..FECHO A PORTA, ABRO A JANELA...


A porta já fechou. Uma janela


Há-de abrir-se depois, de par em par,


Para quem não passou poder passar


À nova dimensão que se revela...


 


Mas quando a porta fecha, o corpo embate


E fica então dorido e mal tratado,


Que depois, à janela, debruçado,


Repara que a fuga era um disparate...


 


Sempre que a porta se abre, eu mesma a fecho.


Debruço-me à janela, apoio o queixo


Nas mãos e vou sorrindo para o céu.


 


A porta que se fecha é um convite


A viajar por dentro. E há quem hesite


Em conhecer, a fundo, o que é tão seu!


 


 


Ao João Chamiço


 


 


Imagem retirada da internet


 

Comentários

  1. Bem, amiga. O princípio deste soneto comçeçou primeiro por oprimir-me. Parecia falar de suicídio. Mas revelou-se no fim ser precisamente o contrário. Pelo menos esta foi a minha interpretação. Deixe-me dizer-lhe que me lembrei de repente dum tema que há uns anos muito me fascinou: a introspecção. Na altura, andava em estúdio a gravar um CD com a minha banda de garagem, e o primeiro tema chamava-se "Introspection" cujo primeiro tema era um instrumentar servindo de Intro. Foi só uma curiosidade.

    Grande abraço

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    1. "Gnosce te ipsum", Poeta! Quem é que dizia isto (para além de mim..) que eu já não me lembro? Ai. Acho que ando mesmo a perder faculdades. A sério.
      Abraço.

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    2. Olá muito Boa tarde! É verdade amiga tantas portas que se fecham, mas há sempre uma janela pronta a abrir, e esta sua janela tem uma vista fantástica , que nos faz sentir a Liberdade em todo o seu esplendor , até nos dá mais vontade de lutar por aquilo que queremos,! e como não somos pessoas de desistir vamos quase sempre conseguindo
      levar a agua ao nosso "Moinho"

      Até logo

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    3. É isso, minha amiga. O importante é não desistir, seguir a nossa própria consciência, dar ouvidos à sua voz e trabalhar muito. Para tudo isto é absolutamente necessário que nos conheçamos a nós mesmos, pois só conhecendo-nos "por dentro"poderemos ser verdadeiramente úteis enquanto seres humanos.
      Um grande abraço.

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    4. Santinha, minha amiga (parece que espirrou) Estou a brincar.
      Ai de si se começa a pensar que perdeu faculdades. eu que tenho lido quase todos os sonetos que estão aqui escritos. A Maria João está é melhor.

      Abraço

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    5. Pois estarei, Poeta, se assim o diz... mas olhe que a memória já me anda a pregar partidas!
      A sério. Esqueço-me dos nomes, dos contextos, das consultas médicas...
      Parece que os sonetos ainda "funcionam" bem, mas o resto... nem por isso.

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    6. Hipocrates ???

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    7. Pois, Carlos. Foi o que me ocorreu... mas recordava um Hipócrates mais "activo", menos contemplativo"... e como não estava segura, preferi não arriscar.
      No entanto, se está seguro, vou tomar a opção de o aceitar. O nosso "pai da medicina " sempre foi um homem atento.
      Um abraço grande e obrigada.

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    8. Se um pouco de cultura é aquilo que nos resta depois de termos esquecido tudo quanto aprendemos, diria eu que para a poesia nos há-de sempre restar memória quando ela for faltando para outras vertentes da vida.

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    9. Se um pouco de cultura é tudo o que nos resta depois de esquecermos tudo o que demais aprendemos, direi eu que, para a poesia nos há-de sempre restar memória quando ela nos faltar para outras vertentes da vida.

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    10. Esperemos que sim João! Eu conheço-me bastante bem e noto que a minha memória não está no seu melhor...
      Bom, distraída eu sempre fui... mas agora é mais do que isso. Esperemos que seja só cansaço.
      Abraço.

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    11. Mas isso é porque é citadina. antes de sair de casa ponho-me a contar quantos objectos não me posso esquecer levar antes de sair de casa - e é ridículo a ideia de morte: as chaves de casa, as chaves do carro, o telemóvel, a carteira, o tabaco, o isqueiro, a comida, o livro, a caneta, o cartão de acesso no trabalho, os óculos, a factura para pagar, enfim. Por isso, minha amiga, dê um desconto a si própria pois todo o ser que vive tens esses problemas.

      Abraço

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    12. Será... mas nem todos perdem os óculos no autocarro e não sabem onde meteram os cadernos dos poemas que acabaram de fazer.
      Não me lembro da morte, quando saio de casa.
      Penso sempre que não posso morrer enquanto os animais estiverem vivos e eu não acabar de escrever todos os sonetos que pululam cá dentro. É estranho, não é?

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  2. Olha poeta, não percebi nadinha do que disseste....NADA DE NADA!
    Por isso acho bem que expliques o que queres dizer...pois eu ando muito cansada da cabeça, e não entendo.....Vá lá deixa as poetices de lado, por brevissimos instantes, e diz o que se passa, ok? Beijos grandes!

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    1. Ó Ligeirinha, não fiques "stressada"! "Gnosce te ipsum", "conhece-te a ti mesmo", é tão simples quanto isto! Eu iria jurar que esta é uma das metáforas mais acessíveis que eu já publiquei em soneto! Tu andas é cansadita...
      e eu não consio deixar as poetices de lado. Fazem parte da minha natureza, como a cor dos olhos ou os dedos esguios. Passa-se que me deu para dizer em soneto aquilo que desde miúda penso: é importantíssimo que saibamos conhecer-nos.
      Um abraço grande!

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    2. Nam.....não é nada disso . Eu tambem sei o que quer dizer"Gnosce te ipsum"....mas anda aqui gato.....

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    3. Não é gato! São seis gatos e um deles chama-se Spirit e está fechado na minha sala-atelier e ninguém pode lá entrar senão eu porque o "rapaz" não "vai com a cara" dos outros machos e detesta cães! Estou a viver num T 0,5! E não há maneira de alguém querer ficar com ele...
      Mas não foi por isso que nasceu este soneto. Este soneto nasceu da contemplação da minha janela do quarto. Levei "à letra" o facto de amar tanto esta minha casota e de ser uma absentista das reuniões, palestras e tertúlias para as quais fui convidada.
      Pronto! Mas eles nascem-me sempre por tudo e por nada!

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  3. Olá

    Deus fecha uma porta, mas abre sempre uma janelinha e isso está presente no seu poema...acho eu

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    1. Está pois, Maria! E a nós cabe-nos debruçarmo-nos nessa "janelinha" e olharmos para dentro de nós, para que, conhecendo-nos, possamos então cumprir o nosso destino e ser mais úteis enquanto seres humanos.
      Um grande beijinho.

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  4. E bichinos como estão? Deixa de haver solidão com uma familis tão grande e amável.

    Um soneto por dia! E o continuar o viver no recanto que conquistou ... Dê um passo cansado, eu sei! E venha ao meu recanto e escreva ,apenas, o seu nome e eu sei quem é ...
    Saudades,

    maria Luísa

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    1. Aqui é impossível haver solidão, Maria Luísa!
      Só o "lado bom da solidão", aquele que permite a acção a partir da introspecção. Vou já ao seu cantinho. Ando com alguns problemas na cx de correio que está muito lenta e, agora, resolveu dizer-me que os vossos comentários não são vossos, sugerindo que possam vir de um "hacker" qualquer...
      Deixe-me só responder a mais alguns que eu já a visito.
      Abraço.

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    2. Poeta

      Deixei resposta ao teu comentário ao poema

      "Fala-me!"; lindo o que dizes!

      Viajar por dentro de uma porta fechada, é o máximo que se pode encontrar!

      Quem se lembra?

      Beijos,

      maria Luísa

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    3. Obrigada, M. Luísa. Não devo ser a única que "viaja" assim... nós, os poetas, temos meios de "locomoção" sempre originais.
      Um abraço.

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    4. Poeta

      Sim! Somos bastante originais! Quem se lembra das coisas incríveis, mas fabulosas que dizemos?Escrevemos e dizemos, encontramos e perdemos...tornamos a encontrar e a dizer! Não esquecemos!

      Alguém se vai lembrar! Acredito!

      Beijos,

      maria Luísa

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    5. Já fui ao teu "prosa poética" e li o teu comentário, mas o correio anda esquisito, lento, lentíssimo... e cheio de alertas vermelhos.
      Obrigada por me dizeres que é a Metamorfose de Narciso e a música do Purple Jump, com o Tom Hanks. O último filme que vi com o Tom Hanks foi o "The Green Mile", há uns sete ou oito anos. É um espanto de filme, mas eu só vou ao cinema uma vez por década... é a crise.
      Bjo.

      Eliminar
    6. poeta

      essa crise está a acontecer há bastante tempo; acontece, a vida das pessoas muda mais rápido, do que se muda o vestir ...
      Sem ser nossa a culpa, há uma espécie ou não de Destino a cumprir e o livre arbitrio de que nos falam, não devia ser tão livre e não cometeríamos tantos erros.

      Entravamos num caminho mais certo e sofria-se menos! Sempre discordei do livre
      arbitrio a 100% - não deve prender e não prende - mas devia ajudar mais ,ao nosso descernimento e fariamos menos disparates.
      poderiamos ser mais felizes ... Mas temos o chamado "Destino" ao qual não podemos fugir, mas podemos atenuar para melhor.

      Há tempos que não vou ao cinema - depende da disposição.

      Recebi dois poemas ,meus ,formatados com
      imagens da internet e música a acompanhar de um brasileiro ... Corre o mundo de língua
      portuguesa ... é simpático e gostei!

      Não sei o teu email, mas não vou perguntar, não quero quebrar a tua solidão, feita de sangue, suor e lágrimas.

      Beijos aos amigos de pêlo e para ti,

      maria Luísa

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    7. A minha solidão foi conquistada a ferros, com sangue, suor e lágrimas, mas é feita de ternura, amor e alegria! A sério!
      Partilho a tua opinião "percentual" àcerca do Destino e do Livre Arbítrio. É por isso que esta minha solidão é tão doce...
      O meu endereço de email é público, está no meu perfil. Se clicares onde diz "transparências de Maria João Brito de Sousa" , vais descobri-lo logo. Mas tens razão... raramente escrevo emails e nunca uso o messenger. Mas terei muito gosto em ver e ouvir os teus poemas musicados e cantados! Podes enviar. Espero conseguir abri-los!
      Um grande abraço.

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  5. Com os sonetos eu a oiço
    Com os versos eu a vejo
    pelas palavras sei o que sente
    Continue!é o que desejo

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    1. Obrigada pela quadra, Manulomelino. Continuo sim! Essa é uma das maravilhas da poesia. Transportar o que somos e sentimos, muitas vezes para bem longe, além fronteiras.
      Abraço.

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  6. Debruça-te na janela, perscruta o horizonte e o céu e o mar que há para lá do monte.
    Mas só dentro de ti encontrarás a nascente, a fonte de onde brota a inspiração e a dimensão que às vezes procuras nas lonjuras.
    Por cada porta fechada, duas se abrem em seu lugar, basta escolheres em que direcção caminhar. caminhar, caminhar. Às vezes é por dentro de nós mesmos que temos de o fazer, desfalecer, renascer e olhar em frente. E assim, de queixo apoiado nas mãos, janela escancarada e cabelos soltos, ao léu, adormecer contemplando a soberba grandeza do céu.

    Bjs

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    1. E aí está todo o sentido do soneto!
      Sabes, já me tinham hoje perguntado qual a origem deste soneto e eu não soube responder exactamente. Só há pouco reparei que vinha de um comentário que deixei no teu blog!
      Estou a gostar muito desta dinâmica, deste publicar "em cima da hora", pelo menos, um soneto por dia.
      Abraço grande!

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  7. Olá Maria

    Esta paisagem é maravilhosa!
    Uma janela de frente ao mar
    Não importa quantas janelas se fechem
    O mais importante é nosso olhar"

    Um abraço.

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    1. *Correção

      Minha mãe escorregou nesta aspas.

      Desculpe-me

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    2. O mais importante é mesmo o nosso olhar, Velucia. E também a forma como olhamos as coisas.
      Bjo gde!

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