EXISTIR, NO SISTEMA...

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Eu, obra do meu mar em maré alta,


Sou rocha em erosão, matéria-prima,


E vejo além do sol e voo acima


De um horizonte ao qual sei fazer falta


 


Porque obreira do pão que há num poema


Que gasta muito pouco ou quase nada


Nestas palavras, quando sou poupada...


Posso não ser herói...(mas tenho pena!)


 


Idosa quanto baste... Ó pobre imagem


Gritando em voz bem alta aquela idade


Que a pátina do tempo enfeitou já;


 


Cinquenta e cinco anos de viagem!


E nem vislumbro, ainda, a qualidade,


Ou Estado que não chore o que me dá...


 


 


Maria João Brito de Sousa - 26.03.2008 - 11.56h


 


 


(No comboio, à vinda do Centro de Emprego...)


.

Comentários

  1. Olá, minha querida amiga poetisa:

    Sorri ainda mais quando li que escreveu este belíssimo soneto no comboio.
    Também não tenho muito tempo. Talvez um dia eu possa ver numa prateleira recatada como é a da poesia das livrarias uma obra sua. Pelo menos, não me esqueci do seu nome.

    Saudações poéticas

    António Codeço

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    1. Eu vou acreditando nisso e trabalho sempre. Metade do caminho está percorrido...
      Obrigada pelas palavras reconfortantes!
      Maria João

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  2. E com todos nós a aplaudir de pé!

    Agora sou eu que digo: Força! Coragem!

    Um beijinho e um forte abraço

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    1. Obrigada Blue Eyes! É extraordinário como vocês me dão força! É que dão mesmo...
      Até ao dia 14 de Janeiro deste ano escrevia para um futuro incerto. Lá ia concorrendo a um ou outro prémio literário, mas muito convencida de que, com muita sorte, talvez os meus poemas viessm a ser conhecidos depois de eu morrer. Até escrevi um soneto que se chama "Planos de Morte". Agora sei que tenho "público", que até posso ser útil, que há quem goste do que faço! Isto é tão importante para um poeta!
      Obrigada a todos vós!
      Ai este meu falar de coração nas mãos...

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  3. Olá

    E vai mais um, seja em que lado for não falta a inspiração à nossa poeta.

    Bjs

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    1. Obrigada Maria! Tu também andas a poetar umas coisas! Até o agradecimento ao Sapo saiu todo poético!

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  4. Eu revejo-me um pouco no seu soneto, nos quando chegamos aos nossos »Entas » aprendemos a viver com o que podemos ter , seja no Amor ou no resto.
    Temos é que saber aceitar, ás vezes sabe Deus como, as nossas necessidades, e tirar-mos, dos problemas, algo positivo, que ás vezes é muito difícil , mas não é impossível .
    Nunca desista dos seus sonhos, que algum dia terá a recompensa. Pode ser que eu ainda compre algum livro seu. Força , e sempre em frente. Até logo

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    1. É Linhaseletras. E às vezes vivemos dias a fio só de amor, porque "o resto" já nem há...
      Mas é uma aprendizagem e eu estou apostada em provar que a miséria física nem sempre conduz à pobreza intelectual.`É uma forma de sobrevivência. É um pouco o derradeiro teste à teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow... e já estou para aqui a filosofar demais...
      Abraço!

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  5. ola amiguinha adorei esse soneto ,força va em frente adoro vir aqui fico encantado .
    um beijinho deste seu novo amiguinho ...
    sonhosolitario

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    1. Obrigada Sonhosolitario. Todos vocês são importantes para mim, acredita. De que me serviria "cantar" se ninguém me pudesse ouvir?
      Um abraço amigo!

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  6. Idosa?
    55 anos não é ser idoso! É ser dono da sabedoria e da beleza!
    Poderia chamar-lhe mãe com muito carinho, a minha mãe de poesia,
    Que voa lá do alto no horizonte antigo,
    que tem para o meu mar um calmo porto de abrigo,
    Que azula o céu porque além-sol voa acima...
    E me faz erguer em palavras de Esperança como quem afasta do mar tempestades, pintando no coração a bonança.

    Cafézinho?

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    1. Pois não será... mas experimenta dizê-lo ao "sistema"...
      Vou já tomar o cafézinho de hoje!

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    2. Embora o sistema esteja corrompido, há valores sobre os quais ele nunca triunfará. A Humanidade não é só composta de números, correrias e "pessoas superiores" que ditam a maior ou menor importância dos outros seres, o ter mais direito ou menos direito a... porque no fundo, somos todos parte de um Todos, ainda que nem todos o consigam ver.




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    3. É isso mesmo... sobretudo porque até os mais pequenos asteróides contêm magníficas formas de vida, não é verdade?
      Sempre houve seres humanos conscientes disso e sempre haverá os que não sabem nem querem assumir o preço dessa consciencialização...
      Ai que eu estou cheia de pressa para ir à consulta do hospital e não consigo resistir ao teu cafézinho...
      Abraço grande e até logo. Devo voltar a precisar de 1litro de café...

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    4. É sim... até os mais pequenos!
      Vai lá à tua consulta que o mais importante mesmo é a nossa saúde!
      O café fica aqui ou ali à tua espera, sempre com um sorriso para ti.
      Beijinhos

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  7. Olá, minha amiga poetisa:

    Por vezes tenho de prometer-me e controlar-me para não escrever durante o dia. É uma incontinência escrita. Mas comprendo o publicar só um poema por dia. Quem não gosta de ter um comentário à nossa espera? Confesso.
    Fico muito contente por si, porque desse lado, imagino uma autêntica criança, radiante com o poema que acabou de escrever. Os seus sonetos são alegres como o Mozart.

    Obrigado pela partilha

    António

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    1. Mas olhe que é verdade, meu amigo Poeta! Fico contente como uma criança mal me "nasce" um poema! Quero partilhá-lo logo, como as meninas pequeninas quando recebem uma boneca nova! Raras vezes tenho sensação de tr sido eu a criá-los, num acto de vontade. Tal como os filhos, nascem de mim , mas têm vida e existência próprias.
      Fico muito solidária consigo nessa situação de incontinência poética. Sei que é extremamente gratificante, mas leva-nos, muitas vzes, à completa exaustão. Para não falar das paragens de autocarros e comboios onde quereriamos ter saído e nunca percebemos como é que o veículo conseguiu chegar lá naquilo que nos parece um período inferior a 10 segundos...
      Já publiquei o soneto de hoje e vou ter de apressar-me pois tenho consulta no hospital.
      Abraço solidário.

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  8. Olá Maria João!
    Olha eu aqui novamente ...
    Todos os dias cá venho alimentar meu ego com tua poesia.
    Obrigado amiga!
    1 abraço

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    1. Obrigada, meu amigo! Estou-me a sentir muito orgulhosa com esta partilha. No fundo representamos bem os blogs deste país, não é verdade? Não é esta dinâmica partilha a justificação do blog?
      Abraço!

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