ALICE - Reedição
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Avó Alice e eu
fotografadas por meu pai
*
ALICE
*
Amei-te tanto, tanto, minha avó!
Louvavas-me os “murais” da grande sala
Quando com suave e modulada fala
Me garantias: - “Nunca estarás só,
*
Transbordas vida até chegar ao nó
De quanto em ti se exalta e vibra e estala.”
A doce voz, porém, depressa cala,
Que quem assim me fala há muito é pó...
*
Eras, Alice, a minha avó paterna,
Mais maternal que muitas ternas mães,
E assim que percebi não ser`s eterna
*
A tua voz, a voz que ainda tens,
Doeu-me tanto, que hoje alço a lanterna
E sondo céus e Terra, a ver se vens...
*
Maria João Brito de Sousa
26.07.2018 – 17.59h
***
Fiquei profundamente encantada com a fotografia da avó Alice e da Maria João, a ponto de decidir não analisar o soneto, embora ele seja belo e comovente. Uma avó, creio eu, paterna, que se assemelha muito a si na infância.
ResponderEliminarAs lembranças da minha querida avó materna, de origem espanhola, vêm à tona com ternura. Por outro lado, a minha avó paterna era de uma frieza quase glacial, como um peixe 🐟
Abraço amigo neste fim de domingo.
Sim, Teresa, a avó Alice era a minha avó paterna e mulher do meu avô poeta. A minha avó materna, Maria Augusta, também era muito maternal e carinhosa, mas não tinha tanto tempo para me dispensar, andava sempre de volta dos seus cozinhados e nunca me esquecerei dela nem dos deliciosos petiscos com que me brindava. No entanto, a minha primeira grande dúvida existencial, quando me apercebi da humana mortalidade, foi tremenda por não conseguir saber qual das duas futuras perdas, a da minha mãe ou a da avó Alice, me aterrorizava mais. Alice partiu aos sessenta e um anos, quando eu tinha onze, e chorei-a meses a fio. Foi como se tivesse tido duas mães e a que mais se parecia comigo na serenidade e na paixão pela arte, desaparecesse de um dia para o outro deixando um vazio que nem o meu avô poeta, nem o meu pai, ambos profundamente deprimidos pela morte de Alice, conseguiram preencher.
ResponderEliminarCom Alice morreram também as prolongadas tertúlias político-poéticas na nossa casa. Nada voltou a ser o que era no tempo de Alice.
Abraço amigo e votos de um bom serão
Também a mim emociona muito a fotografia e o poema_ transbordante e indescritível. _ . sondar os céus é um desejo divino. São sensações de história e vínculos que estão presentes , e sabes bem como descreve-las. O que sinto é uma orfandade emocional que não tem nome ,um vazio que não tenho como nomear., quando meu pai se foi. Minha última referencia maternal era o pai. Na verdade sempre tive a sensação de ter crescido sem espelho , sem fotografias para senti-los e lembrar dos avós e da mãe.. O que consola é ter estado também com a neta numa pose parecida e a emoção de ainda poder apertá-la num abraço.
ResponderEliminarObrigada, querida . E uma ótima semana.. fica com meu beijinho e recebo os teus.
Fica bem!
Obrigada pela beleza narrativa das emocionadas palavras que aqui me deixaste, Lis
ResponderEliminarAcredita que senti o que dizes sentir quando a minha avó Alice partiu, apesar de ter um avô e um pai que me compreendiam e uma mãe carinhosa, mas mais interessada em ver-me bonitinha e saudável do que em compreender porque é que eu passava tantas horas a ler, a escrever, a desenhar, a pintar ou a "cocar bichinhos" nas matas, sozinha ou com o meu pai.
Por favor, faz aí uma forcinha pela minha gata Mistral que tem vindo a piorar muito da sua diabetes e que amanhã vai comigo ao hospital veterinário. Eu tento, mas sei que ainda não estou preparada para a dor de perdê-la...
Um beijo
Que bonita homenagem à avó Alice.
ResponderEliminarBoa semana, Maria João.
Um abraço.
Obrigada, Cheia!
ResponderEliminarNunca menti quando, aqui ou ali, afirmei ter tido duas figuras maternas e duas paternas... Como avós, amei muitíssimo os pais da minha mãe, mas a avó Alice e o avô poeta foram por mim amados como figuras parentais.
Boa semana e outro abraço!