais?
*
Mas o que ainda posso, ainda faço,
Muito embora avançando passo a passo
Sobre o chão de palavras que percorro:
*
Se, metro a metro, suo a caminhada,
Do suor com que rego essa calçada
Emergirão poemas, jorro a jorro.
*
Mª João Brito de Sousa
30.03.2023 - 21.45h
***
Que bonito e que poder !
ResponderEliminarQueria também ser poderosa com versos poéticos assim,Maria
Estou de volta aos costumes caseiros _ risos
Quero mais é estar com vocês a quem não vejo mas sinto perto do coração
naquilo que fazem escrevem e enche a vida da gente de delicadezas e poesia.
Ah! como diz o poeta _ "Quão admirável são aqueles a quem não conhecemos bem' !
Isso, florzinha quero estar perto dos poetas e das poetizas!
Um abraço forte _ de saudade .
Oh, Lis , eu não sou nada poderosa, sou uma velhotinha fisicamente frágil e doente...
EliminarDei pela tua falta mas supus que andasses a viajar mundo afora ou demasiado ocupada com outros afazeres. Quanto ao que dizes, está correcto, podem-se criar laços de empatia e até de amizade com pessoas que nunca vimos e talvez nunca venhamos a ver. :)
Sê muito bem "revinda" ao mundo dos sonetos
Forte abraço para ti também
Quem faz o que pode e dá o que tem, ademais com a qualidade poética que a caracteriza... o que podemos pedir mais?! Saúde!
ResponderEliminarBem-haja pelas reconfortantes palavras, Francisco.
EliminarComo há anos me vejo privada de fazer mil e uma coisas que as pessoas da minha faixa etária ainda vão fazendo sem quaisquer dificuldades, não consigo evitar que, volta e meia, sinta que dou menos do que deveria.
Saúde e um abraço, meu amigo!
Faz o que pode e isso é muito... faz e faz bem.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Isso é o que vou dizendo para mim mesma, sempre que sinto que as minhas limitações física me estão a pesar demasiado, L. :)
EliminarObrigada e um forte abraço
Muito pode lá quem tem alma sábia,
ResponderEliminarpara agraciar quem está do lado de cá,
com a dádiva da bela poesia,
que traz magia ao mais comum dia.
Obrigada Maria João por nos oferecer belos sonetos,
desenhados em tela digital,
com palavras de heróica inspiração,
que voam leves nas paisagens da emoção.
Com as asas bem abertas, um forte abraço envio,
agradecendo pelos belos sonetos,
que transformam a vida em poesia,
E a distância em partilha.
Com a esperança de que tenha tido uma boa noite de descanso,
receba outro forte abraço de coração
desta pequena Cotovia que assim mostra gratidão,
E deseja: Bom dia Maria João! 🐦
E é com um poema que me diz tudo o que diz , pequena Cotovia
EliminarDesculpe. me este "pequena cotovia", mas sai-me com uma conotação claramente afectiva, até porque é bastante mais jovem do que eu...
Ainda não foi desta que as cãibras me deixaram em paz e a noite não foi tão repousante quanto eu gostaria que fosse, mas nem sempre estes episódios de fortes contracções musculares me incomodam. Vêm por fases, felizmente!
Bom dia e um forte abraço, pequena Cotovia
Olá Maria João, e faz muito bem, não tem de pedir desculpa, sempre fui pequenina, fiz-me pequenina e durante anos fui também calada e sossegada, até que pensei, ora bem, tenho quase meio século, vamos lá mudar isto para os próximos 50.
EliminarAté porque o que me falta em intelectualidade, aquelas coisas que nenhum intelectual revela, como a minha devoção a Nossa Senhora de Fátima, ou o gosto pela astrologia e outras coisas sem aparente lógica (ser sportinguista uma delas ;) e gostar de ditados populares outra), a confiança na intuição e a curiosidade pelo que faz o ser humano ser como é, compenso em vontade que querer ser feliz e alegre. E, por experiência digo, é mais fácil fazer chorar e sofrer, com rudeza, falsa franqueza, ou falsa modéstia, falsa moral, do que fazer rir. Por isso a honestidade intelectual e de carácter me é tão cara e tão importante, não podemos desistir perante a falta de gentileza, a estupidez e o preconceito, e é preciso levantar a voz contra a desigualdade e a maldade.
Se tivesse mesmo a possibilidade de me ter sido dar o dom de fazer os outros rir, gostava de ter sido palhaço ou comediante, mas sou e sempre fui tímida, este exercício não é apenas poético, é sobretudo de força de vontade em me manifestar.
Quem sabe noutra vida serei palhaço, visto que também acredito em muitas vidas e que por vezes nos vamos encontrando uns com os outros nelas.
Peço desculpa se este desabafo lhe parecer ridículo, mas sou como sou, quando calo, calo, quando digo, digo, quando gosto, gosto.
Quem sabe será este o tema e o tom do meu soneto 6/6 alexandrino, daqui a algum tempo?
Estimo a continuação das suas melhoras, que com o fim-de-semana venha também com a sua recuperação.
Abraço muito grato (desculpe mais uma vez o comentário tão extenso).
Mafalda
Ah, Mafalda Cotovia, tentar criar um alexandrino sem ter alguns anos de prática na redondilha maior e no decassílabo heroico, é como tentar resolver uma equação de segundo grau sem saber contar até dez... não se meta nisso! Eu bem digo que acabo por complicar tudo quando o que queria era descomplicar...
EliminarQuanto a acreditar noutras vidas, eu não acredito, mas eu sou eu e tenho mais costela de gato que de cotovia :) Além do mais, o mundo seria de uma insuportável monotonia se todos acreditássemos nas mesmas coisas...
Outro abraço alado
Tem toda a razão, aqui no ninho vejo isso entre os meus amigos de 4 patas, gatos e cães estão tranquilos na companhia uns dos outros... Já quanto a aves, nem por isso, tira-lhes o sossego.
EliminarEspero não ser isso que eu faça, não quero tirar o sossego de ninguém, e está é uma a tarefa se afigura ser uma longa maratona, não uma corrida de obstáculos, e esse voo alexandrino sou apenas eu a tentar olhar para as estrelas para ver se chego, pelo menos, ao sonetilho...
Mais um abraço Maria João 🐦
Sim, vá primeiro ao sonetilho que é o que tem menos sílabas poéticas e uma melodia bem marcada, além de muito bonita.
EliminarJá lá vão os tempos em que eu tinha a casa cheia de cães e gatos... Agora só tenho uma companheira felina, a Mistral, que é uma cálica - padrão tartaruguinha mas com manchas de grande dimensão - e já está a ficar entradota, como eu, rsrsrs
Quando se sentir à vontade com a melodia do sonetilho, a ver se lhe ensino a escandir um poema. Faz sempre falta, até para se compreender melhor o valor das sílabas tónicas e átonas, bem como das muitas crases que sempre ocorrem na poesia metrificada.
Abç
Os deste ninho estão a ficar assim como diz entradotes 16, 14, 12 numa escada de idades este ano, par, como gosto:) o da dúzia é o gato Sushi muito giro que parece ter uma mascarilha de zorro e anda sempre com o nariz muito cor-de-rosa e chamo-lhe por vezes o meu gato-palhaço. São eles os responsáveis por ser ave madrugadora que não deixam ninguém dormir depois das 7.30 ou 8 horas ao fim-de-semana. Uns queridos.
EliminarQuando me sentir preparada, direi para que façamos soar a largada neste mergulho na poesia do sonetilho, obrigada!
Abraço alado desta Cotovia com desejos de um bom fim-de-semana e boa recuperação. 🐦
Antes de mais, uma curiosidade bem a propósito de gostar de números pares. Eu prefiro os ímpares e, quando tive a minha primeira exposição individual de pintura na Voz do Operário, em 1999 - ou 2000? - um primo meu que não vejo há anos, fez o favor de andar a colar só números ímpares em cada uma das telas, rsrsrs
EliminarSim, os seus amiguitos também já não são crianças. Tenho alguma dificuldade em determinar a idade da Mistral porque a fui buscar aos parque de estacionamento - encerrado ao público - às quatro da madrugada de um Verão já antigo, ainda jovem, mas já adulta. Miava tanto e tão alto que eu duvido que não tivesse acordado o bairro inteiro, no entanto fui eu a única que saiu da cama em pijama e lhe foi acudir com um pouco da ração do Sigmund, que ainda estava vivo por essa altura, embora já com vinte anos de idade. Comeu tudo e, claro, não precisou de escrever nenhum soneto para me cativar, ehehe... Lá vim eu escada acima com a criaturinha ao colo. Quando viu o Sigmund ainda eriçou o pêlo, mas os vinte anos do velho decano fizeram com que ele a olhasse do alto da sua filosófica figura e adormecesse a seguir, como se aquela jovem felina lhe fosse absolutamente indiferente e não lhe merecesse sequer um pffff ;)
Mais tarde, ela ainda conseguiu desafiá-lo para uma corrida, mas quando o pobre conseguiu descer do sofá e se preparou para a perseguir, já ela tinha dado três voltas à casa...
Abraço alado e miado, que gato que nesta casa viveu nunca por nunca ser atacou ave alguma. E esta é a mais pura das verdades
Muito terna a descrição dos seus amiguitos, com uma história parecida com a do "meu" Sushi batizado por humor com nome de um prato de peixe, mas é mais um gato-cão, além de palhaço porque quando chegou, depois de o termos ido buscar ao estacionamento para onde a mãe gata o tinha escorraçado, e os carros a chegar por ser final de dia, nos fizeram temer o pior pois estava desorientado e cego, e lá o trouxemos com receio da reação dos amigos cães, mas tudo correu bem e foi adotado pela cadelinha Rodolfa. Ainda tenho a visita de outra amiga de 4 patas, a Cookie, que vive em Lisboa e às vezes precisa vir espairecer para o campo para gastar energias.
EliminarEm miúda era uma coca-bichinhos, e sempre continuei a sê-lo e muito me agrada a sorte que tenho de todos eles se darem bem, mesmo o mais entradote, e mal disposto, Timy, de médio grande porte.
Pelo exemplo do Sigmund e da Mistral vejo que a afeição pelos amigos de pelo é comum, e que aqui como aí, nunca se atacou nem ave, nem gato, nem cão...nem Pessoa :)
Abraço de todos aqui para si Maria João. 🐦
Exactamente, a paixão é comum e nunca se atacou bicho alado, de quatro patas ou de duas patas e postura erecta ;)
EliminarAbraço meu e da Mistral que as minhas mazelas não dão para receber mais inquilino nenhum e o meu magro pecúlio também não daria para o sustentar...
Bom fim de semana com alegria
ResponderEliminarque embora não podendo
as palavras farão a caminhada nos silêncios dos bosques
e entre o barulhar da cacofonia da Cidade
Belo dia MJ, beijinhos
Bom fim-de-semana, !
EliminarQuanto à barulheira citadina, tenho muita sorte porque a minha casa fica situada numa alameda/passeio ajardinado que só serve peões. Os carros não passam por ela o que faz dela um local calmo e muito aprazível.
Beijinhos!
"Mas o que ainda posso, ainda faço,"
ResponderEliminarFazer o que se pode a mais não se é obrigado
E tudo o que vais fazendo
Por todos nós é apreciado
e merece o nosso aplauso
Abraço
Obrigada, Rogério! :)
EliminarFico mesmo muito contente por saber que todos vocês gostam do que vou fazendo :)
Um largo abraço!