A COLHEITA


 


O tempo que eu perdi, o que eu chorei,


Ó juventude em louca insensatez!


Não mais choro por ti porque és, talvez,


O tempo em que perdida me neguei...


 


O mundo inteiro chora a juventude


E eu, quanto mais velha, mais feliz!


Será que é sempre assim? Tudo me diz


Que só agora vivo em plenitude...


 


Saudades? Não as sei há tantos anos...


Saudades de chorar, de estar perdida?


Saudades de sentir-me insatisfeita?


 


Encontrei-me por fim, sem desenganos


Que me façam pensar que estou vencida


Quando é chegada a hora da colheita...


 


 


Maria João Brito de Sousa - 06.04.2016 - 13.37h


 


 


 


Soneto especialmente dedicado a todos os meus amigos que, como eu, já passaram a fronteira do meio século. Aos que partilham a experiência e aos que ainda choram a sua juventude e não deram, ainda, pelo trigo amadurecido...


.


Fotografia de uma tela de Vincent Van Gogh, "O Campo de Trigo", gentilmente roubada algures, da internet...

Comentários

  1. Pela minha parte agradeço a lembrança, eu também comecei a viver a partir dos quarenta, por isso é mais uma coisa que temos em comum, não tenho saudades da minha juventude, mas também não quero esquece-la, para poder dar mais valor ao que tenho agora.
    Gostava de ter agora menos uns quinze anos, mas como não é possível , vou viver, e fazer o melhor que eu puder, e aproveitar o tempo para fazer o que gosto.
    O soneto toca-me bastante.
    Até logo.

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    1. Obrigada Linhaseletras! A nossa juventude não deve mesmo ser esquecida! Não vale a pena é passar o tempo todo a lamentá-lo, como muita gente na vida deste lado do PC. E desse lado, provavelmente, também...
      Conheço pessoas que vivem agarradas ao seu passado como se estivessem reformadas da vida e não dos cargos que antes exerciam. Também foram, de certo modo, essas pessoas que me inspiraram este soneto que nasceu em segundos e passou à impressão com uma única pequena emenda o último verso. Não tenho saudades nenhumas nem dos erros que cometi nem de algumas coisas meritórias que fiz na minha juventude. Não tenho mesmo, porque considero que são matéria prima para o que escrevo e pinto agora. Mas eu sei que sou um bocadinho estranha...
      Abraço!

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  2. Olá Maria João!
    Não me incluo nos dedicados. Mas saudades todos nós as trazemos, novos ou velhos!

    Um abraço e um beijinho

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    1. É verdade Blue Eyes, mas eu falo daquela saudade que amarra as pessoas ao seu passado, que as transforma em criaturas amorfas, incapazes de qualquer tipo de criatividade...
      Infelizmente há muita gente assim. Normalmente transferem toda a sua criatividade latente para a somatização, as queixas, o falar da vida dos outros e outras actividades menos meritórias... é muito frequente aqui em Oeiras...
      Abraço!
      Olha, queria dar-te o meu cometa, mas o sapinho, de vez em quando, engole-me as estrelinhas e as flores...

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  3. Olá Maria João

    Eu estou incliida no soneto, pois já lá vão uns quantos depois d o meio século.

    Gostei do poema e obrigado por o ter dedicado também a mim. Bjs

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    1. Não sabia. Mas tu estás muito activa, com osteus bonsai, as tuas artes e os teus blogs! Não estás a deitar fora a tua vida, como muita gente que anda por aí com cara de quarta-feira-de-cinzas, a chorar a sua juventude...
      Beijinho!
      O sapinho comeu-me as flores!

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  4. Mais uma obra prima....e eu continuo a "colher" coisas lindas de encher a alma aqui neste blog...

    Parabens.


    Bèjuuuuuuuuu

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  5. Amigos são como o vento:
    às vezes perto, outras longe
    mas eternos em nossos...
    corações.

    Uma optima semana

    Bjinho amigo

    Mario Rodrigues

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  6. Não podemos procurar no passado aquilo que ficou por fazer, mas podemos olhá-lo como parte do processo de amadurecimento. É o presente que conta, é a perspectiva do futuro que faz vibrar... :-)
    Lindíssimo, o soneto!

    Votos de uma magnífica noite e de uma excelente semana!

    Um beijo e um enormeeeee sorriso... :-)

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    1. Um abraço também para ti V.A.D.
      Vou tentar pôr as visitas em dia, esta noite.

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  7. Olá querida....ainda não passei essa barreira etária(já faltou mais...), mas teu poema e extraordinário, como já nos habituaste, porém na dedicatória saltou-me uma frase "aos que ainda choram a sua juventude e não deram,ainda, pelo trigo amadurecido"
    Creio que este é o maior problema de hoje. Existem pessoas que acham terrivel o tempo passar. Mas,não....o tempo que passou traz tanto, deixa ficar em nos uma seara pujante de experiencias. Boas e más.
    Mas muitas.
    Bem hajas linda
    Semana abençoada e

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    1. Ora ainda bem! Era exactamente essa a mensagem que eu quis fazer passar! Um grande abraço!

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