A RAIZ DAS ALGAS I e II
A RAIZ DAS ALGAS
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I
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Tempos houve em que o mar batia às portas
De cada um de nós, como quem pede,
E cada um de nós lançava a rede
Antes que o sol nascesse, a horas mortas
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Tempos houve em que o mar nos oferecia
Caminhos sem ter fim, novas fronteiras...
O mesmo mar das ondas altaneiras,
Do sal, das rochas com cheiro a maresia...
*
Tempos houve em que o mestre nos falava
Do mito: a caravela que cruzava
As águas desses mares ditos só nossos
*
Depois crescemos... Nunca o mar mudou,
Foi o adulto em nós que duvidou
E em vez de caravela achou destroços.
*
Mª João Brito de Sousa
II
Caravelas de luz! O mundo é breve
Ao preço ocasional da fama e glória!
Assim nos diz o Tempo e reza a História
De quanta fama e glória a Nação teve...
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O berço dos Poetas, das conquistas,
Desse, então, estranho mundo à descoberta
De quem parte e só volta à hora incerta
Dos que vivem de sonhos saudosistas...
*
Assim se entrega o luso ao Mar, que aceita
E lhe promete amplexos de sereias
Em vez do medo ao velho Adamastor
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E é da raiz das algas que ele se enfeita
Na vastidão das ondas, nas areias
E onde engendre ilusões de eterno amor.
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Maria João Brito de Sousa
19.10.2008
Nota - Reeditado e reformulado a 09.10.2012
Que bela lição de história marítima , nós os Portugueses sempre fomos uns grandes descobridores, e uns grandes heróis O pior é que ultimamente em vez de se descobrir alguma coisa vai-se destruindo o que os nossos antepassados nos deixaram.
ResponderEliminarEntão hoje acordou com "veia de aventureira " ainda bem! porque assim sempre vai viajando nas asas do pensamento. Boa Tarde e "boas descobertas".
É verdade, minha amiga. Hoje acordei com "veia de aventureira"! Nasceram-me estes dois sonetos logo ao acordar. Está muito vento e o pedacinho de mar que vejo da minha marquise está "picado". Se calhar foi de o ter visto assim, cheio de "ondas altaneiras".
ResponderEliminarHoje estou um bocadinho atrapalhada em termos de tempo. A Lupa não há maneira de melhorar e é dia de ir buscar os alimentos do Banco Alimentar.
Um grande abraço!
Que bela homenagem ao mar!
ResponderEliminarSem esforço, ouvimos a marulhar das ondas na areia e sentimos o cheiro a maresia.
Beijinhos, amiga poeta, e bom fim de semana.
Olá Maria. Muito obrigada pelas palavras.
EliminarFico em sintonia com o mar quando escrevo sobre ele... está um vento sul muito forte, por aqui. O mar está picado e o céu começa a encher-se de cirros...
Beijinhos e um bom fim de semana.
Olà Maria João
ResponderEliminarO mar para mim têm muito de especial.
Cresci e brinquei com ele,deu-me de comer muitas vezes deixando-me pescar nele,ensinou-me a respeita-lo.Bonitos sonetos.
Se me permite:
"Ho mar salgado,quanto do teu sal
São làgrimas de Portugal !
Por te cruzarmos,quantas mães choraram
Quantos filhos em vão rezaram !
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso,ho mar !
Valeu a pena?Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem de passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
(Fernando Pessoa)
Um abraço para si.
Obrigada pelos versos de Pessoa, Carlos. Também eu tenho um enorme fascínio pelo mar. Provavelmente será por ter vivido sempre perto dele...mas , por estranho que possa parecer, não gosto de ir à praia, sobretudo no Verão, quando ela me aparece invadida por multidões de gente .
EliminarUm grande abraço!
Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal.
ResponderEliminarSaudações poéticas
Saudações poéticas também para ti, João! Para ti e para todo o Orfeão de Almeirim!
EliminarOi Maria
ResponderEliminarLindo soneto!
O mar por si só já é maravilhoso
E com suas algas, rochas e areia
Torna-se esplendoroso!
Estava lendo os e-mails que amigos enviaram-me, mas estou sem conseguir retornar. Não sei o que há, entro no meu blog, mas não consigo responder nem postar nada. Quem sabe em breve.
Um abraço.
Parece que estás a passar pela experiência pela qual eu passei durante cerca de um mês. Com pequenas diferenças, claro. Já foste ao Blog dos blogs reportar a situação?
EliminarO mar... o mar é o berço da vida. O mar simboliza a própria vida!
Um beijinho grande e não desesperes. O nosso Sapito tem destas "telhas", de vez em quando...
Eu nem sei como fazer isto, ir ao blog dos blogs.
EliminarSou muito parva em questões de internet.
Uma abraço.
Não ´s mais do que eu e eu já fui! Entras como se fosses criar um post (bogs - a partir da Homepage do Sapo) e vez logo a apresentação. Há sempre umpedacinho de um artigo de apresentação. Aí clicas onde diz - ler mais - e estás logo lá! Hás-de ver mais comentários. Muita gente comenta no Blog dos blogs. Dizes o que se passa e eles depois respondem-te. Se não for logo, aguarda e vai verificando o teu correio. Eu já recebi ajuda assim.
EliminarBjo.
Eu quero dizer!...
ResponderEliminarMas espero o acordar
daquele mar
sonolento e lânguido.
Vou ficar!
Rodeada da neblina
do entardecer ...
Do Vento cantante
de terras distantes
e luzes acender ...
Maria Luísa Adães
Olá Maria Luísa. Vejo que levaste o meu "responder à desgarrada" à letra! Ainda bem! Eu adoro estes espontaneísmos.
EliminarUm abraço grande
O mar? Quando estou perto daquela imensa massa liquida…desligo…e a paz de espírito me invade, fascínio puro.
ResponderEliminar…E para não variar…lindos sonetos!
Bj*-bom fim-de-semana.
Olá Vitor. Sabes, eu vivo relativamente perto do mar. Vejo-o da marquise do meu quarto. Como poderia não o amar?
EliminarAbraço.
Linda homenagem ao mar, gostei muito e adoro o mar, dá-me paz.
ResponderEliminarbj e bom fds
Olá Estrelinha. O mar a mim também me dá paz. Mesmo quando está "zangado" e se levanta em castelos de espuma.
EliminarUm beijinho e um bom fim de semana.