SONHOS E FILHÓS

 

CASA DO DAFUNDO.jpg

SONHOS & FILHÓS
*

Memórias

e

Singularidades

Da Casa do Dafundo
*


Quão pálida era a lua e longínqua era a voz

Que chamava por nós na esquina dessa rua

Em que o som desagua em rio sem mar nem foz...

Junto de seus avós cresceu ardente e crua
*

 

Quem hoje os perpetua em sonhos e filhós:

Tudo passa veloz, tudo em paixões se estua,

Mas nada desvirtua os que morreram sós,

Fechados como a noz sobre a memória sua
*


O tempo não recua assim tão facilmente,

Nem se rende a semente à mão que à terra a lança,

Que a Vida, como a dança, acaba de repente
*


E quem bailar não tente ou rejeite a mudança,

Enverga a desconfiança, amua descontente

E invariavelmente a esquece enquanto avança.
*

 

                                                              ©Maria João Brito de Sousa

20.10.2021 - 14.30 h
*


Soneto em verso alexandrino com rima entrançada

 

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