INTEMPORALIDADE


 


Ó estranha e doce infância intemporal,


De ti quanta ternura em mim ficou...


Os olhos nesse longe onde não estou,


Na cauda de um cometa acidental...


 


Ficou, desta criança angelical,


O mesmo olhar distante e, do que sou,


O riso que no tempo perdurou


(cá por dentro a menina é sempre igual....)


 


Há pedaços de mim no céu que enxergo,


Da menina que fui e que `inda agora


Sorri dentro de mim, se abraça o mundo...


 


Ainda há estrelas nos sonhos que albergo


E, onde quer que o ponteiro aponte a hora,


Jurarei ter vivido um só segundo...


 


Maria João Brito de Sousa - 07.04.08 - 03.00h


.


Soneto especialmente dedicado a todos os meus amigos que, como eu, passaram a fronteira do meio século sem deixarem morrer a criança que os habita.

Comentários

  1. Olá Maria João


    Isso é que é, ás 3 da manhã a publicar e depois diz que eu sou activa.
    Essa veia poética é uma maravilha.
    Bjs

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    1. Obrigada Maria! Já fiz o teste da borboleta e... sou mesmo uma borboleta!!! Só faltam as asinhas... por fora, que, por dentro, sempre afirmei que as tinha!
      Beijinho!

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  2. Que essas crianças brinquem e riam despreocupadas para sempre!

    Beijinho amigo

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    1. Exactamente! Que todas essas crianças possam ser felizes na construção harmoniosa de um mundo melhor!
      Beijinho para ti!

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  3. Um mundo dentro de mim....assim é! Adorei este poema! Beijinhos

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    1. Beijinhos para ti também, Ligeirinha! O dilúvio do século XXI está a cair aqui em Oeiras! Até tenho algum receio de ficar sem as janelas das marquises! O vento é tão forte que não se consegue caminhar na rua e os animais, exceptuando a Lupa e o Sigmund que são calmos como bons filósofos, estão desnorteados. Não reparei como está o tempo no resto do país. Vou agora consultar a metereologia!

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  4. Ainda bem que fica sempre qualquer coisa da criança que erámos, pois é importante:)
    bj

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  5. Olá Poeta, " ai que saudades que tenho da aurora da minha vida, de minha infância querida que os anos não trazem mais" (Casimiro)
    Lindo teu poema e essa menina mais linda ainda.
    Abraço
    João Costa Filho

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    1. Era uma menina que gostava de cortar a franja a si própria... depois dava estas desgraças...
      Abraço!

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  6. Maria João, muito obrigada pelas visitas, pelas palavras tão amigas e pela dedicatória.
    Ando verdadeiramente aflita com o tempo e tenho falhado muito o seu blog mas devo pô-lo em dia no fim-de-semana próximo.
    Aliás, tenho mesmo de o fazer pois gostava de fazer uma selecção dos seus poemas para lhe dedicar o mês de Maio. Espero que seja possível.
    Abraço

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    1. Se é possível??? Eu é que pergunto.; "Como é possível?"
      Os meus poemas estão à sua disposição e a minha gratidão não tem limites!
      Estou, realmente, sem palavras...
      Muito obrigada!

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  7. Nós devia-mos ter a juventude por fora como temos por dentro, assim é que devia ser.
    Éramos sempre meninas e lindas.
    Ainda hoje esteve c à a minha neta Joana e eu senti-me uma jovem, a minha maneira de falar e de agir não </a> é igual à de certas pessoas da minha idade, que querem ser velhas à força.
    Adorei o soneto. e também acho que temos que manter viva a criança que há em todos nós, não devemos reprimir os nossos impulsos infantis, se isso nos faz sentir bem, e não serà por isso que deixamos de ser senhoras respeitáveis .
    Boa noite

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    1. É isso mesmo, minha amiga. Respeitabilidade não é sinónimo de tristeza e inacção.
      Obrigada.

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  8. É na infância que se alicerça e cresce o edifício mental que em nós existe... :-)Saibamos sempre olhar essa época: perceberemos que aquilo que hoje somos resulta de uma contínua construção...!

    Desejo-te uma magnífica noite!

    Um beijo e um enormeeeee sorriso... :-)

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    1. Obrigada V.A.D. Nós somos, com efeito, edifícios em construção. Por isso é tão importante investir na educação. Não é possível edificar edifícios belos e seguros sobre fundações precárias em que nada se investiu. Todos nós ouvimos isto constantemente, mas nunca será demais repeti-lo...
      Abraço!

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  9. Engraçado que "estas coisas" da vida são!
    Pronto, vou dizer-te... essa foto podia muito bem ser minha, com as tranças um pouco mais curtas, a franja era igualzinha. Quando eu me lembro daquela tesourada que dei...
    Quanto ao poema, eu ainda só tenho 32, mas sou assim

    Ficou, desta menina angelical,
    O mesmo olhar distante e, do que sou,
    O riso verdadeiro, o que voltou,
    Pois por dentro a menina é sempre igual....

    Há pedaços de mim no céu que enxergo,
    Da menina que fui e que `inda agora
    Sorri dentro de mim, abraça o mundo!

    E é tão bom ser assim! É esta alegria que faz do tempo um espaço de segundo "intemporal"
    Beijinho

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    1. Minha querida "filhota poesia", fico muito feliz por saber que encontraste a tua "Pedra Filosofal"! A vida é mesmo um espanto, um deslumbramento de coisas maravilhosas entre outras tantas que podem ser terríveis. Quem procura e encontra a sua Pedra Filosofal, torna-se ÚTIL e , por isso, feliz. Haverá sempre momentos de tristeza... há tantas coisas por fazer e tantos de nós persistem no erro de nem sequer acreditar... é para isso e por isso que existimos. Para sermos os arautos das causas que muitos imaginam impossíveis.
      Um grande abraço para ti!

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  10. Mais uma bonita prenda, infancia.... que me foi tirada assim....num ápice, coisas da vida!!!!!


    Bêjuuuuuuuu

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    1. Lamento. Mas tu és daqueles que ainda têm a criança lá dentro!Tenho-o sentido sempre que te leio!
      Abraço e bêjuuuu!

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