MÃE
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Fotografia de António Pedro Brito de Sousa
*
MÃE
*
Soneto Bordado a Linho Sobre Cetim
*
Nestes versos que engomo a ferro quente
sem uma ruga que ensombre, no fim,
este lembrar-te quando, estando ausente,
te não recordas, nem sequer de mim,
*
Neste auscultar-te como se presente
te mantivesse, eternizando assim,
doce, a memória, quando é tão dif`rente
de ver-te viva, bordar-te em cetim...
*
Neste dizer talvez nada sabendo
- suave inocência dos momentos tristes -,
nesta ilusão que sei, mas nunca entendo,
*
Te afirmo que, apesar de tudo, existes:
Estás nas palavras em que aqui te prendo
e na certeza de que em mim persistes.
*
Maria João Brito de Sousa
03.05.2015-02.48h
***
In Antologia Horizontes da Poesia VII
Oh ... que lindo!
ResponderEliminar"...eternizando assim,
doce, a memória, quando é tão dif`rente
de ver-te viva, bordar-te em cetim.."
Maravilhoso.
Beijinhos
Feliz Domingo
Obrigada, Luísa :)
EliminarA minha mãe era muito bonita, não era? Esta fotografia foi tirada nas traseiras da nossa primeira casa, na Rua João Chagas, em Algés. Pouco depois mudar-nos-íamos para as duas casas geminadas da rua Luís de Camões.
Feliz Domingo e um beijinho
A sua mãe era realmente muitíssimo bonita, a minha mãe não era menos.
ResponderEliminarEu sou parecida com o meu pai até na mania de amar a Alemanha e a Física.
Um soneto primoroso e comovente.
Abraço para todas as mães portuguesas 🌹 especialmente para as nossas mães, estejam elas onde estiverem 🌹
Viva, Teresa!
EliminarTambém eu sou bastante mais parecida com o meu pai e o meu avô, mas não fisicamente, apenas nas manias de amar a literatura, caminhar por matas e florestas durante dias inteiros - do meu pai, esta -, abominar a mentira e tentar descobrir tudo sobre a infinitude de bicharada que connosco coabita - também do pai, esta, que nos fazia merecer, por parte da minha mãe, o epíteto de coca-bichinhos.
Tal pai, tal filha, dizia ela, não fazem senão ler e andar pelas matas a levantar pedregulhos... Saíram-me dois belos coca-bichinhos! :)
Retribuo o seu abraço às mães portuguesas. Às nossas, vamo-las abraçando todos os dias, ainda que nem sempre o consciencializemos
A minha mãe nunca me perdoou a minha decisão de eu casar com um alemão e aqui ficar. Naqueles dias mais bem humorados, dizia que eu não tinha culpa da minha obsessão pela a Alemanha, obsessão que herdei do meu pai.
EliminarA tristeza do dia de hoje está expressa no conto de Afonso Reis Cabral.
Um outro abraço 🌹 desta vez para a Maria João 🌹
Creio que a minha também nunca me perdoou o facto de não ter conseguido tirar proveito dos meus talentos para a pintura e poesia... Partiu quatro anos antes do meu primeiro livro ter sido editado. Tenho imensa pena de que nunca o tenha podido ter nas mãos, folheá-lo, lê-lo...
EliminarTentarei, mais logo, visitar o Ematejoca, não passei nada bem durante a noite ... nem durante o dia.
Outro abraço para si, Teresa
É belo este seu poema, é bela a sua mãe.
ResponderEliminar"Te afirmo que, apesar de tudo, existes..." essa é uma bela e terna homenagem.
Um abraço para si que é mãe.
L
Obrigada pelas palavras e pelo abraço, L.
EliminarAquilo que afirmo é a mais pura verdade: a minha irmã já não está entre nós mas eu ainda por cá vou estando e, enquanto a recordar, ela existirá apesar de há muito ter partido.
Outro abraço
Bonita homenagem ! Maravilhoso.
ResponderEliminarBom resto de dia, Maria João!
Um Abraço.
Obrigada por esse "Maravilhoso!", Cheia! :)
EliminarNão me sinto nada bem, ainda nem o consegui visitar hoje... Vou tentar, mas não posso prometer nada. De qualquer forma, amanhã terei consulta de enfermagem para controlo do INR e, se não estiver melhor, posso sempre pedir uma consulta do dia com um/a médico/a.
Bom resto de dia e um abraço
Boas e rápidas melhoras, Maria João!
EliminarUm abraço.
Obrigada, Cheia!
EliminarAmanhã começa uma semana complicada para mim, com muitas consultas e outros imperativos que me irão afastar da Musa e do computador, mas continuarei a tentar deixar qualquer coisa editada, nem que sejam apenas reedições.
Outro abraço
"...apesar de tudo, existes: / Estás nas palavras em que aqui te prendo..."
ResponderEliminarSonetos extraordinários que escreve. Poetisa ímpar! Melhoras.
Muito obrigada pelas suas elogiosas palavras, Francisco!
EliminarApenas um grande amigo da área de letras, recente e precocemente falecido, me disse um dia que eu tinha uma obra "ímpar na actual poesia portuguesa". Deixou-me agora mais comovida do que atrapalhada porque me pareceu estar a ouvi-lo...
O meu fraterno abraço
Boa Semana e bom dia em harmonia
ResponderEliminare aos sentimentos Beijinhos
Em dia da Mãe, uma bela homenagem à sua num soneto, rico bordado a cetim e comovente.
ResponderEliminarA foto mostra uma bela Mãe.
Deixo votos de boa semana.
Um beijo
:)