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NINGUÉM CORTA A RAIZ AO PENSAMENTO

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NADA CORTA A RAIZ AO PENSAMENTO *   "E se for amanhã, não será tarde" Que o homem novo não é apressado, Nem costuma fazer o grande alarde Que faz um homem menos assisado... * A chama inda em nós freme, inda em nós arde, E esse amanhã constrói-se lado a lado! Sejam bem vindos, valente e cobarde, Ao mundo que tivermos conquistado! * Aos muitos que tombaram, honraremos Nos hinos e poemas que criemos Durante os tempos de confinamento * Porque afinal é certo e está provado Que jamais houve espada, nem machado Que cortasse "a raiz ao pensamento"! * Maria João Brito de Sousa - 06.04.2020 - 11.40h   * Mais um soneto-resposta a um poema-comentário de Rogério V. Pereira.

CIDADE ENTRE MURALHAS

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 CIDADE ENTRE MURALHAS *   Está vazia, a cidade entre muralhas... Vestindo um pálio verde acinzentado, Espelha agora reflexos e migalhas Do que era humano, urbano e povoado. *   Há silêncios brotando destas malhas Pelo homem tecidas no passado; Hoje, nem um sinal de humanas falhas Contraria o vazio aqui estampado. *   Suspensa, a vida humana mal murmura, Mas permanece a esp`rança. Essa perdura No sonho que entre muros se encerrou. *   Quem sabe quando chega esse amanhã Que há-de trazer consigo a vida sã Que todo o homem são sempre sonhou?   *   Maria João Brito de Sousa – 05.04.2020 – 19.28h   *   Soneto criado ontem para o desafio “Imagem/Poema” do site Horizontes da Poesia. (muito ligeiramente reformulado)

AGUARDO A MÚSICA DE UM VERSO

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AGUARDO A MÚSICA DE UM VERSO *   Garanto que jamais procuro um tema; É um verso qualquer que, de repente, Se aproxima de mim, me vem à mente, Mesmo antes que eu pensasse num poema. * Depois, o tema surge e, sem problema, Vai-se desenvolvendo qual semente Que brota de uma terra que a consente E a aceita sem cuidar de mote ou lema. * Estou sempre atenta ao som de cada frase Que elaboro ao pensar. Até à crase Presto toda a atenção. Estou sempre à espera * Da toada inerente ao verso incerto, Que não sei se está longe ou se está perto, Que nem sei se vem mesmo ou se é quimera.   *   Maria João Brito de Sousa – 04.04.2020 – 17.00h   * Soneto-resposta ao soneto "TEMA" enviado pelo poeta Raymundo Salles, Brasil  

ASSIM NASCE UM FADO

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 ASSIM NASCE UM FADO *   (Sonetilho) *   Há sempre um grito adiado Na voz de um homem qualquer, Bem como na da mulher Que um grito abafa a seu lado. * Quem dera poder saber Qual o teria soltado Se ambos pudessem escolher O momento adequado * Para o soltar sem correr Um risco tão arriscado... Calá-lo é, porém, morrer, *   Porque um grito, se abafado, De magoado, há-de irromper... E é assim que nasce um fado!       * Maria João Brito de Sousa- 02.04.2020 – 16.00h   *    FADO - Paula Rego

É DA VIDA (IN)TANGÍVEL QUE TE FALO

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É DA VIDA (IN)TANGÍVEL QUE TE FALO *   Eu falo-te das forças e fraquezas Que sempre tive ensejo de sondar Nas almas proletárias e burguesas Com as quais me calhou poder lidar. * Falo das alegrias, das tristezas, Do amor, do espanto e deste imenso mar Que nos encheu de glória e de riquezas Noutros tempos que o tempo fez passar. *   É dos homens que falo. E é da vida (a minha musa amada, a preferida) Que vão nascendo os versos que te envio. * Falo do equilíbrio entre a razão E este meu compulsivo coração Que pulsa preso à vida por um fio. *   Maria João Brito de Sousa – 03.04.2020 – 10.43h

UM MOMENTO DE PESSIMISMO... OU TALVEZ NÃO.

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UM INSTANTE DE MAGIA

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