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TUDO POR TUDO, BRASIL!

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  TUDO POR TUDO, BRASIL! * Desconstruo um soneto. A Lucidez torce-que-torce pelo povo irmão que vai às urnas declarar porquês, que vai às urnas, pela salvação. * Quem não se importa de ir usando arnês jamais irá votar na contra-mão, mas quem se importa votará, talvez, no lado em que lhe pulsa o coração... *     E vota povo, vota, que não basta cuspir na violência que te arrasta prá dependência dos donos do mundo * E luta, rosna, morde a mão que prende, que a tua vida só de ti depende se a barca naufragar e for ao fundo! * Maria João Brito de Sousa – 07.10.2018 – 14.15h      

SEGREDO(S)

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  SEGREDO(S) * Passa um Segredo. O Mundo, em suspensão, pára pró ver passar. Tudo parou, mas o segredo nada revelou, ou não lhe fora grata a condição... * Segredo pede mesmo é contenção; só pode usar o nome que ganhou se pra manter secreto o que guardou jamais ousar cair na tentação * De revelar-se todo, abrindo mão daquilo que lhe deram por missão, ou daquilo que alguém lhe confessou. * Era mais um segredo. Já passou! Calou o que guardava e foi em vão que o Mundo lhe prestou tanta atenção. * Maria João Brito de Sousa -07.10.2018 – 09.17h       Imagem assinada, retirada da net via Google  

OUTONO(S)

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  OUTONO(S) *       Dobrado sobre si, colhe uma flor... Colhe depois mais outra e outra ainda enquanto às folhas, uma a uma, alinda com tons que fazem jus à sua cor; *     Ao verde-vivo, doira em seu redor num ciclo que não pára, que não finda de honrar uma Estação sempre bem-vinda que abre a porta ao Inverno e ao rigor... *     Então, mergulha a terra em fundo sono ao deixá-la cinzenta, enregelada, Assim que se retire o suave Outono, *     Mas, por detrás do gelo e da geada que parecem votá-la ao abandono, já nova Primavera aguarda, ousada. *       Maria João Brito de Sousa – 05.10.2018 – 12.11h  

DOBRAR O BOJADOR

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  DOBRAR O BOJADOR * Sonhei que ontem dobrava o Bojador. Que bojador dobrei se em todo o lado o encontrei mais forte e refinado nas formas de causar-nos medo e dor? * Em sonhos o cruzei, navegador de um velho mar, de um mar já navegado, pela barca dos sonhos engendrado com remos, com velames, com motor. * Naufrágios, sempre os houve e no temor, porque abundavam vagas e rochedos, embati contra o velho Adamastor * Quando fugia dos meus próprios medos... Acordei. Toda eu era suor mas, ao monstro, roubei-lhe estes segredos. * Maria João Brito de Sousa – 04.10.2018 – 09.29h  

AMAR A PALAVRA

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  AMAR A PALAVRA * Hoje, amanhã, depois... conceitos vagos no marulhar de um mundo que não pára de dar-nos quanto o tempo nem repara que colhe em flor, mas abandona em estragos * E à sorte de caminhos aziagos onde a memória, cada vez mais rara, espelhou, na falta de uma visão clara, reflexos tremulantes, como em lagos. * Sonha-se ainda, neste fim-de-rumo que a quase todos nós nos vai cabendo, que pode um fruto velho inda dar sumo... * Esprema-se, então, embora bem sabendo que amanhã ou depois... (assim me assumo amante da palavra a que me prendo) * Maria João Brito de Sousa – 03.10.2018 – 16.06h     Imagem retirada do Google, sem autoria visível  

"LA VITA È BELLA"

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  “LA VITA È BELLA” * Não olho para o Sol, quando se deita, Antes observo a flor que vai fechando e a ave que de pronto sai voando para a ramada que essa flor enfeita. * Não olho para o Sol, a estrela eleita que me fere o olhar, me vai cegando... Apenas olho a Lua que, brilhando, fornece a luz que o meu olhar aceita. * Mas quando o Sol renasce e eu desperto, mesmo que esteja o céu todo encoberto ou brilhe a Lua, ainda não rendida, * Renasce em mim o brilho a que me furto e o dia, sendo longo, é sempre curto para provar-vos quanto é bela, a vida. * Maria João Brito de Sousa – 02.10.1018 – 12.28h  

AMBIGUIDADES

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  AMBIGUIDADES * Enredam-se as palavras nos conceitos e os assuntos divergem fatalmente, mostrando-se, contudo, satisfeitos, julgando convergir, seguindo em frente. *   Uns, serão latos, outros, muito estreitos, e assim se desencontram na tangente daquilo que diriam se, perfeitos, não formassem conjunto ambivalente. *   Se idênticos, à vista desarmada, à lupa, são iguais só de fachada, e abrigam situações muito diversas *   Que engendram verdadeiros labirintos... Quem os verá ambíguos e distintos, depois de inocentados nas conversas? *   Maria João Brito de Sousa – 01.10.2018 – 13.04h