ALMA DES-INTEIRA (6º soneto da Coroa)


 


Desde o meu primeiríssimo começo


Fui mãos sobre papel, sonhando sonhos...


Olhos distantes, negros, mas risonhos


Sonhando o que, por norma, nunca peço.


 


O que li e escrevi! O que eu não fiz


De borco, sobre o chão, entre papéis,


Rodeada de lápis e pincéis


Eu fui (como hoje ainda) a mais feliz


 


De quanto ser humano conheci!


Foi nesse mundo que me construí


À imagem da árvore primeira,


 


A que me dava sombra, fruta e luz,


A que foi arrancada e se fez cruz


Desta alma pendular e des-inteira!


 


 


Imagem - "O Pequeno Mundo dos Criadores de


                 Afectos" - Acrílico sobre tela,


                 Maria João Brito de Sousa, 2006


 

Comentários

  1. Mais um lindo soneto, com alma, para a sua coroa, que vai ficando cada vez mais enfeitada
    Um abraço e até amanhã

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    Respostas
    1. Obrigada, minha amiga! E a sua, já começou?
      Vou lá espreitá-la, não tarda nada.
      Um grande abraço!

      Eliminar

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