ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA



*


Eu já morei nos longes de outros tempos,
Já enfrentei dragões, sendo moinhos,
E vi, com meus dois olhos, os caminhos
Que levam das mil glórias aos tormentos.
*


Morei em esconsas celas de conventos,
Conheci mil palácios, provei vinhos,
Travei batalhas, lavrei pergaminhos
Sem me render ao medo, aos desalentos.
*..


Ergui, da areia, as pedras de Gizé,
Morri mil mortes, matei outras tantas...
De tudo o que eu criei, perduram sonhos;
*


A humana condição é como a fé
Na estranha lucidez que nos comanda...
Surdos, mudos e cegos... mas risonhos!
*


Maria João Brito de Sousa - 15.08.2008 - 19.18h


 


Imagem - "Ensaio Sobre a Cegueira" , 103x73cm


                 Técnica mista


                  Maria João Brito de Sousa , 1999

Comentários

  1. Adorei este poema, esta mesmo lindo.
    bj e bom fds

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  2. Olá amiga Maria João. Este é sem dúvida outro flagelo da humanidade, o da cegueira.
    Que só poderá ser combatido ou até erradicado se um dia for possível detecta-lo durante a gravidez, e repara-lo com intervenção ainda na barriga da mãe, Talvez ao nível do A. D. N. ou outro, ou a outro nível qualquer. Obrigado pela forma como ilustras através da imagem um tema tão pertinente. O Poema: esse fala de alguém que ainda não descobriu todas as suas capacidades, mas que para lá caminha. Um abraço.

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    1. Sabes, meu amigo, eu penso que a humanidade vai seguindo o seu percurso num estado de relativa cegueira, itas vezes induzido pelo consumismo e pelo comodismo. A nossa humana condição oscila, penso eu, entre a ambição puramente material e misticismo. Pocurarver mais e melhor deve sempre ser uma das nossas prioridades. Infelizmente a muitos nem sequer é dada a oportunidade de "ver", pois vivem entre guerra e miséria e o seu único objectivo é, forçosamente, a sobreivência fisica no dia a dia. Outros, por puro comodismo, nem querem "ver". É dessa "cegueira" que eu aqui falo.
      Um abraço amigo.

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    2. Há um ditado que diz. O maior cego é o que não quer ver. Eu liguei de facto a imagem ao texto, (Poema) e o facto de sob a imagem dizer ensaio sobre segueira, induziu-me em erro, nem sempre é fácil descubrir o que está no espirito do autor. pesso-te desculpa. Um abraço.

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    3. Amigo, não tens nada que me pedir desculpa!
      Os poemas e as telas podem suscitar interpretações muito diferentes! Cada um é livre de interpretar à sua maneira! Eu limitei-me a explicar o que me ia na alma quando escrevi o poema.
      Um grande abraço!

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    4. Olá amiga M. João. Olha amiga, eu para tu veres que eu entendo muito bem o que tu dizes, vou só contar-te uma situação vivida por mim: Eu com 28 anos fui convidado para fazer parte da direcção da Colectividade lá do bairro, Morava eu na venda-nova amadora, e a colectividade chama-se o Rangel. Eu estava cheio de sangue na guelra como se diz, e cheio de vontade de mostrar algo, aceitei na condição de me ser entregue o pelouro da cultura. Fui nomeado para o pelouro da cultura e fiquei com carta branca para fazer como achasse melhor. Eu tinha ao meu encargo as seguintes actividades: Com crianças: tinha. Futebol, ciclismo, atletismo, dança e teatro infantil. Com adultos: Dança, teatro, futebol e campeonatos de sueca e xadrez. Claro que tinha uns 3 ou 4 acessores, mas como tudo isso ainda me parecia pouco, por minha auto recriação comprei uma máquina velha de projecção de filmes reparei-a e, Fui à cinemateca Nacional pedir apoio par empréstimo de filmes e outros apoios, e passamos a ter cinema todas as sextas-feiras. Mais tarde eu pedi ao director da cinemateca, se era possível nos dias em que houvesse secção, de a cinemateca nos apoiar com um individuo-o que nos desse algumas luzes sobre a história do filme. Ou seja uma espécie de critico, para no fim do filme fazer uma palestra sobre o filme. Isto é tudo acerca das várias interpretações possíveis para uma mesma histórias, era normal entre 6 ou 7 pessoas haver 3 ou 4 versões diferentes da mesma história, mas o mais interessante era que nenhuma coincidia com a versão do realizador, que o critico depois apresentava, no fim de todos se pronunciarem de como entenderam o filme. E o critico dizia, que todas as histórias podem ser entendidas de várias maneiras, depende dos olhos que as vem. Um beijo. E desculpa do relatório.

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    5. Adorei a narrativa desse período da tua vida. Não me parece um relatório.É a tua história, é muito interessante e merece-me o maior respeito. Todas as perspectivas devem ser respeitadas, cada um "vê" à sua maneira. Cegos são os que viram o filme e, no final, te dizem; Filme? Qual filme?Eu não vi filme nenhum! O senhor é que está a mentir!
      Um abraço amigo!

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    6. Olá amiga João. É assim amiga eu tinha a rodear-me 3 pessoas para me auxiliarem, mas a verdade é que muitas vezes eu me vi sozinho, mas também nunca virei a cara, eu cheguei ao intervalo de um filme, ou de um teatro, de uma cessão de trabalho, e ter que ir ao bar servir quem queria beber algo porque o pessoal escalado para o bar não estava. E vi-me só, em muitas outras alturas, que não vou agora enumerar. Mas durante 2 mandatos de 2 anos cada, eu nunca desisti. No dia que consegui livrar-me do cargo, fiz uma jura que não mais pertenceria aos corpos gerentes da colectividade, poderia ajudar sem compromisso vinculado. Mas também não posso negar que foi uma experiência muito enriquecedora. Pelos muitos contactos, que nunca teria se não tivesse aquele cargo, e achei que cresci muito como ser humano. Como tudo na vida, teve prós e teve contras Esses papos depois dos filmes, eram demais engraçados, porque depois do comentador dar a sua opinião, todos ou quase dizia-mos. Mas também podia ser visto por este prisma. E o senhor dizia claro que sim. Mas o espírito histórico do realizador foi este que eu apresentei, e ficava todo o mundo contente e sentíamo-nos mais ricos culturalmente. Um abraço.

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    7. Deve ser uma experiência mesmo muito enriquecedora! E nao deve ser nada fácil exercer esse tipo de cargos! Eu prtencço a uma associação de poetas e vi-me obrigada a delegar o cargo de 1ª Secretária por não ter saúde que me garantisse a assiduidade necessária.
      Abraço!

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    8. Olá amiga João. É de facto um trabalho que exige um grande espírito de sacrifício, até pelo facto de ser normalmente um trabalho gracioso, é mesmo só por carolice. O teu caso é perfeitamente compreensível, porque se trata de um caso totalmente alheio à ta vontade. Um abraço.

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    9. Sabes,Fisga,no fundo tive pena de não poder assumir o cargo. Mas não seria honesto da minha parte aceitar um cargo e não trabalhar o suficente para o merecer. Este cargos são sempre graciosos, mas exigem muito trabalho e muitas deslocações que eu já não poderia assegurar.

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    10. Olha amiga, a ultima coisa que eu queria era desiludir-te, mas pelos vistos já estás desiludida, e tens razão para isso. Eu penso que pior que ontem, só hoje, e pior que hoje só amanhã. Ou tem que surgir por aí uma nova Maria da fonte. Há que ter esperança, mesmo que seja só para cumprir o protocolo. Um abraço.

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    11. Olha amiga, a ultima coisa que eu queria era desiludir-te, mas pelos vistos já estás desiludida, e tens razão para isso. Eu penso que pior que ontem, só hoje, e pior que hoje só amanhã. Ou tem que surgir por aí uma nova Maria da fonte. Há que ter esperança, mesmo que seja só para cumprir o protocolo. Um abraço.

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    12. Olha amiga, a ultima coisa que eu queria era desiludir-te, mas pelos vistos já estás desiludida, e tens razão para isso. Eu penso que pior que ontem, só hoje, e pior que hoje só amanhã. Ou tem que surgir por aí uma nova Maria da fonte. Há que ter esperança, mesmo que seja só para cumprir o protocolo. Um abraço.

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    13. Vai-se tendo alguma esperança, mas pouco mais...
      Abraço!

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  3. Mais uma "masterpiece" by PPDK!!!... Que sempre perdure o sonho para continuares a criar estas maravilhas.
    Bom fim de semana!
    Bj da Jo

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  4. Ó minha amiga, cada vez há mais "Cegos" e por muito que alguém queira abrir alguns olhos , eles recusam-se a ver seja o que for, ou só vêem o que lhes convêm , e o que lhes dá jeito.
    Mas o que é mais preocupante é que estes"Cegos" estão a destruir a vida a muita gente que teima em "ver" mas que lhe é vedado esse direito.
    Um abraço

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    1. Tem toda a razão, minha amiga. E, como diz o nsso amigo Fisga, "o pior cego é o que não quer ver". E eu acrescento; " ... e o que não quer que os outros vejam."
      Um grande abraço e que tenha uma boa noite.

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  5. "Morri mil mortes matei outras tantas"
    Para mim esta cá tudo!
    abraço grande!

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    1. É uma chamada de atenção à nossa intemporalidade enquanto seres humanos...
      na mnha perspectiva, claro...
      Bjitos mimados!

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  6. Olá poeta

    Gostei muito.
    Retrata muito bem a cegueira dos que enxergam.
    Muitas vezes não enxergamos realmente, algumas ou outras tantas fingimos não ver.
    E mais...
    Quando são deficiente visuais... aumentam-lhes ainda mais a função auditiva.

    Diferente destes deficientes que são retratados aqui... nem a visão e muito menos a audição.

    Abraços.

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    1. Éverdade,Velucia. Muita gente não "vê" porque não quer, porque "dá muito trabalho" e preferem viver nas meias verdades (mentiras, afinal...) que lhes são inculcadas pelos sistemas vigentes. E porque não querem "vêr", enfurecem-se contra aqueles que tentam enxergar e ouvir um pouco mais.
      Um abraço!

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