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TEMPOS NENHUNS

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  Quantos tempos nenhuns terão passado? E os séculos dos séculos nascidos? Instantes de universos revestidos De luas e de sóis tão lado a lado…   Dos tempos, nenhum tempo mensurado Revelaria ausências dos sentidos, De prenúncios de vida se, perdidos, Outros tempos tivessem regressado.   Do querer saber nos nascem novos tempos Que aos tempos do passado irão buscar O fio que os traz de lá, desde o começo.   Todo este somatório de momentos Traduz a nossa vida. O que sobrar É apenas um preço. O nosso preço.  Imagem de Sheila Nogueira, retirada da internet.

UM APELO DA SERRA DA ARRÁBIDA

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http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt/47471.html   Foram abandonadas nove vidas Na aridez de uma serra milenar Que é bela mas que não lhes pode dar O consolo da água e da comida...   A Arrábida chorou, sentiu-se ferida Por esses pobres cães que estão sem lar E pede a quem os possa ir ajudar, A quem os cuide, a quem lhes dê guarida:   - Nove seres indefesos, vitimados Por quem um dia amaram com fervor, Ao abandono, sem terem abrigo...   Venham buscá-los, dar-lhes os cuidados Que eles merecem, dar-lhes esse amor Que só lhes pode dar um grande amigo...    NOTA - Este soneto corresponde a uma situação infelizmente bem real. Por favor visitem http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt/  

PESSOAS (Singular e Plural)

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    A primeira pessoa nem sempre é O narrador da história que é narrada; É, por vezes, difr`rente e não há nada Comum entre esses dois, senão a fé.   A segunda pessoa pode até Não ter a ver contigo e, afastada, Limita-se a ser ela, a que é contada, A afastar-se de si pelo seu pé.   A terceira pessoa abrange o mundo! Pode ser qualquer um, não ser ninguém, Ser um mero exercício de ficção…   Exercendo a ficção até confundo Uma qualquer pessoa que lá vem Com as outras que tais que já lá vão…     Imagem retirada da internet   Por favor visitem http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt/ Um pequeno artigo sobre um caso de abandono foi publicado no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/ Obrigada!  

A LUZ QUE VEM DEPOIS

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A LUZ QUE VEM DEPOIS   Sou, a cada manhã, o novo dia; Do meu manto de luz amo e senhor, Trago, em mim, mil promessas de calor, Vislumbrados prenúncios de alegria.   Já decomposto em brilho e harmonia, Vou-vos iluminando. O meu amor É manifestamente redentor Da vossa universal melancolia.   Eu sou, do novo dia, o Sol nascente Que forma e dá cor aos vossos passos, Que dá sentido a tudo o que vós sois.   Venho lá do meu mundo incandescente Para vos dar a benção dos abraços Que antecipam a luz que vem depois *   Maria João Brito de Sousa - Agosto, 2009   Nota - Só agora cheguei do hospital. Se não conseguir responder-vos pessoalmente, considerem estas palavras um agradecimento pelos vossos votos de melhoras. As transaminases baixaram, mas terei de voltar na 4ª Feira. Um bom fim-de-semana para todos vós!

AS MÃOS DO VELHO POETA

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          Nessas mãos intocadas, intocáveis, Retalhadas por longos sulcos fundos, Desenham-se as promessas de mil mundos Sobre a ausência de afectos mais duráveis.   Há medos, nessas mãos, há insondáveis Abismos que prometem ser profundos, Segredos dos mais duros, mas fecundos Projectos, ambições, sonhos prováveis...   São essas mesmas mãos, assim magoadas, Tão cobertas de rugas e memórias, De tudo tão vazias, `stando cheias,   Que se erguerão, embora decepadas, Para se revelarem nas mil glórias Das mais surpreendentes epopeias…         Maria João Brito de Sousa, 2.08.2009 - 14.08h   (reformulado - Setembro, 2016)   Imagem retirada da internet

O REALIZADOR

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Olha o comboio-das-desilusões! Vai agora a passar à nossa porta… Pode descarrilar… a linha é torta E as carruagens vão aos abanões…   É desastre eminente! As aflições Daquela pobre gente meia-morta! Não gosto dessa imagem! Corta! Corta! É melhor esvaziar já os vagões!   Vai filmando o comboio-de-ideais Que passou mesmo agora e não parou. Olha! Não estás a ver? Ali ao fundo…   Mas, se ainda o não vês… não filmes mais! O primeiro `inda não descarrilou Nas retorcidas linhas deste mundo…     Imagem retirada da internet

A ZANGADINHA

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        A ZANGADINHA   (Sonetozito de meia tigela)   Eu hoje estou zangada c`os poemas! Pudera! Estou com tal dor de cabeça Que não sei onde acaba, nem começa, A causa bem real dos meus problemas!   Por hoje nada faço, ou faço apenas Uma coisa qualquer moldada à pressa, E ainda que nenhum de vós mo peça, Dir-vos-ei que não estou pra ir em cenas,   Porque hoje estou zangada! Tão zangada Que já não me apetece fazer nada, Que fiquei sem qualquer inspiração,   Que grito e barafusto e, já cansada, Pergunto-me;  estou mesmo amargurada, Ou estou apenas sem disposição?     Maria João Brito de Sousa - 24.08.2009     NOTA – Apeteceu-me brincar com as palavras. Dói-me, com efeito, a cabeça, mas ainda não perdi a disposição nem a inspiração. “O poeta é um fingidor…”