GLOSANDO O ÚLTIMO VERSO DE UM SONETO DE CUSTÓDIO MONTES
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Imagem Pinterest
*
AMAR-TE, POESIA
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Amar-te em cada ano em dia certo
E ter que estar à espera todo o ano
Dizer uma só vez: eu não te engano
Apenas venho aqui hoje liberto
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Eu ando no trabalho aqui por perto
Mas meu patrão é velho e tão insano
Que só me deixa vir, por inumano,
Um dia sem saber ao quê decerto
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Pois, se soubesse, amor, que eu aqui vinha
Não me deixava vir. Se ele adivinha
Ou se alguém lhe contar que nesse dia
*
Venho comemorar e dar-te um beijo
Proíbe-me de vir, não mais te vejo
Mesmo uma vez por ano, poesia!
*
Custódio Montes
22.3.2024 (e só no dia seguinte….)
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"Mesmo uma vez por ano, poesia",
Que pra ti corra e enlace fascinada
Sabe-me sempre a pouco, ou quase nada,
Quanto em ti por segundos me extasia
*
Pudera eu ter mais tempo e ficaria
A ver-te espanto a espanto acrescentada
Até adormecer sobre a almofada
Onde, por fim, Morfeu te renderia
*
É atrasada que te rendo preito...
Espero que me perdoes tê-lo feito
Passados já três dias. Reconheço
*
Que me perco no tempo que há no espaço
Sem sequer entender porque é que o faço
Se te dedico um tão infindo apreço.
*
Mª João Brito de Sousa
24.03.2024 - 16.00h
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A resposta da Maria João, mesmo tardia,
ResponderEliminarobedeceu com mestria e muita arte àquilo
que se pedia__mas, querida Poeta, peço perdão
o primeiro poema que hoje aqui li,
encheu-me o coração e a alma de emoção...
Que coisa horrível de se dizer - eu sei.
É quase como morder a mão a alguém
que nos estende a sua pedindo
a nossa compreensão.
Um grande abraço, querida Maria João.
( desejando ter mordido a língua, engolida pela falta de tacto que tanto preciso e me foge quando dele mais preciso. )
Olá Janita :)
EliminarConsidera horrível dizer que se emocionou com o primeiro soneto da autoria do meu amigo e eterno companheiro de Coroas Custódio Montes? Então imagina que eu iria buscar esse soneto e o traria para o meu blog se também a mim me não tivesse tocado profundamente?
Fico até muitíssimo feliz por mais alguém se ter deixado encantar tanto quanto eu me encantei pelo "Amar-te, Poesia" :) Nós, velhos sonetistas, somos muitíssimo solidários e unidos, acredite.
Um grande abraço
A poesia é o nosso braço direito e o nosso braço esquerdo.
ResponderEliminarUm abraço.
L
E é também um abraço, tal qual este que agora lhe envio, L.
EliminarMuitos parabéns aos dois!
ResponderEliminarBoa semana, Maria João!
Um abraço.
Muito obrigada pela parte que me cabe, Cheia :)
EliminarFui ao hospital hoje de manhã e, quando voltei, vi que o poeta Custódio Montes tinha tomado este dueto por uma Coroa de Sonetos e estava a dar-lhe continuidade no Face Book. Isto não vai ficar por aqui, embora eu tenha uma semana recheada de consultas pela frente, qualquer dia nascerá uma Coroa destes dois sonetos. :)
Boa semana e um abraço
Por ambos amarem a poesia
ResponderEliminarÉ assim que ela se debita
Escorreita, densa, fluída
Aqui e ali com intensa alegria
Abraço
E não vai ficar por aqui, Rogério, que enquanto eu tratava das mazelas o amigo Custódio Montes continuou a dar continuidade a estes dois poemas pensando tratar-se de uma coroa... :)
EliminarClaro que por muito complicada que ande a minha saúde, não resisti e já vamos no sexto soneto.
Um forte abraço
Boa tarde Maria João
ResponderEliminarGostei de ambos os sonetos.
E o dia da Poesia devia ser todos os dias, mas isso não podia ser!
E que seria de outra(s) comemoração que ficaria sem dia?!
Boa semana com saúde e paz.
Páscoa abençoada!
Deixo um beijo
:)
Boa noite, Piedade
EliminarObrigada pela parte que me cabe, mas estes dois sonetos não vão ficar por aqui que na sequência destes já nasceram mais doze que completaram uma Coroa que publicarei amanhã.
Claro que há dias que deveriam ser celebrados todos os dias e o da Poesia é um deles... Mas, na verdade, se todos os dias celebrássemos as coisas especiais da vida, as celebrações seriam múltipla, confusas e constantes, perder-se-ia o verdadeiro significado da celebração.
Que tenha também uma Páscoa feliz!
Outro beijo para si