MÃOS DE ABRIL - Reedição

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MÃOS DE ABRIL

*

 

 



A mão que esboça o verso, ampara a vida,

 



Transporta o saco cheio, amassa o pão,

 



Cava o torrão mais duro e, mesmo f`rida,

 



Prefere a dor sentida a não ser mão

*

 

 



Renasce a cada causa antes perdida

 



E tece e fia e doba e faz questão

 



De, sobre a tela pronta e já tecida,

 



Lavrar, do próprio gesto, a criação.

*

 

 

 



A mão trabalha ainda, a mão persiste

 



E até quando algemada ela se agita:

 



Ou se livra da peia… ou lhe resiste!

*

 

 



Será por cada mão que não desiste

 



Que a força de que o mundo necessita

 



Justifica a razão que ao povo assiste!

*

 

 

 



Maria João Brito de Sousa 

 

29.01.2014 – 14.43h

***

 

Comentários

  1. Boa noite, Maria João

    Estive para não descer à rua.
    Acordei dividido entre a razão e a emoção.
    A emoção dizia - vai a festa é tua.
    A razão - não vás, os cravos já lá vão.

    Saí de casa, caminhar sem destino.
    Só, remoer os sonhos abalados.
    De caminho em caminho, em desatino,
    Por eles, fui parar aos Aliados.

    Sinceramente não sei dizer
    Quais as sensações deste dia.
    Senti a depressão esmaecer,
    Mas o futuro cinzento não alivia.»

    Apesar de tudo, Maria João foi boa esta minha viagem ao passado,
    Zé Onofre

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    1. Bom dia, Zé Onofre!

      Tivesse eu coração que não falhasse,
      Coluna qu`aguentasse o peso meu
      E pernas fortes pra subir ao céu
      Da Liberdade que ao céu me levasse
      *
      Fico contente por saber que desceu a avenida dos Aliados e que gostou de o fazer. Há muitos anos que não desço a avª da Liberdade, por incapacidade física. Consigo caminhar amparada a uma bengala, mas não mais de cinquenta metros.

      Um abraço


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    2. Boa tarde, Maria João

      Houve uma coisa que me animou - ver tantos jovens na rua, a participar. Há muitos anos que não o via. Um sinal de esperança?
      Um abraço,
      Zé Onofre

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    3. Boa tarde, Zé Onofre!

      Nas imagens que vi também me pareceu que os jovens eram muitos. Penso que sim, que é mesmo um sinal de esperança.

      Um abraço

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  2. Bela sexta feira e fim de Semana à maneira
    e em harmonia MJ, beijinhos

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  3. Brancas nuvens negras26 de abril de 2024 às 17:05

    As mãos dos que resistem... sem armas na mão.
    Um abraço.
    L

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    1. Outras armas terão os que resistem, L.

      Ontem, tanto quanto pude ver, a arma foi termo-nos transformado num imenso mar de gente, quase um 1º de Maio de 1974... Usei a primeira pessoa do plural não estando lá. Foi como se estivesse porque vontade não me faltou...

      Outro abraço

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  4. Belíssimo este dia a seguir!
    Um beijinho, Maria João e uma noite tranquila.

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    1. Muito obrigada, Ana!

      Que tenha uma noite serena e reparadora.

      Um beijinho

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  5. Excelente!
    Noite tranquila, Maria João!
    Um abraço.

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    1. Obrigada, Cheia :)

      Acabo de editar mais uma conversa com Camões, mas já estou um pouco perdida na ordem dos sonetos. A este, espero ainda não o ter publicado... encontrei-o nos ficheiros, quase pronto embora ainda não assinado...

      Noite tranquila e um abraço

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