SEM MÃO QUE A CONDUZA E SEM MUSA QUE A HABITE

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SEM MÃO QUE A CONDUZA E SEM MUSA QUE A HABITE
*


 


"Do luar grisalho que há nos meus cabelos"


Fiz uma bandeira que elevei aos céus


Qual imensa pomba de traços singelos


Mas prenhe de anseios tão meus quanto seus
*


 


Um vento mais forte levou tais anelos


Pra longe, tão longe que estes olhos meus


Não mais a reviram... Que sonhos tão belos


Partiram sem rumo e sem dizer adeus...
*


 


Do Sol que hoje queima os meus olhos cansados


Colho agora um raio que os mais são escusados


E aponto ás alturas a luz que ele emite
*



Mas sinais não vejo da pomba/bandeira


Que o vento de um sopro levou toda inteira


Sem mão que a conduza e sem musa que a habite.
*



Mª João Brito de Sousa


23.03.2024 - 12.39h
***


Soneto criado a parir do verso final do soneto "Sol e Vida" da autoria de MEA


 



Comentários

  1. Que soneto Magnífico, tão lindo e em sintonia com a imagem, gostei muito, muito, muito.
    Beijinhos Maria João e Mistral e continuação de bom fim de semana.

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    1. Olá, Sofia :)

      Obrigada por teres gostado deste soneto hendecassilábico que criei inspirada no último verso de outro belíssimo soneto da MEA.

      A Mistral continua com a glicémia um pouco alta, mas controlada. Come bem mas já emagreceu muito... A única diferença que noto é que os xixis dela continuam a ser verdadeiros oceanos. Ainda bem que tenho duas caixinhas de areão porque assim vai-se distribuindo o mal pelas aldeias e eu só preciso de retirar a areia ensopada duas vezes por dia.
      Vou ter umas obrazitas no cano de escoamento das águas pluviais que, infelizmente, passa pela minha casa... Espero que o ponham a passar por fora, que este raio deste cano não tem feito outra coisa senão dar problemas.

      Bom fim-de-semana e um beijinho para ti

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    2. Maria João, há sempre alguma coisa para desorganizar a casa, mas desde que fique bem vale a pena o arranjo.
      Quanto à Mistal é mesmo cuidados para a vida, mas ela tem sorte de ter uma dona cuidadosa e amorosa.
      E este soneto é lindo sim uma obra de arte entre muitas vindas de si, mas este por algum motivo foi tão lindo de ler e "saborear".
      Beijinhos grandes.

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    3. Sabes o que me parece mais irónico no meio disto tudo, Sofia? É que eu tenho uma infinidade de doenças crónicas autoimunes, para além da insuficiência cardíaca, mas orgulhava-me muito de, pelo menos, não ter diabetes... Já não posso gabar-me nem disso, que as últimas análises que me fizeram no hospital mostram que já sou também diabética.

      Que raio de solidariedade entre o meu pâncreas e o da Mistral

      Bom, mas a minha diabetes ainda se vai tentando controlar com antidiabéticos orais, não preciso de insulina, pelo menos por enquanto...

      Se calhar este soneto soube-te melhor porque foi escrito com a Musa a meu lado... mas que digo?, a Musa é uma parte de mim que nem sempre encontro quando estou a ser muito pressionada ou solicitada por coisas chatas da vida real, como consultas hospitalares aos molhos e coisas que tais...
      Hoje atingi esse estado de espírito por instantes... agora é que já estou mais preocupada com o raio do cano de escoamento das águas pluviais que parece ter ainda mais mazelas do que eu tenho.

      Beijinhos grandes

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    4. Verdade Maria João, os problemas do dia a dia levam as musas para um lugar recôndito, acho que andamos muito ocupados e todos um corre corre, seja trabalho, saúde... enfim... a persistência e uns minutos de relaxamento é o que nos salva e permite a criação da beleza, em palavras e gestos de cordialidade para connosco, os próximos e os nossos animaizinhos, fieis companheiros de jornada.
      Beijinhos e coragem, tudo se resolverá corajosa como é não é um cano que vai travar a musa.

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    5. Começo a estar receosa, Sofia... desta vez não conseguiram visualizar nenhuma fissura no cano que é do condomínio. Também não creio que haja rigorosamente nada de errado com os canos da minha cozinha, mas a verdade é que há sinais de humidade no andar de baixo
      Ufa, não sei que te diga... Mas, sim, tenho problemas bem maiores do que o do raio do cano. Veremos no que isto vai dar...

      Beijinhos

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  2. A musa é fiel e sempre que se afasta deixa esse ventinho que
    não a abandonará jamais. Lindo , Maria.Sempre !
    Aqui está mais para temporal que para ventos.
    E, seguimos , contentes porque a gatinha está bem e sobrevive.
    Um bom abraço, querida e doce amiga.
    Boa semana.

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    1. Olá, Lis! :)

      Aqui, em Nova Oeiras, está uma ventania desgraçada que vem do Sul carregadinha de poeiras e areias do Sahara.. tenho o chão todo coberto duma poeira esbranquiçada e muito fina

      Ah, sim, a Mistral está um bocadinho mais elegante , mas muito bem disposta. Desde que lhe não faltem as injecções de insulina, vive uma vida normalíssima com excepção dos xixis que faz aos litros... Mas também bebe litros de água e eles têm de sair por algum lado, rsrsrsrs

      Bom fim-de-semana e um grande abraço

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  3. Brancas nuvens negras23 de março de 2024 às 16:20

    A pomba e a Musa vivem dentro de si.
    Um abraço.
    L

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    1. Verdade, L., mas nem sempre conseguimos encontrar-nos em perfeita simultaneidade.

      Outro forte abraço

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  4. Musas heróicas são todas as que a inspiram e conseguem tão belos resultados poéticos. Tudo o que é belo a habita, Mª João. Não precisa de mais.

    Um grande abraço.

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    1. Obrigada, Janita :)

      Nem sempre consigo estar em perfeita sintonia com aquela parte de mim a que chamo de Musa, mas tento aproveitar ao máximo sempre que isso acontece.

      Um grande abraço

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  5. A Musa continua de boa saúde. Mais um belo soneto.
    Um abraço, Maria João!

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    1. Olá, Cheia!

      Ela, a Musa - que no fundo sou eu - está sempre de boa saúde porque foge sempre que acontece alguma adversidade :) Eu, desmusada, é que tenho de enfrentar todas as adversidades e resolver todos os problemas

      Noite serena e outro abraço

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