RISO E CHORO





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*

RISO E CHORO
*


Digo, de minha justiça,

Que vos não farei queixinhas

De mazelas que são minhas

E com as quais ando à liça

C`uma espada de cortiça

E um sem-fim de outras mezinhas...

Destas coisas comezinhas

Nada digo e deixo omissa,

Numa postura submissa,

A minha dor entrelinhas
*

Devo, contudo, frisar

Que não foi de ânimo leve

Que me calei. Quem se atreve

A vir-me contrariar

Quando algo maior que o mar

Me prendeu e me deteve?

Se esta fuga não foi breve,

Não me posso a mim culpar:

Sem asas, não sei voar

E penas, quem nunca as teve?

*

Sinto-me, porém, tentada

A contar-vos a verdade

E a verdade é que a vontade

Me deixou desamparada,

Sem garra pra escrever nada

Que tivesse qualidade...

Temi que a vulgaridade

Ma tivesse aprisionada

Numa armadilha engendrada

Por perfídia ou por maldade...

*

Mas basta de mentirolas!

Se vos não digo o que sinto,

Minto, minto, minto, minto

E só escrevo coisas tolas!

Já não sou eu, ora bolas!,

Sou o que aos outros consinto...

Encolho-me, aperto o cinto,

E passo a ser uma artolas

Com mais capas que as cebolas,

Mas sem vestígios de instinto!

*

Faço as queixas que entender,

Rindo ou chorando. O que importa

Não é ter a saia torta

Nem a blusa a condizer,

E sim, diga o que disser,

Estar viva e sentir-me morta!

Não ser eu não me conforta

Nem me dá qualquer prazer

Ser o que não quero ser

Se algum mal me bate à porta

*

 

Não calarei dor, nem riso!

Quem me jura ter vivido

Sem ter chorado e ter rido?

Um faz bem, outro é preciso...

De vós, nem o mais conciso

Disso fará desmentido

Que a vida só faz sentido

Porque estes dois, sem aviso,

Dando ganho ou prejuízo,

Muita desgraça hão vencido!

*

Mª João Brito de Sousa

07.10.2025 - 20.00h
***

 

 

     Abraços para todos!

 

 

 

 

Comentários

  1. brancas nuvens negras8 de outubro de 2025 às 00:16

    "Não calar dor nem riso" é assim mesmo. Voltou em grande.
    Gostei de a encontrar de novo.
    As melhoras.
    Domingo é dia de chamada.
    Um abraço.

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  2. Não, não consegui calar dor nem riso, nem tenciono obedecer a quem mo sugerir, L.

    Não sei como escrevi tanto estando no estado de privação de sono em que me encontro, mas fico contente por tê-lo conseguido. Quando voltarei é que não sei, mas farei o possível por reconstruir o meu destruído ciclo circadiano.

    A menos que a senhora da gadanha venha buscar-me, lá estarei no próximo Domingo!

    Outro forte abraço

    ResponderEliminar

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