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O POETA E O GATO

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  Não sei se somos bruxos ou poetas... Veneramos a vida em cada ser, Mas temos um fraquinho e tem de haver Um gato em nossas vidas incompletas.   Um gato entre outros tantos, tantos mais, Que será sempre o nosso confidente, Um gato a dar-nos mais que muita gente, A afirmar-nos que somos `speciais.   A pura sedução, o doce enlevo, O prazer de estar vivo e ser quem é, Olhar perscrutador e sempre alerta.   Sei que este amor é puro e até me atrevo A amar o gato em mim, a ter mais fé No amor que me dedica... e sei estar certa!     Maria João Brito de Sousa - 01.04.2008 - 11.16h     Este soneto é especialmente dedicado aos meus amigos EVA e ANTÓNIO CODEÇO  

A CHAVE DE OURO

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  Chave-de-Ouro:   - Eu fecho-te onde o sonho recomeça E volto onde outro sonho, adormecido, Fizer soar um tímido vagido Pr´a resolver o puzzle, peça a peça.   Serei a Chave de Ouro de um soneto, A que encerra o poema e tudo explica, A que o torna soneto, o justifica E por fim lhe dirá que estácompleto.   Soneto:   - Sendo aberto com chave que é de prata, Sigo em harmoniosas, curtas linhas Até que a Chave de Ouro enfim me feche   E, tendo o seu segredo, o que me mata Neste tecer-me assim de rimas minhas, É que onde ela me encerra, o sonho cresce...     Maria João Brito de Sousa - 31.03.2008 - 12.49h   (Reformulado a 10.03.2016)  

EXISTIR NO SISTEMA II

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                 Eu, híbrido, produto inacabado, Farinha-de-segunda em berço de oiro, Sou farelo de um trigo honesto e loiro, Sou cimento de escória... e mal armado,   Mas se um de vós me entende e me quer bem, Em tudo o que fizer porei a alma E, mesmo sendo joio, enfrento, calma, As mais vis coisas que este mundo tem...   Eu, não-importa-o-quê, hei-de ser eu, No fundo da cadeia alimentar A alimentar de mim o sonho alheio,   Mimetizando o Fogo em Prometeu - que Zeus um dia ousou sacrificar... -, Atiçando esta chama no meu seio...     Maria João Brito de Sousa - 30.03.2008 -12.19h .

ARTE?

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Meus amigos, esta imagem, retirada da Net, é a de um cão que um "artista" Porto Riquenho, de nome Guillermo Habacuc Vargas, utilizou numa exposição de "Arte". O animal foi amarrado a uma coluna da Galeria de Arte e ali esteve, sem comer nem beber durante semanas até que a morte o levasse. Esta situação pode parecer um delírio mas foi real. Guillermo Vargas não só foi premiado pela sua "obra" como convidado a participar na próxima "Bienal Centroamericana das Honduras, 2008". Centenas de pessoas assistaram, diaramente, à agonia do animal, sem que, dentre elas, um único ser humano se levantasse e tentasse arrancar o animal da sua agonia. Passou-me pela cabeça ir, na minha Jangada de Imaginário, até às Honduras, mas  fui forçada a concluir que não conseguiria chegar lá viva. Se algum de vós tiver dúvidas acerca desta macabra exposição, introduzam o nome do "artista" e encontrarão numerosos links com as mais diversas descrições sobre algo qu...

ESTE PEQUENO DOM QUE DEUS ME DEU...

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  O dom que Deus me deu é natural, Não precisa de vestes nem roupagens, Dispensa fingimentos, maquilhagens, E exibe uma nudez que é virginal...   Não gosta do Sistema e sofre, às vezes, Com coisas que este mundo valoriza E que vão destruindo o chão que pisa Em guerras de poder e mais revezes   Que a ganância do lucro acende aqui... Depois... ergue-se, ri-se e acredita Que a Paz há-de alcançar o apogeu...   Renova, nesse amor que existe em si, Toda a luz natural que nele habita, Este pequeno dom que Deus me deu...     Maria João Brito de Sousa - 29.03.2008 - 11.56h   A pedido da minha amiga Rosa Silva, Azoriana, com o Alto patrocínio do Grande Arquitecto.

ESTRANHA SORTE...

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  Olhai! Reparai bem... eu sou só "isto"; Uma mulher que um dia foi bonita... Ninguém que olhe de perto `inda acredita Que um dia fosse bela a pel` que visto...   Mas... olhai! Quantos anos, quantas marcas, Quanto cabelo branco... este cigarro Que NÃO QUERO largar, a que me agarro Mesmo num tempo duro e de horas parcas...   Olhai a minha corte: a bicharada! Meus amigos do peito e meus irmãos Que, inteiras, me confiam vida e morte...   Ah, vede a minha face maltratada Por dias que engendraram sonhos vãos... E sou feliz, contudo. Estranha sorte...  :)       Maria João Brito de Sousa - 28.03.2008 - 10.54h (Ontem, no elétrico, a caminho do hospital)

DIÁLOGO (A "SOLO"...)

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  Sobra-me, de mim mesma, um ego e meio, Mil coisas que volitam por aí E neste "transbordar" sinto-me, aqui, Ao comparar-me a vós, "patinho-feio"...   Transposta esta barreira, o que granjeio É a amizade de quem nunca vi Neste "prémio" a que, em tempos, concorri; Desvendar-me em poemas, sem receio...   Sobra-me, em cada abraço, o vosso aplauso, Se mão que me estendeis é sempre amiga E se acende a palavra a arder em mim...   Perdão, se alguns incómodos vos causo; Sois vós quem me alimenta e quem me abriga E é por vós que, afinal, eu escrevo assim...     Maria João Brito de Sousa - 27.03.2008 - 08.16h   (Na estação dos CTT, aguardando a vez da minha senha...)   NOTA - Sei perfeitamente quão mal pode soar este título. Na realidade, um "diálogo a solo" é um perfeito disparate, deveria ter escrito "Monólogo", mas... foi um disparate muitíssimo propositado e intencional... Nesta minha viagem reformulativa até aos meus primeiros sonetos, tenho...