SIMBIOSE
SIMBIOSE
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Perdeu o voo, o meu amigo alado,
Perdeu autonomia e perdeu vida
Este Columba livia de asa ferida
Que acabo de tomar a meu cuidado
*
Talvez volte a voar, talvez magoado
Perdesse a tal vontade desmedida
Que nos confere o impulso de partida
Sempre que o céu se torna desejado
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Perdeu o voo e a ousadia,
Perdeu tudo o que tinha de mais belo,
Talvez nem queira já viver sequer
*
Mas eu sou doutorada em teimosia:
Desdobro-me em cuidados, trato, velo,
Já nem sei se sou pomba ou sou mulher
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Maria João Brito de Sousa,
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in Poeta Porque Deus Quer - Autores Editora, 2009
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