ESPANTO II - Reedição

POTRO RADICULADO - 1999 (1).jpeg


*


ESPANTO



*


 


Meu espanto, como bicho degolado,


É este quase-nada, este destroço,


Que embora reduzido a pele e osso


Faz frente a quem o tenha encurralado
*


 


É este não temer ser confrontado


Com força natural, fera ou colosso,


Que nega a frustração do “mais não posso!”


E muda, à dura sorte, o resultado
*


 


O espanto mora em mim, comigo vive,


Mas pode exacerbar-se onde eu não estive


Se as asas dum poema o transportarem
*


 


Porque traz quanta força eu jamais tive


Se enfrenta humilhação que o esgote ou prive


Da voz que os sonhos meus lhe não negarem.
*


 


 



Maria João Brito de Sousa



30.10.2013
***

Comentários

  1. A força de quem não se deixa encurralar.
    Feliz dia, Maria João!
    Um abraço

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  2. Agvoltouuerrida Musa que
    Bela tarde em harmonia
    e um belo Natal desde já deixo eu.
    Beijinhos

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  3. Aguerrida Musa que voltou

    Raio do sapinho

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    Respostas
    1. Eheheheheh , percebi, , o sapito deu um pulinho enquanto escrevias "aguerrida", eheheheheh... Ontem também me ri lá no ninho da nossa Cotovia, quando a minha afonia se transformou em agonia, hehehehe

      Beijinhos e um Feliz Natal para ti

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    2. Verdade, estes pirulitos que o corrector dá, acabam, maioria das vezes, em risota, melhor assim, poderia ser caso de desconfortável engano
      Espero que estejas melhor da afonia, querida Mª João?

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    3. Olá, linda Cotovia!

      Já não estou afónica mas continuo muito rouca e cheia de tosse... Paciência, enquanto me aguentar sem sentir febre não volto ao centro de saúde. O pior vai ser amanhã. quando chegar a consulta telefónica de pneumologia. Vai ser complicadito ler, de alto a baixo, o relatório de uma espirometria com esta semi afonia e o MR nunca chegou a fotografá-lo e a enviá-lo à médica via email, conforme combinado.
      Mas hei-de encontrar forma de me fazer compreender, nem que tenha de o transcrever palavra a palavra.

      Xi

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  4. "...E muda, à dura sorte, o resultado..." Votos de Saúde, Paz e Festas Felizes.

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    Respostas
    1. Desta vez nem o espanto pôde mudar "à dura sorte o resultado" e o amigo que me apoiava incondicionalmente faleceu no dia quatro deste mês, Francisco.

      No entanto, sei bem que a vida tem de continuar e a poesia também não pode morrer em mim enquanto o meu coração pulsar.

      Retribuo os votos de Saúde, Paz e Festas Felizes!

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  5. Este teu espanto
    tanto me espanta
    ainda e tanto
    e até me encanta

    Abraço encantado

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    Respostas
    1. Querido amigo, respondo-te com os versos finais de outro poema que escrevi em 2015 :

      ..."... Não fosse, porém, o espanto

      Que o tivesse originado,

      Como é que um verso acossado

      Se imporia se, em quebranto,

      Nascesse afogado em pranto

      Em vez de em espanto gritado?"


      Abraço grato!

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  6. Um soneto que é uma força da natureza, como a Poetisa que o compôs:
    "É este não temer ser confrontado
    Com força natural, fera ou colosso,
    Que nega a frustração do “mais não posso!”
    E muda, à dura sorte, o resultado."
    Bravo, querida Mª João!
    Soneto lindíssimo, forte, vibrante. Gostei muito.
    Obrigada pela reedição!
    Continuação de melhoras, votos de uma noite tranquila.
    Beijinhos e um Xi forte e grato pelas tuas partilhas.

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    Respostas
    1. Olha que enquanto os escrevo sinto-me mesmo movida por uma força que não tenho na vida real... Talvez seja esta a verdadeira magia da poesia...
      Belos tempos aqueles em que eu e a Musa passávamos dias inteiros no dorso de um corcel de fogo - Agora, só de quando em quando escrevo uma coisita que jeito tenha.
      Obrigada e que tenhas, também, uma noite quentinha e serena.
      Beijinhos e outro xi apertadinho

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