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CONVERSANDO COM JOSÉ SARAMAGO - Reedição

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SONETO ATRASADO * De Marília os sinais aqui ficaram, Que tudo são sinais de ter passado: Se de flores vejo o chão atapetado, Foi que do chão seus pés as levantaram. * Do riso de Marília se formaram Os cantos que escuto deleitado, E as águas correntes neste prado Dos olhos de Marília é que brotaram. * O seu rasto seguindo, vou andando, Ora sentindo dor, ora alegria, Entre uma e outra a vida partilhando: * Mas quando o sol se esconde, a noite fria Sobre mim desce, e logo, miserando, Após Marília corro, após o dia. * José Saramago In “Os Poemas Possíveis”   **************   SONETO DO ENCONTRO TARDIO * Atrás de mim vieste e me alcançaste No rasto dos sinais por mim deixados, Mas tivesse eu mais rio, mais chão, mais prados, Soubesse eu desses sonhos que sonhaste, * Mais sinais deixaria onde passaste: Mais lágrimas, mais risos entoados, Mas muito menos passos apressados Teria dado até onde me achaste... * Caminhava apressada pela vida, Sem cuidar de cuidar que havia um fim, Sem notar que pas...

A PRIMEIRA CAMINHADA DO POETA - Reedição

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Nesta  direcção , por favor

DÚBIAS TEORIAS

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Pormenor de tela de Edgar Degas * DÚBIAS TEORIAS * Pouco se sabe sobre o bom soneto Que, como um ovo, perfeito se fecha E que eu encaro como um amuleto Que me enfeitiça e que não mais me deixa * Mesmo sendo pequeno e até discreto Tem o suave mistério de uma gueixa: Dizem, alguns, que está velho, obsoleto, Mas ele ainda (en)canta e não se queixa! * Não chora, este soneto, antes se ri E dança, e canta e faz acrobacias Sobre os catorze versos que escrevi * Heroicamente alheio às tropelias Das críticas erguidas contra si Por muitas mais que dúbias teorias. *   Mª João Brito de Sousa 23.05.2023 - 13.30h ***

FORÇA - Reedição

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Manuel Ribeiro de Pavia * FORÇA * Vem-nos, a força, duma alma crestada Por átomos de sonho e de ideais E, às vezes, conseguimos fazer mais Quando julgámos não poder mais nada * Vem improvável, mais do que adiada - à luz das mentes tidas por normais - Povoar-nos de sonho o velho cais Da barca eternamente naufragada * Virá de onde diríamos não vir Nem a remota sombra de um auxílio: Impossível, absurda e, no entanto, * Vem como se quisesse destruir As fronteiras reais do nosso exílio Pra vir morar connosco em qualquer canto. * Maria João Brito de Sousa 13.11.2010 – 13.42h ***    

CONCURSO

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CONCURSO * Sentada na poltrona a correr mundo, Correm meus dedos tanto quanto eu corro Que em cada dedo mora um vagabundo Nadando tanto mais quão mais lho rogo * E nestas artes nunca me confundo: Sou eu que sobrevivo ou cedo e morro Se a Barca meter água e for ao fundo Sem que haja um só pedido de socorro * Por parte de algum verso moribundo A naufragar num mar que surge em jorro... À Morte lanço à pressa um não rotundo * Mas se ela não desiste e eu não discorro Mais do que um "não" rosnado e furibundo, Quem vence este concurso a que concorro? *   Mª João Brito de Sousa 21.05.2023 - 23.00h ***      

O DISCURSO - Reedição

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O DISCURSO - Reedição *   Impõe-se-me um discurso, urgentemente! Aquilo que disser será escutado E há que ter, como tal, muito cuidado, Não se torne a palavra independente *   Que o discurso é, por vezes, inclemente: Nós damos-lhe a função de ser recado E, o tonto,  faz-se ambíguo e torna errado O que, sendo pensado, era inocente *   Porque, ao dizer, desdiz o que foi dito, Ganha vontade própria, é traiçoeiro E, às vezes, transmutado em ditador, *   Consegue desmentir quanto foi escrito, Ilude o alheio ouvido a tempo inteiro E destrói a carreira ao orador! *   Mª João Brito de Sousa 20.05.2008 *** .  

PASSAR AO LADO - Reedição

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“PASSAR AO LADO” * E quando mal dormimos porque a dor Teimou a noite inteira, acrescentou-se E conseguindo levar a melhor Deixou dentro de nós a dor que trouxe, *   Não há espaço pra sonho, ou chão pra flor: Já não há espanto. Nada é pêra-doce E tudo, analisado ao pormenor, Parece um pesadelo. Antes o fosse! *   Mas pesa-me este longo desabafo: Não tendo a fina lira que tem Safo, Nem as paixões soberbas de Florbela * Poeta em carne viva e já tardia, Subtraio à raiva uns palmos de ironia, Passo-lhe ao lado e... já nem dou por ela! *   Maria João Brito de Sousa 19.05.2018 – 09.08h ***