GLOSANDO LUIZ VAZ DE CAMÕES III- Reedição
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JURANDO DE NÃO MAIS EM OUTRA VER-ME
*
Como quando do mar tempestuoso
O marinheiro todo trabalhado,
De um naufrágio cruel saindo a nado,
Só de ouvir falar nele está medroso;
*
Firme, jura que o vê-lo bonançoso
Do seu lar o não tire sossegado;
Mas esquecido já do horror passado,
Dele a fiar se torna cobiçoso;
*
Assi, Senhora, eu que da tormenta
De vossa vista fujo, por salvar-me,
Jurando de não mais em outra ver-me;
*
Com alma que de vós nunca se ausenta,
Me torno, por cobiça de ganhar-me,
Onde estive tão perto de perder-me.
*
Luiz Vaz de Camões
In "Sonetos"
***
BRAVATA(S)
*
"Como quando do mar tempestuoso"
Que engole inteiro o velho galeão,
Emerge o grande vate e traz na mão
Quanto lhe fora em vida mais precioso,
*
"Firme, jura que vê-lo bonançoso"
Chegar às mãos de D. Sebastião,
Lhe justificará toda a aflição
Da luta contra um mar fero e rochoso
*
"Assi, Senhora, eu que da tormenta"
Medo não tendo, vibro de ousadia,
O mesmo irado mar enfrentaria
*
"Com alma que de vós nunca se ausenta";
Que tempestade, a mim, me afogaria,
Se em vós respiro, etérea, a Poesia?
*
Maria João Brito de Sousa
17.09.2016 - 21.11h
***
"Assi, Senhora, eu que da tormenta
ResponderEliminarDe vossa vista fujo, por salvar-me,
Jurando de não mais em outra ver-me"
Camões, o Poeta do amor. Afogar-se no olhar do amor parece-me uma metáfora maravilhosa.
Glosar o poema só para uma grande escritora. É sempre com gosto que passo aqui.
Tudo de bom.
Uma boa semana.
Um beijo.
Bom dia, Graça!
EliminarBem-haja pelas suas sempre gratificantes palavras
Desejo-lhe, também, uma excelente semana
Um beijo
"Quanto lhe fora em vida mais precioso," "Os Lusíadas"
ResponderEliminarMuitos parabéns, Maria!
Um abraço
Isso mesmo, Cheia
EliminarJá me ocorreu transferir este meu blog para uma pen, meter-me num cacilheiro até à Trafaria e voltar a nado para a ir entregar ao Palácio de Belém, mas nem sequer sei se ainda consigo nadar...
Um forte abraço!
Grande MJ, grande Camões
ResponderEliminarna pena minha de no tempo
os não unir também os Corações
Bela Semana agasalhada desde já
e uma bela tarde com alegria e fantasia. Beijinhos
Ehehehehehe.. com que então és um casamenteiro!?
EliminarMas olha que eu amor, amor desses, só tive um e fiquei bem vacinada! Nem que tivesse de me disfarçar de homem para poder conversar com ele e, quem sabe, desafiá-lo para uma ou outra coroa de sonetos
Ainda não faz frio, por aqui, mas Setembro já começa a vestir-se com os tons de Outono.
Boa semana e beijinhos!
Isto é que é coragem, ir de mão dada com Camões.
ResponderEliminarUm abraço.
Obrigada, L.
EliminarJá glosei muitos sonetos de Lviz Vaz... este foi o terceiro, mas o primeiro que encontrei por aí, creio que nas memórias do Facebook.
Um abraço
Parabéns querida Mª João!
ResponderEliminarQue fôlego poético avassalador!
Senti como se estivesse no Cabo Espichel em tormenta marítima e em aflição para chegar a bom termo, nesta tua glosa de Camões.
E o teu terceto final, é providencial, pois quando acabei de ler senti como os receios se evaporam e mudam de escala quando:
"Que tempestade, a mim, me afogaria,
Se em vós respiro, etérea, a Poesia?
Muito obrigada por esta partilha!
Um dia muito feliz, forte Xi e beijinhos axicorãozados, querida Mª. João!
🤍🐦
Obrigada e um dia muito feliz também para ti, linda Cotovia!
EliminarPrometi ao recém falecido marido de uma amiga que editaria os poemas que ele escreveu, todos eles vocacionados para letras de fado... Ainda não sei como nem quando vou arranjar tempo para o fazer, mas terei de o fazer. Talvez venha a criar mais um blog para ele, aqui no sapal do ilustre batráquio... Promessa é promessa e eu terei de o fazer antes que seja tarde demais e vá também eu parar ao jardim das tabuletas, em vez de continuar a fazer, a nado ,a rota dos cacilheiros para ir entregar uma pen com os meus blogs no palácio de Belém
Beijinho axicoraçãozado