O TAL VINTE E CINCO

 

 

O TAL VINTE E CINCO
*

 

Aos vinte e cinco foi dia

Quando era de madrugada

E nesse dia a alegria,

Toda a alegria que havia,

Explodiu quando libertada

Aos vinte e cinco chorou-se

Pelo motivo contrário

Ao que o estado novo trouxe:

Aos vinte e cinco cantou-se,

Sonhou-se um poder operário!

Tantos mil, fomos vontade,

Que num grito, um grito só,

Saudámos a liberdade,

Todos em pé de igualdade

E a pisar o mesmo pó

No chão de todas as ruas

Metro a metro percorridas

Por chaimites, por charruas...

E sonhei ou vi faluas

Trocar mar por avenidas?

Aos vinte e cinco, sonhámos,

Aos vinte e cinco sentimos

O sabor do que criámos

E desse dia guardámos

O que hoje não permitimos!

Depois? Depois aprendemos,

Porque, pouquinho a pouquinho,

Percebemos que o que temos

São as coisas que fazemos

Quando ninguém está sozinho

Por isso é que é sempre urgente

Lutar mais, com mais afinco,

Sem deixar de ter presente

Que há sempre quem rosne à gente

Que fez o tal vinte e cinco!
*

 


Maria João Brito de Sousa

***

 

Comentários

  1. Brancas nuvens negras25 de abril de 2026 às 16:52

    Camarada, Amiga, estamos juntos.
    Que VIVA O 25 DE ABRIL PARA SEMPRE.
    Um abraço revolucionário.
    L

    ResponderEliminar
  2. Um poema para ninguém esquecer e seguir na luta .
    Liberdade ! Vivas ao tal 25 ...
    Beijinhos ,Maria João.

    ResponderEliminar
  3. Que nunca mais voltem os tenebrosos tempos do fascismo. 25 de Abril sempre!

    ResponderEliminar
  4. Que poema, avó João
    Li-o
    De fio a pavio
    Como se fosse canção

    Bjito

    ResponderEliminar

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