DE MIM PARA COMIGO I e II
De mim para comigo eu quis falar
E, às tantas, o luar falou mais alto
E desenhou-me a sombra nesse asfalto
Onde eu estava comigo a conversar
De mim para comigo... e o luar
Veio deixar-me a alma em sobressalto!
A sombra lá em baixo e eu tão alto,
A lembrar-me da queda, se falhar...
De mim para comigo eu disse então:
- Se cair voltarei, estarei no chão...
Mais vale acreditar, seguir em frente!
Olhei de novo o chão, já pequenino.
Voar! Voar foi sempre o meu destino!
E segui, muito além do que é prudente...
II
De mim para comigo. O sonho é tudo!
(se aceito, é quem me targa a alma aberta...)
E vamos a viver que a morte é certa!
O sonho aceita o fim. Eu não me iludo.
De mim para comigo. Estranho estudo
Que levo a cabo neste eterno alerta,
Pois tudo o que há em mim, em mim desperta
E tudo o que desperta é conteúdo...
Das coisas que, ao passar, foram ficando,
(não paro de sonhar! Eu só abrando
e fico a meditar no que aqui faço...)
Há passos de luar nos meus sentidos
E beijos que nem foram prometidos,
Inúteis, como tudo o que aqui faço...
"O Pensador" - Rodin
Imagem retirada da internet
Li e gostei. Como sempre admiro os teus lindos poemas , os quais por vezes nos põem a pensar.... Aproveito para desejar um bom fim de semana com tudo de bom.
ResponderEliminarCumprimentos e até breve,
Carlos Alberto Borges
Olá Carlos. Gostei do seu jogo de palavras e ideias... vou já deitar "um breve olhar" ao seu blog.
EliminarAbraço!
Oi Maria
ResponderEliminar"De mim para comigo eu quis falar"
Nada mais do uma busca interior e, isto é muito bom.
"Inúteis, como tudo o que aqui faço...", isto não é verdade!
Nada do que fazemos aqui é inútil, só não temos a informação concreta que é útil, mas tenha a certeza que é muito, muito útil.
Um abraço.
Tens razão, Velucia. Tudo o que por cá fazemos é útil e tem o seu propósito. Devo confessar que foi um "momentinho" de desânimo que escorregou sem eu saber muito bem porquê... ultimamente até me tenho sentido melhor e com menos dores, apesar de estar a ter muito trabalho com a Lupa (a cadela mais velhota) que eu penso que se está a aproximar do final da sua vida. Vai-me doer muito quando isso acontecer, mas é inevitável.
EliminarUm beijinho grande.
Bonitos os seus sonetos como sempre.
ResponderEliminarE nada do que fazemos é inútil ! Pode é não ser compreendido, mas isso é outra "história".
Mas como o que fazemos é com muito carinho e prazer, nem nos importamos muito com a importância que os outros lhe irão dar, não é verdade?
Um e u m para a minha amiga e bom fim de semana
Minha amiga, acho que o Sapito enlouqueceu de novo! Estou com imensa dificuldade em publicar os comentários.
EliminarObrigada pelas suas palavras. Hoje reflecti muito sobre essa questão da importância que damos aos outros e "senti" que dou mesmo, pelo menos no que diz respeito aos meus poemas, porque em relação ao meu aspecto exterior, não ligo mesmo nada. Tenho é de andar sempre muito lavada, mas isso é porque sou limpa por natureza. Já em relação aos sonetos, embora sejam sempre feitos por compulsão e com muito amor e carinho, como muito bem diz, confesso que depois de os fazer penso muito em vós. Penso a quem irá agradar mais este ou aquele, se é realmente útil o que faço, se estarão tão belos quanto eu vo-los quereria mostrar.
Preocupa-me a justificação do ar que respiro. No fundo, no fundo, preciso de me sentir útil também aos outros e não apenas a mim mesma.
Esta é uma confissão das grandes! Desculpe o "testamento", mas penso que nasceu de forma quase automática.
Um grande abraço para si!
Que bom saber que está melhor! É tão bom saber isso!
ResponderEliminarE o destino dos poetas é mesmo voar. Voar mais acima e mais longe, com os sonhos que os outros precisam de saber que também existem para eles.
E que esse destino os torna tão preciosos que nada do que fazem é inútil.
Um bom fim-de-semana!
Abraço
Obrigada, minha amiga! É que estou mesmo melhor! E tenho descansado muito pouco.
EliminarMas tenho tido muito menos dores e até o cansaço parece ter "encolhido" um pouco!
Parece que até ando um pouco mais feliz ainda...
Um grande abraço.
Dois poemas muito belos.
ResponderEliminarUm bom fim de semana também para si, meu amigo e muito obrigada pelas suas palavras.
EliminarAbraço.
Considerar, ainda que em ar de desabafo ser inútil aquilo que faz, (escreve) deveria ser o único direito vedado a um poeta.
ResponderEliminarbjs
Obrigada pelas palavras, João. Vou-te responder como respondi à minha mãe, no dia em que, pela primeira vez (ainda não tinha dois anos...) pintei um "mural" na parede do escritório:
Eliminar- Não fui eu! Foi a minha mão...
Abraço.
Cá estou eu, como de costume, a visitar-te, tarde e a mas horas! ;)) Mas como hoje ate e fim de semana talvez ninguem repare no andiantado da hora...
ResponderEliminarLi e gostei... Como sempre!
Bj da Jo
Olha a minha Jo! Vai lá ver a quem eu dediquei os sonetos de hoje, vai!
EliminarUm abraço grande!