HÁ MAR E MAR...

 


Tão poucas! Quão pouquíssimas verdades


São, afinal, cumpridas neste mundo!


Mergulho no meu mar, alcanço o fundo...


Eu quero lá saber de falsidades!


 


Mas sendo humana, enfim, preciso de ar...


Emirjo do meu mar, venho ao de cima


E nesse hausto profundo que me anima,


Abro os olhos e alcanço vislumbrar


 


A estranha arquitectura de outro império


E ao ver, ao longe, erguer-se um mundo "a sério",


Desponta em mim alguma indecisão;


 


Vou para terra e sou como os demais,


Ou mergulho nas águas virtuais


E enfrento a minha própria imensidão?


 


Maria João Brito de Sousa - 14.08.2008 - 14.50 h


 


 


Imagem retirada da Internet


 

Comentários

  1. Olá, amiga:

    Adorei o soneto mas a parte final está extraordinário. Não me leve a mal, mas ao olhar o sapo, rio-me sempre por imaginá-la como se fosse um desenho animado. E sorrio para mim.

    Não me leve mesmo a mal
    Um grande abraço
    António

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    1. Poeta, pode ter a certeza de que não lhe levo isso a mal. Aliás, se esse pormenorzinho lúdico não me deliciasse a mim também, tê-lo-ia ignorado desde o inicio.
      Abraço!

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  2. Essa sim, é a maior de quantas indecisões. E que fazer? Avançar para o mundano e perder-me no marasmo de quantas almas anestesiadas? Não, que eu serei sempre eu, mesmo que na passadeira que a todos nos leva, julga ela que por igual. Resisto. E eis-me fiel ao que sou e que digo e que, a custo, faço, por isso, mais valioso. EU. Quero-me assim.

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    1. Também eu me quero tal como sou, meu amigo. Este foi apenas um momento em que vim espreitar para cimentar a minha decisão.
      Abraço!

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  3. Um poço infindável de imaginação e gosto.
    Parabéns

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    1. Obrigada pela visita e pelas palavras, minha amiga Maria
      Um grande beijinho para ti!

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  4. Bonito como sempre, mas parece que há por ai um pouco de tristeza e de solidão? ou é impressão minha?
    Mas se navegar neste "Mar" virtual fica logo mais animada, pelo menos vai "falando" com alguém
    Eu hoje atrasei-me, porque estive a acabar de bordar um saco para o fazer este fim de semana, antes de entrar de férias.
    Boa noite até amanhã, um abraço Um bom feriado

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    1. Olá, minha amiga! Eu nãome estava a sentir mesmo nada solitária. Este soneto veio a proposito das muitas artimanhas e mentiras com que me vou deparando o mundo real e das quais sempre me tentei manter afastada.Repare,por exemplo, nos noticiários e veja se não lhe parece que a maioria da desgraças que andam por aí, não são fruto da ganância, da mentira e dos "jogos de poder"...
      Prefiro este meu "mar" onde a transparência é uma constante.
      Um abraço apertado!
      PS- Um bom e santo feriado para si.

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  5. Amiga, eu acho que e sempre preferível vivermos no mar da nossa própria imensidão...
    Belo soneto! Bela imagem!
    Bj da Jo

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    1. Obrigada Jo! Eu penso o mesmo,porque nest nosso mar há muito mais transparência e paz.
      Um grande, grande abraço!

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  6. Olá amiga poeta Maria João. Que belo e lindo recado que o teu soneto nos trás. Vou para terra e sou como os de mais. Lá diz o velhinho ditado: ( À terra onde fores ter, fás como vires fazer.) E por fazer. A tua autobiografia continua a vir ao de cima. Um Grande abraço do fisga.

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  7. Um grande abraço também para ti, Fisga e obrigada pelas tuas palavras.

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