DISTORÇÃO FIGURATIVA


 


Nestas reviravoltas da palavra,


Onde eu encontro a luz é onde ecoa


A voz que se não cala e que ressoa


Quando o espinho da vida em mim se crava.


 


Adormece esta chama a arder em mim


Numa urgência de SER que me deslumbra


E emerge um novo vulto da penumbra...


O corpo de um poema nasce enfim!


 


Eco de mim, suponho, eu dou-me inteira,


Memória duma vida ... eu, verdadeira,


Presumo-me inocente e sou culpada...


 


No tronco da palavra eu sou palmeira,


Num fruto, em cada flor, amendoeira,


Mas para muita a gente eu nem sou nada...


 


 


Maria João Brito de Sousa - 09.07.2016 - 23.00h


 


 


O AUTISTA-Pastel de Óleo, 60x60cm


                     Maria João Brito de Sousa - 2006


 


 


 


 

Comentários

  1. não és nada???? não és nada????
    anda cá minha malandra que te dou uma tareia de miminhos!!!!!!!!!!!!!!!
    (uso muito esta expressão com os meus lindos)
    Ora vamos lá a ver.....
    beijinho abraçado

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    1. Talvez não seja-seja, minha querida Flor, mas, às vezes vêm-me como se fosse...
      Abraço de cometa!

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  2. Poxa, Maria João!!!
    Cruzes, mulher!
    Então eu que hoje arranjei um tempinho para vir aqui e logo seguido de uma avalanche encontro um soneto que transmite um teor tão pesado de desilusão?
    Bem... até me apetece perguntar-te se não ficaste contente com o presente que recebeste...
    Acho que não gostaste
    Eu realmente esperava ler agora alguns com um brilho muito mais feliz.
    Vou amuar...

    Arrebita mulher, porque no mundo há sempre alguém em situação pior que a nossa. Fica feliz por ainda existir tanta gente com tanto carinho neste universo tão complicado.
    E descansa, tu não te esqueças que primeiro está sempre a saúde!
    Fica bem
    Abraços vindos de cometa

    P.S. Ai de ti que da próxima vez k eu cá volte não tenha aqui nada como eu costumava ler dantes... Ai ai ai ai bamolabere a bida!

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    1. Bamolabere, ó minha linda Metaforazinha... eu hoje tive, em simultâneo, dois choques emocionais tão, mas tão fortes, que dei comigo a caminhar automaticamente no sentido oposto ao da minha casa... quando era para minha casa que eu queria ir...
      E como sou muito "despassarada" e sou capaz de parar no supermercado a escrever poemas, de caderninho na mão, muitas pessoas me olham como se eu fosse... menos do que nada.
      Mas eu entendo isso. Faziam isso ao meu avô e ao Vitorino Nemésio, antes dele começar o "Se bem me lembro..."... sempre fizeram isso ao Manuel Ribeiro de Pavia,ao Luís Pacheco, etc, etc...
      Bamolabere????
      Estou só meia em estado de choque... amanhã ou depois já passa...
      Bjinhos aos montões!

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  3. ui, adorei o quadro, é msm bonito =)

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    1. A sério Daniel? Está à venda... estou a brincar! (mas está mesmo, podes divulgar...)
      Um abraço de cometa e parabéns pelas notas!

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  4. Nós ás vezes pensamos que não somos nada mas se pensarmos melhor somos muito mais que aquilo que se vê.
    Pensamentos positivos e amanhã é outro dia, nada de pessimismos

    UM Até amanhã

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    1. Não é exactamente o que eu penso, minha amiga... mas hoje tenho andado tão "azamboada" que até podia ser...
      Um beijinho!

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  5. Adoro estes sonetos assim repletos de carga emocional... Só espero que tenha sido escrito, e sentido, num momento que tenha passado muito breve! E que agora já sabes... Vou pegar também na frase "P`ra quase toda a gente... eu não sou nada!"... Como e que uma "melher " que escreve, e pinta como tu, pode achar, em algum momento, que pode ser NADA?!?!?!?! Oh rapariga, tu toma tino!!! Tu és TUDO!!!!... TUDO e o que tu és !!!
    Bj da Jo

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    1. Ai, minha querida Jo! Deverias ter-me visto ontem ao sair do consultório médico com a notícia de que o exame se tinha,realmente, extraviado... fiquei a deambular automaticamente, tomei a direcção errada e ia sendo atropelada por um carro daqueles bem modernos e pesadinhos...
      Mas hoje passou! Estou em cima da dead-line para a entrega dos livros para o Prémio Bocage.
      Beijito e obrigada!

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  6. Espantoso, minha querida amiga poetisa!!! É exactamente este espanto que procuro na Poesia. Os dois tercetos então estão sublimes, inspirados e melódicos. Parece-me uma boa melodia para embalar o meu Eduardo (sorriso)

    Espero sinceramente que esteja bem e que tenha conseguido enviar e encadernar os seus poemas para o concurso.

    Um grande abraço

    António

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    1. Meu amigo Poeta, vai pensar que eu estou a exagerar, mas sabe que eu tenho um outro sonhozinho? Ouvir a minha poesia cantada, como a do meu avô. Faça favor de embalar com ela o seu pequeno Eduardo. É uma honra para mim.
      Abraço do coração.

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  7. todos nós somos ninguem
    aos olhos de qualquer badameco
    arrebita! ai que caneco!
    já aos dos amigos não é bem assim
    já te vejo como parte de mim
    que ajuda e faz crescer
    mesmo que falte "um bocadinho assim!"


    bom dia!
    Luis

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    1. :)))) Bom dia Luís! Eu ontem estava um pouco em baixo de forma porque tive duas notícias completamente paradoxais em simultâneo... mas embora a minha "odisseia de inevitáveis" se vá prolongar por mais um tempo, hoje estou mais animada!
      Vou hoje fazer o registo das obras nos CTT pois estou em cma da "dead-line". Não terei muito tempo para visitas, mas fico
      agradecida por teres trazido a tua Jangada até ao meu marzinho.
      Um abraço!

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    2. :)))

      foi só uma brincadeira...

      um abraço
      luis

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  8. Os teus tão fantasticos poemas, não param de crescer....!!!!
    Daí que conclua que se reproduzam entre eles!
    Parabens!

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    1. Olha Ligeirinha, são uns "galdérios" estes meus sonetos! Andam por toda a parte, nascem por todos os lados! Não tenho mão neles...
      Um beijinho!

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  9. Se tu não és ninguém, eu também não sou e ninguém o é.

    Um beijo e um abraço!

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    1. Somos todos, filhote. Somos todos importantes pecinhas do imenso puzzle, mas
      tu sabes que eu costumo não me preocupar nada (excepto no que diz respeito à higiene pessoal, claro...) com a minha aparência. Muita, mas mesmo muita gente me vai olhando como se eu fosse menos do que nada.
      Mas já estou habituadíssima, sabes'?Às vezes até acho uma certa graça...
      Isto nao se faz, pois não? É a minha faceta mázinha...
      Abraço de cometa.

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    2. Mas o que é isso de dizeres que "mesmo muita gente me vai olhando como se eu fosse menos do que nada"????
      Incomoda-te???
      Espero que não.......Não te quero preocupada com isso, ok?
      Beijo grande!

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    3. Não Ligeirinha, não me incomoda nada. É uma simples constatação e estou habituadíssima a ela. Como eu disse ao Blue, no comentário anterior, às vezes até acho imensa graça... beijo grande para ti também!

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  10. ...

    " quase toda a gente..." é nada.

    Tu és imensidão.

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    1. Obrigada Zm. penso que sou tão "nada" como os outros... tenho é esta enorme vontade de alcançar a imensidão... como tu. Não é?

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