SONETOS DO MAR

A Primavera está a chegar e, com ela, veio-me esta vontadezinha de escrever sobre o mar...


Afinal eu, cidadã do mundo, sempre vivi aqui, exactamente na zona litoral que define a linha onde o Tejo e o Atlântico se encontram.


Em Algés, cresci até à adolescência, na Rua Luís de Camões, numa casa que ainda hoje existe e está assinalada com uma pequena placa que homenageia o nascimento do malogrado Amaro da Costa, cujo pai era um grande amigo do meu avô, o Poeta António de Sousa, de quem, mais tarde vos tenciono falar.


A minha primeira casa enquanto "pessoa crescida" foi em Paço de Arcos, mesmo junto à estação da CP, na rua Carlos Luz.


Agora vivo há trinta e seis anos em Oeiras, na Quinta das Palmeiras e tenho a certeza que não saberia viver fisicamente longe daqui.


Por isso aqui vai a minha:


 


ONDAS.jpg


 


 


 


 A JUSTIFICAÇÃO DO MAR


*


 


 


Serei, na (in)completude dos gentios,


Quem de ti fez o berço original,


Quem te encheu da grandeza natural


De invernos, dos agrestes, e de estios;


*


 


Sou quem te enfeita de ilhas e baixios,


Quem te cava esse leito de água e sal,


Quem te cobre de bancos de coral,


Quem te devolve a água dos seus rios


*


 


E sou quem te deu essa imensidão


Das coisas que mal sabes desvendar,


Quem cresce ao renovar-te e quem te fez,


*


 


Eu, a VONTADE (sempre em gestação)


De me expandir, de me multiplicar;


A força adivinhas mas não vês!



 


 


Maria João Brito de Sousa - 23.01.2008


 


 


 


 

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