O NATAL DAS COISAS QUE AINDA NÃO MUDARAM
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Fotografia de Carlos Ricardo
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O NATAL
DAS COISAS
QUE AINDA NÃO MUDARAM
*
Parece-me impensável não escutar
O eterno pinheirinho que nos diz
Que não é de bom tom não estar feliz
Apesar do pesar que nos pesar...
*
Assim se vai sorrindo pr`agradar,
Se come o bolo-rei, se pede bis,
E se celebra o dia de um petiz
Que veio ao mundo para nos salvar...
*
Isto, de tão humano, em nós se entranha
E, temporariamente, inunda as mentes:
Abraçam-se o amigo e a gente estranha
*
Mas quem está na miséria e mal se amanha,
Quem já perdeu o tecto, a cama, os dentes...,
Esse inda estende a mão ao que o desdenha.
*
Mª João Brito de Sousa
25.12.2023 - 18.00h
***
Magnífico. Feliz Natal.
ResponderEliminarSofia.
Obrigada, Sofia!
EliminarFeliz Natal e um abraço
Brilhante mensagem, é impossível não concordar com ela... mas sorrimos e cantamos como se nada se passasse.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Somos humanos, querido amigo, e a desumanidade de todos os dias tornou-se quase uma banalidade que tem de ser filtrada para que possamos continuar a viver sem enlouquecermos de vez... Neste aspecto, os meus 71 anos já me ensinaram que não posso recriminar-me por tentar não pensar demasiado em tragédias, ainda que elas me entrem pelos olhos e pelos ouvidos dentro. E nisto, acredite, mais depressa perdôo os outros do que me perdôo a mim.
EliminarUm forte abraço, L.
Boa noite de Natal, querida amiga Maria João!
ResponderEliminarUm dos mais lindos e verdadeiros poemas de Natal que tenho lido.
Vamos vivendo tudo apesar dos pesares.
Tenha uma Oitava de Natal abençoada!
Beijinhos festivos
Obrigada, querida Rosélia!
EliminarVamos vivendo, sim, apesar de todos os pesares pessoais e dos horrores que afligem toda a humanidade.
Que tenha, também, uma Oitava de Natal abençoada!
Beijinhos afectuosos
Agradecemos haver gente rica, que nos dá um côdea, que é difícil de roer.
ResponderEliminarBoa semana, Maria, João!
Um abraço.
E, estranhamente, Cheia, há gente nova que trabalha mas não tem dinheiro para arrendar uma casa ou, se consegue arrendar uma, não lhe sobra nada para se alimentar, para se vestir, para os eventuais medicamentos de que possa necessitar e tem mesmo de recorrer à caridade... Mas não falo das pessoas que fazem voluntariado, falo de todo o sistema capitalista que permite que tudo isto aconteça... ou pior, que fomenta estas situações lesivas da dignidade de quem trabalha.
EliminarE que dizer dos idosos que foram despejados das suas casas cujos alugueres subiram que nem foguetes de Stº António, e que agora vivem nas ruas?
Boa semana e um abraço
Sempre extraordinário o seu poetar! Votos de saúde e paz.
ResponderEliminarObrigada, Francisco!
EliminarVotos de saúde e Paz também para si... e, para me redimir, um dia destes faço um poema sobre as ovelhinhas da Aldeia da Mata. Está de acordo? Não posso é dizer quando, que a Musa é caprichosa e eu nunca sei para onde ela me leva...
Abraço fraterno
De pinheirinho e pinheirinho vamos andando anos e anos…..mudámos alguma coisa?
ResponderEliminarSó a idade….
Beijao grande!,,,,😣🎄🦚☘️🍀💐🌹🍮🥮🥧🍷🍺☕️🎁🎁🎁🛏🛏🛏🛏
Olá, Ligeirinha!
EliminarTeria de viver duas ou três vidas para te conseguir explicar a infinitude de pequeninas coisas que mudámos no mundo e que o mundo mudou em nós, acredita. Nada nem ninguém passa por este planeta sem deixar a sua pegada a cada décimo de segundo.. Só não conseguimos ainda diminuir o abismo que separa um punhado de palermas obscenamente ricos e uma imensa mole de gente muito pobre, ou mesmo na mais dura das misérias...
A propósito de idade, amanhã vou publicar um soneto que aflora esse assunto ;)
Não sei onde vais buscar esses emoticonzinhos todos. Eu tenho de me contentar com os que o Ilustre Batráquio nos oferece
Beijão grande!
Assim anda o Mundo
ResponderEliminartorto e cego a cada segundo MJ
Belo resto de Semana, beijinhos
Torto, cego e nós nele, cada vez mais próximos do ponto de não retorno enquanto espécie...
EliminarBoa semana, que a segunda-feira não contou Hoje é que começa a semanita,
Beijinhos
Olá, bom dia querida Mª João.
ResponderEliminarA tua Musa é magnífica em sonetos de excelência, querida Poetisa. E como luzem em verdade, com palavras que conseguem chegar ao coração de quem te lê. Fora assim a consciência verdadeira como são os versos deste poema, e a mudança ocorreria, num espírito de Natal sintonia com a mensagem.
Mas é difícil gerir nestas épocas a alegria, a celebração, e a tristeza e a constatação das desigualdades e dificuldades, entre uma e outra a crueldade espreita, a indiferença, muitas vezes a consciência da dessensibilização para prosseguir com os dias como eles se apresentam, escolhas difíceis.
Resta ir fazendo o melhor que se consegue, e como aqui mostras, sendo operária da Poesia, para encantar sim, mas também para manifestar.
Obrigada pelas tua excelência e generosidade de partilha.
Um dia bom para ti, um forte abraço.
Beijinhos e um Xi, querida Mª João.
Bom dia, minha linda Cotovia!
EliminarSim, a Musa tem estado comigo, e eu ainda consigo equilibrar-me entre dores, preocupações, tristezas e esta coisa fortíssima que nos cabe a todos e se chama amor à vida.
Segundo a tradição - a que por aqui se vive, pelo menos - esta quadra natalícia ainda não terminou: durará até ao dia 6, que é dia de Reis... mas eu gosto mais da expressão inglesa "Wise Men". Não precisamos de reis para nada, precisamos é de gente sensata.
Obrigada pela gentileza das tuas palavras e um grande, grande xi
O Soneto é aquela maravilha a que a Mª João João já nos habituou.
ResponderEliminarDiz tudo o que há de mais real e verdadeiro em admirável modo poético
Esta forma de poesia é mesmo de quem sente e sofre/u na pele tudo o que escreveu. Aqui, Pessoa não poderia dizer que o Poeta é um fingidor, ou talvez sim, pudesse! Aqui, não há ficção lírica. Há uma profunda emoção que é transmitida a quem a lê.
Bem, já me desviei um pouco do que pensei dizer em relação ao título, quando entrei. Nunca consigo ser sucinta, é um defeito meu.
Na verdade, passa um Natal e outro vem, e o que deveria ser alterado de modo a que as coisas mudassem, ficam sempre iguais!
Isto não é fado português, sina nossa. Acontece em todo o mundo.
Um abraço solidário e sentido, Mª João.
Desculpe.me a demora, Janita, mas ontem à noite estava demasiado exausta para agradecer e hoje acabo de chegar do hospital e de almoçar, ainda nem arrumei a medicação que, na verdade, não sei onde arrumar porque não me parece que tenha espaço livre para tanta caixa e caixinha. Terei de esperar por um momento de inspiração, que isto de tentar meter uma farmácia inteira em minha casa é quase com meter o Rossio na Rua da Betesga.
EliminarQuanto ao soneto, a minha vida socioeconómica desceu a pique nas últimas décadas e perdi tanto poder de compra quanto autonomia, mas ainda não perdi tecto e cama, embora me lembre de, em criança, ver homens e mulheres muito pobres e andrajosos, com ou sem crianças, virem bater à porta da nossa casa de Algés para que o meu avô assumisse a sua defesa num ou noutro caso judiciário porque não confiavam nos advogados que o Ministério Público lhes nomeara. O meu avô nunca deixou nenhum por atender, ainda que o pagamento fosse uma saca de batatas, uma dúzia de ovos, mesmo um litro de leite e nada, nos casos de miséria mais severa.
Desde sempre lidei e sofri com a miséria do meu próximo sem fazer a menor ideia de que algum dia pudesse vir a viver em pobreza extrema. Embora agora já tenha a reforma de velhice - a mais pequenina de todas -, vivi uns largos e duros anos em sérias dificuldades financeiras. Mesmo que agora me pudesse contar entre os que vivem confortavelmente - rica nunca seria, nem jamais o quis ser! - escreveria este mesmo soneto em nome dos muitos que ainda vivem em condições sub-humanas. E, tem razão, não é fado nem sina de português, acontece um pouco por todo o mundo e de forma crescente.
Um abraço agradecido por ter lido este longo e mal amanhado desabafo. É que eu escrevo muito mal quando estou com sono e, exausta pela a ida ao hospital, sinto os olhos a fecharem-se-me e o corpo a pedir-me cama.
Poema oportuno
ResponderEliminarporque exacto e puro
neste Natal conspurcado
pela montra,
promoção do supermercado
onde não chega a bolsa
Abraço ainda festivo
É verdade, querido amigo, há demasiados seres humanos com os bolsos tão vazios que não há promoção que lhes valha...
EliminarÉ curioso ver-te aqui quando ainda há pouquinho me largaste à porta de casa com medicamentos e tudo... :)
Abraço que quer ser festivo mas que está quase, quase a adormecer diante do ecrã...