LOBO SOLITÁRIO


 


Caminho enquanto lobo solitário,


(é por dentro de mim, neste ir e vir,


que encontro a dimensão do meu sentir...)


E nada, o que recebo por salário,


 


Pois não sei ser senão contestatário


Que contesta o que o possa reduzir


À condição de apenas existir


Enquanto figurante de um calvário.


 


Contesto o que não sou, pois só sei ser


Pedaço da razão que me engendrou


Na dimensão do sonho vertical


 


Que, em si, descubra tudo o que quiser;


Sou lobo solitário e, se aqui estou,


É porque em vós encontro um lobo igual.


 


Maria João Brito de Sousa - 13.03.2008 - 10.38h


 


 


 


Feito no caderninho enquanto seguia para a entrevista com a Assistente Social da Paróquia.


ncontro um lobo igual...


 


 


Maria João Brito de Sousa  - 12.03.08 - 15.09h

Comentários

  1. Como eu entendo a utilidade e, mais do que a utilidade, a pertinência de um bloco, de um livro em branco, de um qualquer espaço virgem que nos acompanhe para todo o lado e nos permita no seu corpo por explorar depositar o prazer que são as palavras, o prazer que são as frases, o prazer da escrita que é sémen que nos abandona naquele momento, naquele instante apenas e em nenhum outro.

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    1. É isso Migalhas! Os momentos são preciosos para os poetas e estes caderninhos são a nossa enxada! Devo confessar que às vezes faço tristes figuras, parada no supermercado, com o cadrninho na mão, como se estivesse a escrever para as batatas ou os yogurths... outras vezes no autocarro, em equilíbrio instável ou parada, no meio da rua, faça chuva ou faça sol...
      Abraço.

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  2. É?
    Sou - somos... tudo de bom e de mau que há na vida; e somos ainda e sempre quem faz a opção...
    Até parece simples...
    Um abraço - maria josé

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    1. Minha querida amiga, muito obrigada pela sua visita. Não tenho tido tempo para visitar ninguém, nestes últimos dias. Hoje foi a Festa dos "Poetas de Gaveta", organizada pelo Centro Cultural de Oeiras na Galeria Verney e na qual estive representada co sete dos meus sonetos. Foi muito bonita e deixou-me muito emocionada. Também a memória do meu avô, o Poeta António de Sousa foi evocada pelo poeta António Borges, um dos elementos da direcção do CENCO, que há quase dez anos havia organizado, no auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, a homenagem ao Poeta no centenário do seu nascimento.
      Estou realmente muito cansada e terei, amanhã, de deslocar-me ao Hospital para fazer um TAC. Para mim é sempre uma descida aos infernos, porque , inevitavelmente, evoco situações que me foram tremendamente penosas.
      Quanto ao "lobo Solitário"... pode parecer estranho, mas os lobos têm, para mim, uma conotação extremamente positiva. Por muito que conhecesse a "estória" do Capuchinho Vermelho e dos Três Porquinhos, elas nunca conseguiram sobrepor-se ao Livro da Selva, do Kiplling nem às imagens que criei de S. Francisco de Assis, passeando e conversando com eles... sou capaz de ser um bocadinho estranha mas não consigo imaginar maldade em animal algum.
      Solitária, lá no fundo, no fundo... sou um bocadinho. Estou a criar muito em termos de poesia e este é um trabalho que se faz "viajando por dentro de nós" como sabe muito melhor do que eu.
      Estou a roubar-lhe muito tempo e o seu tempo é precioso.
      Um grande e respeitoso abraço para si.
      M. João

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    2. Hummm,

      Achas-te estranha, Poeta?
      Sabes o que é que eu ando a (re)ler?... Pois é precisamente o Livro da Selva, do Kiplling... e o lobo não é solitário, é protector! Achas-me estranha por isso, Poeta?

      Eu vi logo que iria correr tudo bem lá na Verney... a Poesia é acima de tudo a partilha de palavras tacteadas pela alma... gostaria imenso de ter lá estado também.

      TAC... não deixes que isto te assuste! Aprendi que temos que enfrentar todos os nosso medos e se por acaso eles não nos "largarem"o pensamento, podemos educar o pensamento para que eles coabitem connosco mas num patamar muito inferior ao da nossa própria vontade...

      Tu não és nada solitária. Nunca se é solitário quando escutamos a voz da nossa alma!
      Beijo grande,

      Mónica

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    3. Ó meu Anjo do Mar (ou serás Sereia do Céu?), obrigada pelas tuas palavras!
      Hoje o poetaporkedeusker faz 2 meses e eu tinha planeado a minha "reportagem" da sessão cultural da Verney... não vai dar. Estou atrasadíssima com os animais e tenho de ir ao hospital daqui a pouco. Vou publicar um dos três sonetos que fiz a caminho da Verney e deixo a "reportagem" para outro dia. Fica com o teu Livro da Selva. É uma daquelas obras que, ao lado do Petit Prince e dos Bichos do Torga, marcaram toda a minha infância e continuam, hoje,vivos em mim. De uma forma tão premente que é difícil acreditá-lo.
      Um grande abraço para ti!

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  3. A existência é uma busca permanente e muitas vezes solitária por aquilo que somos... :-)

    Um beijo... :-)

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    1. Meu querido V.A.D., a busca é, realmente, solitária, mas o que se vai encontrando partilha-se com todos e com tudo o que nos rodeia. Seria assim que eu tentaria descrever o que é "fazer poesia", se alguém mo perguntasse. Também tu fazes a tua poesia e sabes que é assim. Não se´rão sonetos, não serão quadras, mas há sempre poesia na tua escrita, quando viajas pelo Espaço e pelo Tempo.
      Um abraço para o teu Antigo Egipto!

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  4. Bonito Poema, eu também escrevo assim, chego a levantar-me para escrever coisas que me vêm à cabeça, e claro não se pode perder nada.
    No meu emprego ando de papel no bolso para ir escrevendo, para quando chegar a casa passar para o PC. agora já vi que não sou só eu a fazer isso.Eainda bem, a mim isso serve de terapia, e enquanto escrevo não tenho espaço para ter outras ideias menos construtivas.Parabens até amanhã

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    1. Minha amiga, então sabe bem o que isso é! Olhe, hoje, ènquanto me dirigia à Galeria Verney, "nasceram-me" três sonetos que nem necessitaram de ser corrigidos... agradeça a Deus por esse dom que Ele lhe deu e não o abandone por nada deste mundo. Leia muito e escreva muito. A sua poesia tem uma musicalidade muito bonita.
      Um abraço!

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