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EMBONDEIROS

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EMBONDEIROS * Parecem-me dedos, estes ramos vivos Saídos de mãos que se erguem expectantes E encimam pulsos/troncos criativos Que tudo condensam no espaço de instantes. * Sim, semelham dedos mas nunca cativos Porque porta-vozes de seres verdejantes Que vivem milénios, serenos, altivos, Pouco se afastando do que foram dantes. * Sempre que vos olho, humildes/soberbos, Assumo a cadência da ausência de verbos, Também emudeço ante a vossa grandeza, * E vós, tão mais sábios do que isto que sou, Falais sem palavras do mundo em que estou, Dos grandes caprichos da mãe natureza. * Maria João Brito de Sousa – 15.08.2019 – 11.50h     NOTA - Soneto hendecassilábico criado para  um desafio poético no site  HORIZONTES DA POESIA (ligeiramente modificado)   Imagem retirada  daqui

DO NADA QUE TENHO AO POUCO QUE SOU

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  DO NADA QUE TENHO AO POUCO QUE SOU *   “Perdi a esperança, perdi a vontade”... Tudo, na verdade, perdi da abastança Vinda da bonança após a tempestade. Mas tudo se evade que a vida é mudança   * E a ponta da lança é de ferro e saudade... Mas urdi-me em jade, com perseverança. Desfiz-me da trança, gritei; Liberdade!, Da trivialidade moldei a pujança. *   Pouco me sobrando, por dentro me sondo E vou recompondo do duro, o mais brando, Até não sei quando, num gesto redondo,   * Janelas que rondo, assim me franqueando Se sigo teimando, tal qual marimbondo* Zumbindo e compondo, juntar-me ao meu bando. *     Maria João Brito de Sousa – 01.08.2019 – 10.03h *     NOTA – O primeiro verso é da autoria de MEA no seu soneto DO POUCO QUE QUERO, QUASE NADA TENHO   * Marimbondo (do kimbundo, Angola) – Vespa, vespão              

EM CONTRA-MÃO

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  EM CONTRA-MÃO   Também amei demais, se é que isso existe... Mas, se isso existe, então amei demais; Amei como quem prova e não resiste, Amei como um mortal ama imortais.   Amei-te na alegria. Amei-te triste. Amei-te sempre em doses desiguais Que fui servindo enquanto as não puniste Com desculpas, nem com condicionais.   Amei-te sempre até que desististe De reparar nuns tantos ideais Que pra ti preparei, mas que nem viste.   Amei-te em silenciosos rituais Duma eloquência que me não pediste, Flagrante, em contra-mão, cega aos sinais.       Maria João Brito de Sousa – 04.07.2018-14.33h     Na sequência da leitura do soneto “Amei Demais”, de Joaquim Pessoa.    

EU, GATO COM GUIZO

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EU, GATO COM GUISO *   Corro, corro, corro... mesmo não correndo. Varro, limpo e estendo sem pedir socorro E disto me morro, já que assim me ofendo De pouco ir fazendo no tanto que corro   *   Dez metros percorro e já estão doendo Do esforço tremendo, artérias que aforro Para que num jorro me não vão perdendo, Como depreendo enquanto discorro. *   Do que era preciso, pouco ou nada fiz: É certo que o quis, mas... mal me organizo Com rigor, com siso, logo me desdiz *   Um feito infeliz!, e eu, gato com guizo, Confuso, indeciso, vivo por um triz, Erguendo o nariz contra o prejuízo.   *   Maria João Brito de Sousa   25.07.2019 – 13.36h     Imagem Pinterest

SOMBRAS E CAMUFLAGENS

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SOMBRAS E CAMUFLAGENS   * Do que deixar por erros poluído, Farei sempre triagem rigorosa, Revendo o conteúdo e o sentido De cada verso ou cada frase em prosa,   * Não vá passar-me, assim, despercebido, O espinho traiçoeiro, em vez da rosa... Mas sempre escapa algum, meio escondido Em frase de aparência mais viçosa. *   Disso não tendo culpa, culpa tenho De me não desculpar se vos arranho Com espinhos que escaparam sem que os visse,   *   Mas são meu olhos sombras dos de antanho Que viam erros do menor tamanho Que alguém, sem dar por isso, produzisse.   *     Maria João Brito de Sousa – 16.07.2019 – 11.15h   Imagem retirada   daqui

BOLAS DE SABÃO

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BOLAS DE SABÃO *     São tão lábeis, as bolas de sabão Quanto os meninos são, sem o saber; Elas, rebentam por qualquer razão, Eles, não param de as fazer nascer *   E embora as coisas sejam como são - nem sempre fáceis de compreender -, Para os meninos só a diversão Os impele a correr, correr, correr,   * Atrás de bolas que rebentarão Ao simples toque dessa mesma mão Que se esmerara para as conceber   * E, desta feita, a gratificação Reduz o feito à estranha dimensão Da qual mais colhe quem menos colher.   *   Maria João Brito de Sousa – 10.07.2019 -22.09h   *   NOTA - Soneto criado para um Desafio Poético no site HORIZONTES DA POESIA

ASSIM QUE ROMPA A AURORA

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ASSIM QUE ROMPA A AURORA   *   Cansada de adular moda e pessoas, Despojas-te de véus, quedas-te nua; Tão pronto te rebelas quanto voas Além da Terra e muito além da Lua.   * Bendito seja o som no qual ecoas, Abençoada a voz que, sendo tua, For abalando as mil de que destoas Enquanto sobrevoas cada rua, *   Porquanto nesse vôo te revelas Capaz de confrontar-te com janelas Com mais vista pra dentro que pra fora *   E de onde a prepotente tirania Te algeme à sua eterna miopia, Escapar-te-ás assim que rompa a aurora! *   Maria João Brito de Sousa – 12.07.2019 – 09.19h       Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia