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NÃO HÁ FIM PARA O SONHO, NÃO HÁ FIM...

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  NÃO HÁ FIM PARA O SONHO, NÃO HÁ FIM... *   Não há, neste planeta, mar nem céu, Estrada longa demais, alta montanha, Ponte suspensa sobre um medo teu Que te trave esse sonho e, coisa estranha, * Um pouco desse sonho é também meu, Um nada dessa chama em mim se entranha E aonde chegar, chegarei eu, Pois nisto ninguém perde, só se ganha * Não há fim para um sonho construído, Nem haverá lugar para o vencido Num sonho desta forma partilhado *   Se, quando te pareça estar no fim, Vês que mal começou dentro de mim E que outros vão nascendo a nosso lado. *     Maria João Brito de Sousa – 02.05.2018 – 12.54h     Imagem - Geoglifo de Nazca          

OUTRO POEMA QUE NÃO É SONETO

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   NA TRINCHEIRA QUINDETO Escreve-se a morno. Apático e sem garra, Como quem cumpre as penas de um castigo Que o arrancasse à mais mundana farra Para enterrá-lo num sombrio abrigo Do qual não gosta, mas ao qual se amarra     Para fugir, escapar-se ao estranho p`rigo Que o chama, que o persegue e quase agarra, Porquanto não desiste, o inimigo, Esse (des)conhecido em que hoje escarra.   Escreve como quem cava a própria cova, Mas não deixa de dar a estranha nova Como se de outra festa se tratasse.   Ergue a trincheira e dela faz rotina Mas, vez por outra, falha e desafina.   Nada sei de outra sina que sonhasse.       Maria João Brito de Sousa – 30.04.2018 – 15.41h  

UM POEMA QUE NÃO É UM SONETO

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  MOAXAHA Eis o meu fruto. Foi este e só este O que te alimentou enquanto o leste. Poderá ser-te doce ao paladar Ou, ao contrário, pode-te amargar, Mas certa estou que te há-de alimentar Ainda que a acidez o torne agreste. Alimentou-te, e bem, quando o mordeste! Outros não posso dar-te, que os não tenho; Só estes brotam deste velho lenho Que embora frágil, tortuoso e estranho, Te fará recordar o que esqueceste, Se acaso te esqueceres de que os comeste. "Pelos seus frutos os conhecereis" *Citando a Bíblia – Novo Testamento - Mateus 12:33 Maria João Brito de Sousa – 29.04.2018 - 23.28h     Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia

MÃO(S) II

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  MÃO(S) II A mão que molda o barro, ao barro torna Pra que não falte barro às mãos por vir, Pra que haja novas mãos a ressurgir, Pra que varie o barro, ao tomar forma. Abençoada a mão que foge à norma E se recusa ao gesto de oprimir; Abençoada a mão que resistir Moldando o mesmo barro a que retorna. Olho esta minha mão. A tua. A nossa. Sei que há-de fazer tudo quanto possa Pra que outras sobrevenham depois dela. À minha mão velhinha, em tempos moça, Já o tempo a descarna e a desossa Sobre um barro que a fez menina e bela. Maria João Brito de Sousa – 26.04.2018 – 15.02h  

QUASE, QUASE, QUASE...

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QUASE, QUASE, QUASE... *  Quase, quase, quase... que ninguém se atrase Na primeira fase desta caminhada, Porque é longa a estrada, fica longe a base E, caso se arrase, não serve pra nada * Quase na chegada, quase, quase, quase, No perfeito envase da planta regada, Força nessa enxada, ninguém se desfase Que está mesmo quase, a nossa empreitada *   E, neste momento, está quase cumprida Esta nova vida que se solta ao vento Se inda sobra alento, depois da corrida * Porque repartida, tentas como eu tento E para o mais lento tem de haver saída: Amem quanto é vida, cumpram-se em talento! * Maria João Brito de Sousa – 22.04.2018 – 10.28h * À MEA e a todos os poetas. Aos sonetistas. A Abril. À VIDA. Escrito a correr porque estou de saída. Peço desculpa pelos eventuais erros métricos, sintáticos e/ou morfológicos.  

A TODOS OS CRAVOS DE ABRIL QUE ESTÃO POR VIR

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  Quase a vinte e dois, espero o vinte e cinco. Espero com afinco que venha depois. Quanto mais me dóis, menos rio, mas brinco; A porta, no trinco, a canga sobre os bois, Sejamos heróis! Eu já pouco trinco E caibo num vinco de quanto constróis, Tu, que o trigo móis e que suas a pingo. Eu, sei que não vingo. Tu, ages por dois. Estou velha e doente. Tu trabalhador, Jovem produtor, seguirás sempre em frente, Que ele há muita gente dando o seu melhor. Também o pior hás-de ver. Sê prudente, Que ao mundo, demente, sobra engano e dor E eu já sei de cor que nada é transparente. Maria João Brito de Sousa – 21.04.2018 – 12.57h  

O FEITIÇO DA ÁGUA

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    O FEITIÇO DA ÁGUA     Cobriste-me de dogmas e de ideias, Ingénuas, umas, outras, consistentes. Conheces as razões por que as semeias E a ti te contradizes, se as desmentes.   À luz, porque a procuras com candeias? Às trevas, se as houver, por que as consentes? Nas malhas que teceste, por que enleias Fios que eu desenredei usando pentes?   Vens cobrir-me de um pó viscoso e espesso, Mas a minha vontade não tem preço E bem me basta o pó de cada dia.   Leva contigo o visco que te sobra, Que eu não sirvo de pau pra toda a obra. Antes serei maré. Mesmo vazia.           Maria João Brito de Sousa – 19.04.2018 – 14.07h       Imagem retirada da net, via Google