O CORPO POR UMA JANGADA


 


Eu vivo neste corpo de Jangada;


Perdi-me, fui ao Céu, depois voltei


E choro ainda quem por lá deixei


No seio duma luz imaculada...


.


Chora, Jangada chora os impossíveis!


O menino da luz não volta, não...


Desceu à terra dentro de um caixão


E mora agora entre os não visíveis...


.


Chora, Jangada, chora o teu mar-alto!


O teu vulcão de lava há-de apagar-se


E tu hás-de rumar, de novo, à luz


.


Onde antes te afundaste em sobressalto


E, um dia, um mesmo sol virá deitar-se


Num chão onde se ergueu tão dura cruz...


 


Maria João Brito de Sousa - 14.03.2008 - 20.24h


.


(Ao chegar do hospital, no supermercado, às 20.00h)

Comentários

  1. Simplesmente belo.

    Um pouco triste, mas gostei , é talvez mais o meu estilo

    Boa noite, e boa inspiração

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    1. Ó amiga, esta tristezinha só vem de vez em quando. A seguir vêem logo os sorrisos!

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  2. Ainda bem que vem sorriso. Porque o poema é de uma tristeza tremenda, amiguinha.

    Desejo-te

    Um lindo fim de semana

    Bjinho amigo

    Mario Rodrigues

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    1. Pois é, amigo Mário. Mas o Mundo à velocidade da tristeza, anda para trás... e nós com ele. Por isso, muito de vez em quando, recordo a partida do meu menino e fico triste. Depois "sinto" que ele está bem, que é feliz... e fico feliz também. E o mundo, quando nós estamos felizes, move-se à velocidade do amor.
      Beijinho e bom fim de semana. Para mim é Domingo todos os dias, nunca dou pelos dias da semana...

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  3. A melancolia trazida pela certeza de que todas as jangadas se afundarão um dia...
    Espero que aquilo que percebi como susto não tenha passado disso mesmo, amiga!

    Desejo-te uma óptima noite e um magnífico fim-de-semana!

    Um beijo... :-)

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    1. Olha V.A.D., estou sem tempo pois fui convidada para um almoço de aniversário e ainda tenho os animais para tratar. Não foi susto. Foi mesmo a partida do meu menino para outro patamar da vida. Já foi há muitos anos, morreu no parto e eu morri com ele. Estive muito tempo em morte clínica, depois voltei e ele ficou. Não estou a ficcionar, está tudo documentado. Todas as primaveras fico um bocadinho melencólica. Ele partiu a 13 de Maio.
      Mas é só por momentos, depois volto logo a sorrir.

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    2. Poeta,
      Ontem partiu uma mãe... nas mesmas condições que tu descreves...Tenho a certeza que ela está a embalar o teu menino. E o menino dela devemos embalar todos nós...
      Um abraço muito apertado

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    3. Todos os meninos t~em mãe, lá , onde eu já estive. E por cá todas as mães continuam a embalar os meninos que partiram. Umas vezes fazm-no com lágrimas... outras com sorrisos. Às vezes com poemas...
      Beijinho grande.

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  4. Olá Poeta, teu poema de lágrimas jangadas está bonito. But o sol nascerá ao pé dessa Cruz, e os versos superarão tudo.
    Obrigado pela visita.
    Grande abraço.
    João Costa Filho
    Espelhodesombras

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    1. Claro, meu amigo. Os poemas são sem pre pontes entre nós e os outros. Entre o antes e o depois.
      Abraço.

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  5. Entendo.
    A vaga bateu em cheio, neste meu corpo vivo feito meu cais de pedra
    um abraço de coração- maria josé

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  6. Nota-se bem a tristeza...também eu ando triste sem bem porquê...

    Bjs

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    1. Então Maria? Isso passa. Não vou dizer: - Deixa-te disso!, Parece-me ridículo, se não cruel, dizer uma coisa dessas. Quando andamos tristes a única coisa sensata a fazer é acreditar que vai passar. Que vai passar depressa e que logo nos encheremos de sorrisos. Por isso te digo: - Acredita!
      Abraço.

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  7. Rosa Silva ("Azoriana")15 de março de 2008 às 23:19

    Quanto mais tristes estamos melhor escrevemos. Certo?
    Pois é. E dessa tristeza nascem as melhores obras.

    Acreditar

    Que Deus na sua imensa Paixão,
    Lavrou, na Cruz, um hino de glória
    Para o Seu amado povo cristão
    Que passa por tanta jaculatória.

    Não se pense que tudo foi em vão,
    Nem que foi apenas e só uma História;
    Deus deu-nos a melhor libertação
    Que nunca mais sairá da memória.

    E se Deus se deixou mortificar,
    E se Deus se deixou pregar na Cruz
    Em penas e só para nos salvar...

    Se veio por todos, por ti, por mim...
    Então, creio que do lado de Jesus,
    Toda a dor terá um sorriso no fim!

    Rosa Silva ("Azoriana")

    Querida amiga este nasceu agorinha. Quando aqui venho visitar-te acontece-me isto - lavro palavras repentinas.

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    1. Que bom! Agora além de poeta sou musa!
      Mas eu sei o que isso é. Também me acontece escrever a partir do que leio dos posts dos amigos. Por isso é que digo que alguns dos meus sonetos têm a vossa co-autoria!
      Beijinho!

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