SER AS COISAS III, IV e V
Invento mil canções de encantos-de-alma
Ao marulhar do vento, à noite escura,
À água do ribeiro que murmura
Segredos-de-encantar à tarde calma.
Invento... ou são os olhos, os ouvidos,
Que se encantam de ver, de tanto ouvir?
Inventar, afinal, é só sentir,
É poder libertar esses sentidos.
Inventar é sentir, em cada coisa
O por-dentro e por-fora que ela tem,
É partilhar texturas, sensações,
É prestar atenção a quanto se oiça,
É sermos essa coisa, nós também
E dar-lhe voz em versos e canções...
IV
Eu não quero ter nada! Eu quero é SER
Como as coisas que sendo, tudo têm,
As coisas que si mesmas se sustêm
Alheias ao desejo de qu`rer ter
E SENDO são mais ricas, mais felizes
E têm o poder de tudo dar,
Connosco partilhando sol, luar,
A sua própria essência em mil matizes...
Eu sou irmã das coisas mais pequenas.
Partilho-me nas horas mais serenas,
Partilho-me, também, na tempestade...
Eu sou em cada coisa o que ela é.
Não sei se, sendo assim, serei até
A própria encarnação da liberdade...
V
Talvez por ser assim, tão de ninguém,
Eu sinta em mim as coisas, como sinto...
Talvez chame "sentir" a esse instinto
Que me faz "ser" as coisas, eu também...
Talvez pressinta a vida noutras vidas
Ou talvez seja apenas ilusão
Mas, na verdade, as coisas que aqui estão,
Só me parecem velhas conhecidas...
Eu cumprimento as pedras da calçada,
Falo às ervas que crescem no passeio,
Digo:- Bom dia! ao sol, -Adeus! à lua,
Sorrio quando vejo, ao longe, a estrada...
As coisas "são" em mim o meu recheio
Neste extravasamento de alma nua!
Imagem retirada da internet
Querida Poeta, também eu prefiro o SER ao TER. Mas nós pertencemos a uma espécie em vias de extinção.
ResponderEliminarTrês belissimos poemas, como sempre, mas para mim o SER III, tocou-me de uma forma enexplicável.
Obrigada por partilhar tão belos momentos e permitir que as nosas emoções se libertem através deles.
Beijinhos e bom fim de semana.
Olá Maria. Eu gostaria de acreditar que não somos uma "espécie em vias de extinção". Gostaria, até, de acreditar que, muito pelo contrário, somos é pioneiras de uma espécie que dá mais um passo na evolução natural do ser humano... mas isto deve ser sonhar demais...
EliminarUm abraço grande.
Pois…é bom de quando em vez, vir aqui alimentar o espírito de coisas boas…e os seus poemas, mais uma vez o fizeram!
ResponderEliminarBj*-Bom fim-de-semana
Obrigada Vitor. Realmente, um espiríto "bem alimentado" precisa tanto de factos bem relatados (ou interpretados) como de sonhos e poemas. Também foi sempre esse o meu ponto de vista.
EliminarUm grande abraço.
No silêncio de cinzas do meu Ser
ResponderEliminarAgita-se uma sombra de cipestre
Sombra roubada ao livro que ando a ler
A esse livro de mágoas que me deste
Estranho livro aquele que escreveste
Artista da saudade e do sofrer!
Estranho livro aquele em que puseste
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!
Leio-o e folheio, assim, toda a minh'alma
O livro que me deste é meu, e salma
As orações que choro e rio e canto!
Poeta igual a mim, ai quem me dera
Dizer o que tu dizes!...Quem soubera
Velar a minha Dor desse teu manto!...
in A um livro--Florbela espanca
A um livro de antónio Nobre, o grande émulo da Florbela... embora muitos lhe imputem um fraquinho extra-temporal com Pessoa...
EliminarUm abraço Manulomelino. Hoje estou sem tempo pois o anti-vírus teve um "faniquito" e não queria fazer o update...
Boa noite, mais três belos sonetos para nos alegrarem as nossas noites.
ResponderEliminarEu também prefiro "SER" que "TER"mas nos dias de hoje para se "SER" também tem que se "TER"só que a maioria das pessoas só quer mesmo é "TER" e então o egoísmo vem ao de cima, e estragam tudo.
Bom fim de semana
Olá minha amiga. Bem, eu sei que também tenho que ter um mínimozinho... ainda hoje disse a alguém : "O meu reino por um maço de Águia light!" ... e não sei se não seria capaz de assaltar um banco (estou a brincar...) para ter comida para os meus animais! Mas como muito bem disse, o grande desequilíbrio da´-se porque a maioria das pessos quer ter, TER,TER... e vai-se esquecendo de SER...
EliminarUm grande abraço e desculpe-me o atraso na resposta, mas estive com o anti-vírus encravado durante horas! Estava a ver que não conseguia vir hoje à net...
Oh minha Poeta, tu desculpa-me que eu ando meia desnaturada para deixar aqui os meus comentários!!!... Mas eu venho sempre aqui, nem que seja de fugida, e leio-te... Leio-te sempre!... Só que ultimamente a cabeça anda num desassossego e sem concentração para escrever. Acho que e já a antecipação da viajem...
ResponderEliminarBom fim de semana.
Bj da Jo
Deixa estar, amiga! Eu entendo perfeitamente. aliás eu também ando um verdadeiro desastre com as visitas e os comentários... todos os animais andam perturbados com a "invasão" do Spirit... ontem à noite o Sigmud conseguir esgueirar-se por entre as minhas pernas e entrou na sala, todo contente pois era um dos seus "poisos" favorito... ia indo a casa abaixo! O Spirit sentiu-se "invadido" e atirou-se com a agilidade de um gato adolescente ao pobre do Sigmund, enorme e pacífico. Ia-me dando um faniquito! O Sigmund ainda lutou, mas ficou todo mordido no pescoço e ando agora a tratá-lo com Betadine pois os golpes são fundos...
EliminarAi! Haja paciência e forças para aguentar mais uns tempos...
Um abraço grande. Quando fores, não te esqueças de avisar!
Eu só vou de viagem no dia 2 de Dezembro!! Ainda falta um bocado... A cabeça e que já anda nas nuvens! ;))
EliminarBj da Jo
Olá Maria
ResponderEliminarQue maravilha de sonetos, gostei demais!!
O TER faz-se apenas o necessário porque acaba.
O SER se alimenta de emoções, de carinho, de dedicação, do dar de SI, como você faz, por isso é imortal, não acaba nunca.
Um abraço.
Um abraço.
Imortal, mesmo! Um grande abraço também para ti, Velucia!
Eliminar