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DO PULSAR DESTE MOMENTO

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JÁ NÃO HÁ SETEMBRO QUE ME ENCANTE...

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  JÁ NÃO HÁ SETEMBRO QUE ME ENCANTE   * Não, já não há Setembro que me encante. Ele é prenúncio de outro longo inverno Que a experiência de vida me garante Não ser amável, nem gentil, nem terno. *   Passa Setembro - e passa num instante...- Para que jogue Outubro o jogo eterno Do beijo frio que entrega de rompante E ao qual temo bem mais que ao próprio inferno. *   Bem sei! Bem sei que o ciclo é natural, Por isso nem sequer o levo a mal, Apenas me limito a ser sincera. *   Se afirmo que este mês me não fascina É porque estou tão frágil, tão franzina, Que temo pela vida. E fico à espera. *     Maria João Brito de Sousa – 03.09.2019 – 11.00h   Imagem retirada  daqui

EMBONDEIROS

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EMBONDEIROS * Parecem-me dedos, estes ramos vivos Saídos de mãos que se erguem expectantes E encimam pulsos/troncos criativos Que tudo condensam no espaço de instantes. * Sim, semelham dedos mas nunca cativos Porque porta-vozes de seres verdejantes Que vivem milénios, serenos, altivos, Pouco se afastando do que foram dantes. * Sempre que vos olho, humildes/soberbos, Assumo a cadência da ausência de verbos, Também emudeço ante a vossa grandeza, * E vós, tão mais sábios do que isto que sou, Falais sem palavras do mundo em que estou, Dos grandes caprichos da mãe natureza. * Maria João Brito de Sousa – 15.08.2019 – 11.50h     NOTA - Soneto hendecassilábico criado para  um desafio poético no site  HORIZONTES DA POESIA (ligeiramente modificado)   Imagem retirada  daqui

DO NADA QUE TENHO AO POUCO QUE SOU

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  DO NADA QUE TENHO AO POUCO QUE SOU *   “Perdi a esperança, perdi a vontade”... Tudo, na verdade, perdi da abastança Vinda da bonança após a tempestade. Mas tudo se evade que a vida é mudança   * E a ponta da lança é de ferro e saudade... Mas urdi-me em jade, com perseverança. Desfiz-me da trança, gritei; Liberdade!, Da trivialidade moldei a pujança. *   Pouco me sobrando, por dentro me sondo E vou recompondo do duro, o mais brando, Até não sei quando, num gesto redondo,   * Janelas que rondo, assim me franqueando Se sigo teimando, tal qual marimbondo* Zumbindo e compondo, juntar-me ao meu bando. *     Maria João Brito de Sousa – 01.08.2019 – 10.03h *     NOTA – O primeiro verso é da autoria de MEA no seu soneto DO POUCO QUE QUERO, QUASE NADA TENHO   * Marimbondo (do kimbundo, Angola) – Vespa, vespão              

EM CONTRA-MÃO

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  EM CONTRA-MÃO   Também amei demais, se é que isso existe... Mas, se isso existe, então amei demais; Amei como quem prova e não resiste, Amei como um mortal ama imortais.   Amei-te na alegria. Amei-te triste. Amei-te sempre em doses desiguais Que fui servindo enquanto as não puniste Com desculpas, nem com condicionais.   Amei-te sempre até que desististe De reparar nuns tantos ideais Que pra ti preparei, mas que nem viste.   Amei-te em silenciosos rituais Duma eloquência que me não pediste, Flagrante, em contra-mão, cega aos sinais.       Maria João Brito de Sousa – 04.07.2018-14.33h     Na sequência da leitura do soneto “Amei Demais”, de Joaquim Pessoa.    

EU, GATO COM GUIZO

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EU, GATO COM GUISO *   Corro, corro, corro... mesmo não correndo. Varro, limpo e estendo sem pedir socorro E disto me morro, já que assim me ofendo De pouco ir fazendo no tanto que corro   *   Dez metros percorro e já estão doendo Do esforço tremendo, artérias que aforro Para que num jorro me não vão perdendo, Como depreendo enquanto discorro. *   Do que era preciso, pouco ou nada fiz: É certo que o quis, mas... mal me organizo Com rigor, com siso, logo me desdiz *   Um feito infeliz!, e eu, gato com guizo, Confuso, indeciso, vivo por um triz, Erguendo o nariz contra o prejuízo.   *   Maria João Brito de Sousa   25.07.2019 – 13.36h     Imagem Pinterest

SOMBRAS E CAMUFLAGENS

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SOMBRAS E CAMUFLAGENS   * Do que deixar por erros poluído, Farei sempre triagem rigorosa, Revendo o conteúdo e o sentido De cada verso ou cada frase em prosa,   * Não vá passar-me, assim, despercebido, O espinho traiçoeiro, em vez da rosa... Mas sempre escapa algum, meio escondido Em frase de aparência mais viçosa. *   Disso não tendo culpa, culpa tenho De me não desculpar se vos arranho Com espinhos que escaparam sem que os visse,   *   Mas são meu olhos sombras dos de antanho Que viam erros do menor tamanho Que alguém, sem dar por isso, produzisse.   *     Maria João Brito de Sousa – 16.07.2019 – 11.15h   Imagem retirada   daqui