A MORTE DO BAOBÁ
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Soneto criado a partir do último verso do soneto ÁGUAS DE INVERNO
da autoria de MEA - Maria da Encarnação Alexandre
***
A MORTE DO BAOBÁ
*
"Enquanto no tempo a vida se desfolha"
Eu tento reter umas quantas folhinhas
Escondendo-as do vento pra que mas não colha
Ou gritando ao Tempo que são muito minhas
*
Em vão me debato que não tenho escolha:
Uma a uma as perco, todinhas, todinhas,
Pró vento que sopra, prá chuva que as molha,
Pró solo onde morrem encarquilhadinhas
*
E quando de todo estiver desnudada
De frutos e folhas, sem seiva, sem nada,
Saberei que a hora que tanto evitei
*
Chegou finalmente. De mim sobrará
Um tronco sem vida e eu, Baobá,
Não mais nas savanas sem fim reinarei.
*
Mª João Brito de Sousa
18.04.2025 - 23.45h
***
Só de uma grande Poetisa poderia nascer uma maravilha deste calibre!
ResponderEliminarOrgulho em ser teu amigo.
Cada verso reflete uma alma imortal, de Poesia feita.
Obrigado pela partilha.
Sou eu quem agradece as suas generosas palavras, caro anónimo.
EliminarA falta de saúde e a cada vez pior acuidade visual vão-me pregando partidas das grandes...
Coitada da MEA que ficou a chamar-se Hencarnação em vez de Encarnação... Vou já, já corrigir!
Para si, votos de uma excelente Páscoa!
Um abraço
Excelente!
ResponderEliminarMuitos parabéns, para ambas.
Feliz Páscoa!
Obrigada pela parte que me cabe, Cheia.
EliminarFeliz Páscoa e um abraço!
Boa tarde Maria João
ResponderEliminarNeste soneto, a autora parte de um verso alheio para desenvolver uma metáfora de grande força simbólica: o baobá como imagem da própria finitude. A estrutura clássica em dois quartetos e dois tercetos é respeitada com rigor formal, e a musicalidade dos versos, marcada por repetições e ritmo cadenciado, reforça o lamento contido da voz poética. Destacam-se os diminutivos e as aliterações, que acrescentam doçura e fragilidade ao tema da morte. A progressiva perda das folhas, quase infantilmente reclamadas como “muito minhas”, confere humanidade ao baobá e evoca com ternura o apego à vida. Um poema de despedida, sim, mas também de aceitação serena perante o curso natural do tempo.
Meus Parabéns pelo Soneto.
Abençoada Páscoa em paz e com mais alguma saúde, que sei não anda lá muito bem.
Deixo um beijo.
:)
Ah, abençoada Páscoa também para si, Piedade
EliminarComo fico sempre fascinada com a sua análise, não consigo deixar de lhe agradecer... até porque fico com a sensação de estar a "falar" com uma telepata que lê na perfeição tudo aquilo que sinto e penso...
Um beijo
Que feliz ideia teve a Mª João em colocar este seu soneto numa bela moldura!
ResponderEliminarDe uma assentada, já lhe roubei moldura e soneto!!
Um beijinho grande e feliz domingo de Páscoa.
Olá, Janita!!!
EliminarDeveria ter mencionado que a ideia ... ai que eu não sei se o ChatGPT tem ideias. Bom, seja como for, a iniciativa de colocar o soneto numa moldura não foi minha, foi do ChatGPT.
Cuidado, Janita, que este nosso amiguinho ainda tropeça muito nas palavras... Foi por isso que eu também publiquei o meu original, embora estivesse tão cheia de sono que a nossa querida MEA passou de Encarnação a Hencranação. E ainda me queixo dos erros tipográficos da IA.
Feliz Domingo de Páscoa e um grande beijinho
E fui ver o que era Baobá. Muito belo este poema e que árvore tão interessante visualmente.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Os baobás são árvores enormes, muito belas e muito longevas, L., mas também morrem...
EliminarObrigada e um forte abraço
Parecia dedicado ao Embondeiro
ResponderEliminarBelo e Santo Domingo de Páscoa, beijinhos
Bom dia,
EliminarE é, Anjo, e é! Baobá e embondeiro são nomes diferentes que se aplicam a uma mesma árvore que também dá pelo nome científico de Adansonia em homenagem a Michel Adanson, naturalista e explorador francês que no século XVIII descreveu a espécie africana. Adansonia digitata.
Belo Domingo de Páscoa também para ti.
Beijinhos
Talvez, tal como Cristo
ResponderEliminarMerecia Baobá ressuscitar
Mesmo, querida amiga
Sem tal acontecer
Teu soneto dá-lhe vida
Beijo Pascal
Obrigada, neto meu1
EliminarTalvez haja um pedacinho de mim neste baobá, mas ele é bem mais do que uma velhota grisalha e cansada. Talvez também haja um pedacinho de Jesus no baobá, ou talvez caiba nele o melhor de toda a humanidade....Em última instância, este baobá pode ser a humanidade inteira.
Beijinho Pascal com cravo vermelho
Um inspirado soneto que se lê com imenso agrado, como todos os que a Maria João escreve. Um soneto que é dramático como o baobá. «As árvores morrem de pé», diz o título de uma peça de teatro celebrizada pela grande atriz Palmira Bastos, mas o baobá vive e morre a fazer o pino, ou assim parece, o que lhe confere um dramatismo ainda maior.
ResponderEliminarOs baobás, em Angola chamados embondeiros ou imbondeiros (do quimbundo "mbondo"), são árvores de tronco grosso e rugoso e rama reduzida, que parecem ter a raíz de fora e a copa debaixo da terra. Abunda(va)m nos arredores de Luanda, aos milhares, dominando a paisagem muitos quilómetros em redor. Eu nunca provei, mas diz-se que o seu fruto, chamado múcua, é comestível e até serve para fazer gelados. No interior de Angola, onde eu estive quase sempre, os imbondeiros eram raros ou mesmo inexistentes.
Nunca tive o privilégio de ver um baobá ao vivo, como o Fernando... Apenas vi fotografias desses bons gigantes em revistas e livros e muitas imagens filmadas em documentários. Sei que não é a mesma coisa, mas apesar de nunca ter posto os olhos num deles, desde muito pequenina que os baobás/embondeiros me conquistaram pela sua estranha beleza e majestade...Sabia que o baobá dava fruto, mas não lhe conhecia o nome nem sabia que era comestível. Obrigada.
EliminarUm abraço
A música das palavras com que faz os seus poema, é talvez ou apenas a melodia do silêncio daquilo que não estou tão habituada a ler, mas que leio com todo o meu gosto e empenho. Obrigada minha Amiga Maria João.
ResponderEliminarUma boa semana com muita saúde.
Um beijo.
Muito obrigada.
EliminarCompreendo-a perfeitamente, Graça: li muita poesia metrificada quando era criança, mas também eu me deixei conquistar pela poesia Neorrealista e Modernista durante a puberdade. Só aos 55 anos me reapaixonei pelo soneto e pelas outras formas da poesia metrificada que, como muito bem diz, têm uma musicalidade arrebatadora. e, sim, os silêncios também são muito importantes, tal como os curtos ou longos sussurros das sílabas átonas... Escrever um soneto é como tocar uma peça de música sem falhar uma única nota. Esta é uma analogia que trago sempre presente porque o soneto exige virtuosismo. Não foi por acaso que nascido na Sicília e tendo por pai Jabopo Da Lentini, Dante e Petrarca investiram anos e anos a estudá-lo e a aperfeiçoá-lo até se tornar a mais musical de todas as formas de escrita poética..
Este, porém, tem um formato criado posteriormente ao decassílabo heroico de Dante, Petrarca, Camões, Antero e Florbela... "A Morte do Baobá" é um soneto hendecassilábico com acentuação tónica na quinta e décima primeira sílabas poéticas.
Uma excelente semana para si também
Um beijo
Obrigada minha querida amiga Maria João. Muito obrigada pela sua brilhante lição.
EliminarUm beijo
Ah, Graça, eu é que estive quase a voltar atrás para lhe pedir desculpa por este rebebéu todo que só pode interessar aos sonetistas. Ou nem a eles, porque já o conhecem...
EliminarOutro beijo amigo
Maravilhoso poema.
ResponderEliminarCujas palavras revelam, e de que maneira, um talento poético fora do comum.
Boa semana querida amiga Maria João.
Beijo.
Obrigada pela generosidade das suas palavras, Jaime.
EliminarBoa semana e um beijo