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NÓS, HUMANOS

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NÓS, HUMANOS *     Grandes sobressaltos nos correm nas veias; Sonhamos sereias e banquetes lautos, Nós mesmos, arautos de burgos, de aldeias, Tecemos as teias, redigimos autos, *     Vencemos socalcos, plantamos ideias, Calcamos areias, subimos planaltos E, ainda que incautos, enchemos plateias De luz, sem candeias; de espantos, sem faustos. *     Por aqui, criando, ali, destruindo, Umas vezes rindo e outras chorando, Todos nós tentando, quase conseguindo, *     Tocar cada infindo que vamos sonhando; Nós, humano bando. Nós, evoluindo, Nós, quase assumindo que estamos criando. *       Maria João Brito de Sousa – 02.12.2018 – 13.42h Imagem retirada  daqui

O DÉCIMO ANIVERSÁRIO DO "MONTANHAS"

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Por aqui, se  faz favor.    

ATÉ SEMPRE!

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ATÉ SEMPRE! * Mortinhos andamos por saber das vidas E lutas renhidas de servos e de amos, Mas pouco ganhamos quando desmentidas Ou mal repartidas nos diversos ramos, * Se as consideramos noções adquiridas; Das coisas ouvidas, tudo partilhamos E nem duvidamos. Se estão garantidas, Quão mais repartidas, mais nos fascinamos. * Mas, hoje sem musa, que a musa fugiu, Lembro Bento, o tio, e fico confusa... A musa em recusa, pois Bento partiu * Concede-me um fio da malha inconclusa Que em nada se acusa, mas faz um desvio; Faz frio, tanto frio, que este “adeus” se me escusa. * Maria João Brito de Sousa – 30.11.2018 – 11.26h * Em singela homenagem ao poeta Bento Tiago Laneiro, mais conhecido por “tio Bento”, ontem falecido. Até sempre, tio Bento!       Imagem retirada  daqui       Aqui , em Oeiras, na pastelaria Paris, há cerca de nove anos.   Da esquerda para a direita, Landa Machado, eu, Vitor Castanheira, Dulce Saldanha e Bento Tiago Laneiro (tio Bento)   Fotografia gentilmente cedida por Lan...

GRATIDÃO

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GRATIDÃO * Estou grata à vida e grata aos homens justos Que lutam pra que a vida justa seja, Mas sei que um ideal tem grandes custos Para quem lute e para quem proteja, * À custa de cansaços e de sustos, Os ideais que em consciência eleja Inda que surjam espinhos muito adustos Na vida de quem luta e não corteja * A corja que envilece o nosso mundo, A vã glória dos sacos sem ter fundo E a perfídia dos grandes lambe-botas. * Estou grata, sim, aos homens e mulheres Que enfrentam as mentiras dos poderes E sempre vencem, mesmo nas derrotas. * Maria João Brito de Sousa – 29.11.2019 Portugal Nota – Em resposta ao belíssimo soneto homónimo de Raymundo Salles, Brasil.     imagem retirada  daqui

A VERDADEIRA TIRANIA DO "GOSTO"

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A VERDADEIRA TIRANIA DO “GOSTO” * “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”,* Muda-se a velha coisa em coisa nova E, reparando bem, tudo comprova Que há vidas que se trocam por saudades. * Transmutam-se as mentiras em verdades Que muito poucos podem pôr à prova E alugam-se os bilhetes para a cova Segundo as modas e publicidades. * Mas caso assento houvesse ao qual subir E abismo ao qual descer, do lado oposto, Jamais o novo se faria ouvir, * Nunca a uva daria senão mosto E ninguém poderia evoluir Senão na mira de ter mais um gosto. * Maria João Brito de Sousa – 28.11.2018 – 13.55h * *Verso inicial de Luís Vaz de Camões   Imagem retirada  daqui

SEM LÁGRIMAS

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SEM LÁGRIMAS *     Sem lágrimas te deixo, que eu não choro! Há quanto, quanto tempo se esgotaram as abundantes gotas que deploro nos inocentes olhos que as choraram? *     Mas se te olho melhor, se me demoro no lago em que os teus olhos se espelharam, não juro que com eles não faça coro lançando-me nas águas que o formaram. *     Não, não te sei dizer qual a razão desta minha assumida obstinação em não chorar por mim. Por dor alheia, *     Por essa, choro sempre! Para dentro... Sem lágrimas, acendo o fogo lento de um mar que esteja sempre em maré-cheia. *       Maria João Brito de Sousa – 26.11.2018 – 14.30h  

SERVIDO EM PEQUENAS DOSES

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SERVIDO EM PEQUENAS DOSES *     Por cada verso, um beijo, um boca-a-boca, que sinto se esse verso me cativa e de senti-lo assim ninguém me priva, porque o beijo me of`rece um beijo em troca. *     Se pouco harmonioso, mal me toca; naufraga à beira-ouvido ou segue à deriva... Ninguém espere que pare ou que conviva com verso errante que em nada se foca. *     Vasos comunicantes, simbioses, raízes, ramos, frutos requintados... Em tudo se transmutam nossas vozes *     Assim que geram versos musicados que só servidos em pequenas doses por todos devem ser saboreados. *       Maria João Brito de Sousa - 26.11.2018 – 13.08h   Imagem - "O Beijo" - Gustav Klimt