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"A MENTE GUARDA SEGREDOS"

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TRISTE

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TRISTE * Estou triste e sou palmeira degolada sou ave derrubada em pleno voo, palavra em que tropeço e me magoo por sabê-la indefesa e maltratada... * Tão triste! Às vezes fico tão magoada que nem sei s`inda sou, se só destoo dos “grandes”, na pobreza em que me roo e em que, inteira, me vejo mergulhada * Mas, na mesma palavra em que me doo, me espelho, me confundo e sei que soo conforme soa a coisa inacabada, * Sou verso e, nesse verso, o verbo arpoo; mais triste ou menos triste, ainda ecoo inda que melhor fora estar calada. * Maria João Brito de Sousa – 02.04.2015 – 17.54 *   Eu, fotgrafada por Carlos Ricardo - 2014

"LUXO(S)"

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"LUXO(S)" * Vestiu-se de veludo e, aos cabelos Cruzados por riachos prateados Prendeu dois ganchos lassos, muito usados, Cobertos de pontinhos amarelos... * Meteu os pés inchados nuns chinelos Baratos, duros, gastos e cambados; Deixaram-lhe os dois pés muito apertados, Mas já nem se importou... sorte era tê-los! * Sobre os ombros lançou velha mantilha De cor incerta, incerta na textura Como o vão sendo as coisas já sem cura * Que viajaram mundos na partilha, Mas que o vão desmentindo na postura Porque, no mundo dela, são fartura... *   Maria João Brito de Sousa - Março, 2016 * In A CEIA DO POETA, (inédito)

"M" de MULHER

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“M” de MULHER * Mordaz, mordisco o M de mulher, Magnânimo, magnífico (i)mortal... Mágico ou mitológico morder. Modesta me (e)molduro marginal * Menos mastigo o M de morrer, Mórbido mártir (i)memorial. Manto. Monotonia. Maldizer. Mistério. Maldição. Medieval. * Mede, menina, as miras de (a)manhã, Modifica a moléstia mais malsã. Mirífica matriz do (i)mponderável, * Ministra o ministério e molda mais; Mostra as morenas mãos monumentais Medindo, maternais, o (i)mensurável! * Maria João Brito de Sousa – 06.09.2018 – 17.22h * (Soneto ligeiramente modificado em 11.04.2021) * Tela de Pablo Picasso

ESTA VELHA MENINA

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ESTA VELHA MENINA... (Desgaste) *   Esta menina, velha quanto baste, Exibe uma grisalha cabeleira E muito embora brinque, inda faceira, Já dos anos acusa um bom desgaste. * Sorriu quando menina lhe chamaste, Mas já percorre a rampa derradeira Que a (re)conduz à última fronteira E se aproxima, por mais que ela a afaste. * Menina que o não é mas já o foi  E já deve algum tempo à sepultura, Sabe bem quanto custa e quanto dói * Contrariar um mal que não tem cura E a chaga que desgasta e que corrói O fio/pavio da chama que a segura. *   Maria João Brito de Sousa - 12.04.2021 - 16.24h * Ao  Gil

NÃO VOLTES!

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NÃO VOLTES * Não voltes, por favor! Na solitude Que me acompanha enquanto me ilumina, Reconstruí-me, enfim, velha menina De astros embriagada... e quietude. * Ignoro a latitude ou longitude Desta alma sedentária e peregrina; Sei lá se subo ou desço!? A minha sina Firmou-se ao confirmar-te a finitude. * O café, que não bebo, sabe agora Às coisas que conquisto ou que supero, Mas me seduzem. Sou a que namora * O ritmo inebriante de um bolero Que (re)nasceu assim que foste embora; Não voltes por favor. Já não te quero! *   Maria João Brito de Sousa - 12.04.2021 -  10.08h *   Na sequência de um texto poético do  Senhor das Nuvens * Imagem - Isadora Duncan

AMBIÇÕES....

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AMBIÇÕES * (Em Modo Decrescente) * "Eu queria ser o mar de altivo porte", Ou a montanha imensa e pedregosa Que desafia a alma ambiciosa A escalá-la sem medo e sem suporte... * Queria provar, da flor, cada recorte, E, das corolas, ser a mais viçosa; Talvez a rosa que por ser espinhosa Me faz lembrar a minha triste sorte... * Porém, rosa não sou... tão pouco ao mar Me posso comparar, se tão dif`rente Sei ser desse gigante bipolar... * Só posso ser, da montanha imponente, A mais modesta pedra que encontrar "E as pedras... essas... pisa-as toda a gente!..." *   Maria João Brito de Sousa - 10.04.2021 - 13.55h * * Soneto criado a partir do primeiro e último versos do soneto "Desejos Vãos", de Florbela Espanca, para uma rubrica do Horizontes da Poesia