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UM CACTO QUE QUIS DAR FOLHAS

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  A UM CACTO QUE DESABROCHOU EM FOLHAS *   Eu tenho um cacto grande e imponente Que há muitos anos vive no meu lar E um destes dias, resolveu mudar E despontou em folhas, de repente.   Este cacto, decerto incoerente, No dia em que o pintei, quis-me mostrar Que todos somos livres de sonhar, Que um sonho tudo pode e nunca mente.   Ensinou-me, este cacto, que pintar Será sempre CRIAR e que é urgente Que se passe a palavra a toda a gente   Que afirma que ninguém pode criar... Quanto a mim, tenho um cacto que é diferente E pinto, ou não, mas crio activamente!       Maria João Brito de Sousa 22.01.2008 - 11.47h   Reformulado a 09.12.2015

MARIA-SEM-CAMISA VI

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    MARIA-SEM-CAMISA VI   Maria-Sem-Camisa não tem medo, Enfrenta adversidades com bravura E, por mais que lhe afirmem ser loucura, Maria parte tarde e volta cedo *   Maria tem a força do rochedo Sob a suave aparência da brandura E embora destemida é sempre pura: Daquilo que sentir não faz segredo *   Ao passar pelas ruas cumprimenta Os bichos, mais depressa do que os donos E abraça-se às palmeiras se o quiser *   O aspecto infantil que então ostenta Irrita e desconcerta alguns patronos Que entenderam fazê-la envelhecer *     Maria João Brito de Sousa - 21.01.2008 - 17.00h .

O GATO

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    O GATO *     Deus tentou um poema... e foi o Gato O melhor que nasceu quando o escrevia Por isso tem o gato uma magia   Que nos fascina, mesmo quando ingrato *   Parece, entre os felinos,  bem pacato,   Mas desde que alcançou autonomia   Tomou, entre os demais, a primazia  E pôs  a bicharada em desacato *     Uns chamaram-lhe deus, outros diabo...   Por uns foi adorado, outros tentaram   Dizimar, por inteiro, a sua raça *   Mas reina, ainda hoje, esse nababo, Sobre as superstições que o renegaram E quando nos conquista, é pela graça. *     Maria João Brito de Sousa-21.012008 - 14.31h  

FIO-DE-PRUMO

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FIO DE PRUMO *   Uma mulher traçada a fio-de-prumo   Vinda dos tempos primevos do Homem-vertical   Dia a dia, percorria o rumo   Que fazia do dia vindouro   Um dia insuportavelmente sempre igual  *     Era de noite que brincava aos fantasmas   E se diluía nos incontáveis ectoplasmas   De almas que foram e das que estão por vir *     Por isso acordava anoitecida   Sem nunca estar segura   De ter acordado   Do lado-de-cá da vida *     Ora sonhava sonhos acordada,   Ora cantava estando adormecida  *     Difícil foi viver multiplicada   Por quem sempre a pedira dividida. *               Maria João Brito de Sousa  - 1990 (?)

POEMAS DE RIMA LIVRE

Quando iniciei este Blog tinha em mente publicar, apenas, sonetos clássicos de dez sílabas métricas. Era a minha homenagem à Poesia, em geral, e ao Soneto, em particular. Parece que não há, mesmo, regra sem excepção... O próximo Post mostrar-vos-á mais um trabalho meu a aguarela e pena e um poema de rima livre que tem, exactamente, o mesmo título do quadro.

O FILHO DO HOMEM

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      110x85cm    PRESÉPIO *      É por dentro de mim que chego a Deus, É por dentro de mim, eu sei-o bem, Que todos os natais vou pelos céus Visitar o Menino de Belém.     Nunca o disse a ninguém, pois há segredos Que devemos guardar dentro de nós E há sempre quem duvide, ou tenha medo, De uma mulher com asas de albatroz,     Mas da estranha viagem, que só faço Se a estrela de Belém me der boleia, Fica o registo, do divino traço:     Nascem raios de luz no meu regaço E há anjos a cantar a noite inteira Ao menino que dorme nos meus braços.  *     Maria João Brito de Sousa - 20.01.2008    

O AMBICIONÁRIO

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 O AMBICIONÁRIO *     É num local distante e muito antigo Mas muito concorrido e visitado Que fica o que antes fora desejado Mas ficou para trás, como castigo *    Tantos lá tentam ir que não consigo Imaginar, sequer, quem foi culpado Das loucas ambições que, no passado, Levaram a criar tão estranho abrigo *    Bem sei que ambicionar não é pecado, Mas poderá correr-se um certo perigo Porque, quando se quis demasiado *   Ter-se-á muito ansiado e, sem cuidado, Tenderá a esquecer-se o inimigo Que é o excessivamente ambicionado. *           Maria João Brito de Sousa - 20.01.2008 - 02.28h