SEM DONO I e II
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Fotografia de Carlos Ricardo
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SEM DONO
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I
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Não sabe se é ateia ou se é pagã
Uma mulher que passa distraída
E vai saboreando uma maçã
Que desconhece estar a ser comida
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Que sabe essa mulher do amanhã
Se vive ao deus-dará, desprotegida?
Parece-lhe a questão um tanto vã
Pra quem barata vende e compra a vida...
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Abre a porta do quarto de aluguer
Devagarinho para não ranger
E senta-se num banco. Está com sono.
*
É tarde, é muito tarde pra pensar
E depressa adormece. Ao acordar,
Jurará que é feliz por não ter dono.
*
II
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Ele ergue um novo muro a fio-de-prumo,
Carrega às costas passado e futuro
E almoça muito à pressa num arrumo
Uma cerveja quente e pão já duro
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Fuma um cigarro. Uma argola de fumo
Forma-se e esvai-se toda no ar puro
Como se optasse por traçar um rumo
Que pra nenhum dos dois será seguro
*
O cimento atingiu o ponto certo
E o muro cresce como que liberto
Da tal conotação que não merece
*
O Sol está quase a pôr-se atrás do mar
E o muro ainda está por acabar...
Pode ser que amanhã o recomece.
*
Mª João Brito de Sousa
13.12.2023 - 13.00h
***
Vinha comentar o "AZAR" e deparo-me com um dramatismo velado de uma quase felicidade! Não ter dono, é para muita gente dependente, o mesmo que conseguir respirar o ar puro que lhe faltava.
ResponderEliminarPara além desse talento ímpar que a Mª João possui para escrever poemas, tem sempre um tema interessante e pertinente, para abordar. É mesmo uma pessoa dotada por um poder superior, quero crer!
Um grande abraço, neste dia em que o sol já brilha e nos aquece.
Muito obrigada pelas suas palavras , Janita, mas não creio que tenha nenhum poder superior... Tenho algum talento e uma imensa vontade de me sentir minimamente útil aos meus irmãos de espécie... Espere, só se for este bendito poderzinho de andar para aqui a fintar a Senhora da Gadanha O mais provável é que eu seja tão agarrada à vida que me torno escorregadia e lhe fujo sempre no último segundo. E sempre com médicos que apostam em mim, mesmo que a hipoxia pareça demasiado longa.
EliminarAgora estou quentinha, sim.. Esteve cá uma senhora a dar-me banho e, depois de ter comido a sopinha, começo a ter um soninho de bebé
Mas não pode ser que hoje ainda tenho compras para fazer e mais uma máquina de roupa para lavar, se a Musa não resolver pôr-me a escrever o dia inteiro, claro.. Não me parece é que ela não esteja também cheia de sono
Um grande abraço
Ambos muito bons, sobre quem tem vida dura, para que outros a tenham muito boa.
ResponderEliminarNoite tranquila, Maria João.
Um abraço.
Muito obrigada pelas suas palavras, Cheia!
EliminarUm abraço também para si
Tudo dito
ResponderEliminarbom e belo sábado em toda a harmonia MJ, beijinhos
Bom dia sorrindo que as dores da isquemia deixaram-me dormir até às 6.30h , em vez de começarem logo às duas ou três da madrugada.,
EliminarQue tenhas também um belo Sábado!
Beijinhos
Um poema que são dois, com temática filosófica. Poesia com conteúdo... como interessa.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Bom dia, L.
EliminarEstes dois sonetos têm mesmo milhares e milhares de homens e mulheres dentro deles. Aliás, cabem milhares de seres humanos dentro desta mulher e deste homem...
Forte abraço