ÁGUAS PROFUNDAS


Picasso - Femme Assise.jpg


ÁGUAS PROFUNDAS


*


 


Nas águas mais profundas, traiçoeiras,


Que me inundam de mágoas o viver


Eu, que tão pouco sei, fico a saber


Das causas mais remotas e primeiras.


*


 


Aquilo que aprendi não tem fronteiras,


Vem da nascente onde começa o Ser,


Não acaba depois de se morrer


E não conhece atrasos nem canseiras:


*


É um deslumbramento vertical


A engendrar um mar dentro de mim


Que me enche, me extravasa e me conduz


*


Ao fundo do meu Ego, esse local


Onde reinicio este meu fim


Pra de novo acender a minha luz.


*


 


Maria João Brito de Sousa - Novembro, 2011


 


 


Imagem - FEMME ASSISE - P. Picasso


 

Comentários

  1. Boa Noite. Este seu soneto está cheio de Esperança, e é com essa esperança que nós temos de viver, porque senão houver esperança a vida não tem sentido, não é verdade minha amiga.
    Até logo

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    1. É verdade sim, minha amiga. A vida sem esperança não faria qualquer sentido. A esperança é um dos grandes "condimentos" da vida.
      Está muito frio mas, mesmo assim , estivemos as quatro na mesinha da esplanada, a rir e a inventar cenários disparatados para a passagem de ano. Pelo menos saímos todas da esplanada com a alma bem quentinha de calor humano!
      Um grande abraço e uma boa noite!

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  2. Já diz o ditado que a esperança é a última a morrer. E o outro diz que enquanto há vida há esperança. E a poetisa diz tudo isto de uma forma magistral, pelo menos foi assim que eu o li.

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    1. Obrigada, Manu.Eu tenho, efecivamente, vivido estes últimos anos "alimentada" a esperança e sei bem quão preciosa ela é!
      Abraço.

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  3. muita interiorização, muita intimidade. também escrevo assim muitas vezes. continuação de fim de semana apesar do frio, da neve... Ciao. bacione.

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    1. Sou eu, sem cortinas, Peter...
      Bacione deve ser o aumentativo para baci, não?
      Bacione, então.

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  4. Hoje vi na biblioteca comprimido. Lembrei-me que tu estás sózinha com os teus animais e que dolorosamente submerges das águas traiçoeiras. O dinheiro chega-te Maria Joao?
    Aceita que a vida é deselegante. Ele que pague. Vai tudo ao chão. Tu não te dá gozo
    teres medo de viver, desejar ardentemente pegar a vida pelos cornos e não apanhar os cacos? Qual é o drama dos gatos? Não consigo apanhar o pulso aos teus poemas. O que me move é a singeleza do soneto.Por ser soneto e por ser quem é. Inrreprimível. O teu avô teve concerteza uma relação parecida com o Fernando Pessoa. Felizmente que a Natália Correia te faz aspirar a crueldade da vida. Sabes que o teu desenho é bonita. Faz-me lembrar ela vê tu só. E eu não sei nada de poesia. Só sinto que tem qualidade e que é irrepetível. Não se contam segredos não é?
    Mas escreve-se. E eu adivino não é? Eu não vejo queixas nos teus lamentos. Tens a tua História, e a luz ilumina-te e dá-te coragem.
    E é mais um vocabulário denso que ultrapassa o nosso frio a nossas gargalhadas e os rebuçados que não quer comer e a abelhinha com o seu vestidinho à espera de uma festa e a dona que passa o tempo e que se lamenta que hoje é dia de reis. Olha tens em mim uma amiga. Não sei como mas isto é uma tristeza. E agora vou ver se adormeço e se vou à ginástica do domingo.

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    1. Olá Nati. Tens razão. De alguma forma me sinto iluminada por essa luz que me dá coragem. Os meus lamentos nunca são bem lamentos e quando se assemelham a eles são inevitavelmente colectivos.
      A minha "abelhinha" é uma doçura, não é?
      Vê lá se consegues que esse amigo te configure a conta porque eu quero muito ver o teu blog!
      Boa ginástica para ti, minha amiga!

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  5. Olá Maria

    Muito bonito

    Pude sentir o que disse neste verso:
    "Vem da nascente onde começa o Ser,"

    É minha amiga é exatamente na nascente onde tudo começou.

    Ps. Amanhã será o grande dia

    Um abraço e bom domingo

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    1. Deixei um coment no teu blog, Velucia. Não sei exactamente o que irá acontecer amanhã, mas acredito que tudo irá correr pelo melhor!
      Um grande abraço!

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  6. Mª. joão

    as águas são profundas
    traiçoeiras,
    procuram-nos levar
    a um outro estar
    e nós - quem somos,
    para protestar?

    E vamos
    E quantas vezes ,
    encontramos ...

    O quê? - Não dizemos!...

    Lindo poema! Dele se tiram , muitos poemas...

    Maria Luísa Adães

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    1. Ou dizemos, Maria Luísa, mas nem sempre somos entendidos... então passamos a dizer nas nossas acções, nos nossos gestos, nos nossos sorrisos e no carinho com que olhamos as coisas. Passamos a dizê-lo tendo-nos a nós mesmos como forma de expresão de tudo o que aprendemos nesse caminho das águas.
      Um grande abraço para ti e Maggie.

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    2. Muitas vezes nem nas acções, gestos, sorrisos, bondade ... somos entendidos!
      A escrever? Minha amiga, 90% não entende, mas "Alguém" entende; não é fácil!
      Tu sabes! Mas tens uma condescendência especial - como um "Dom" que Deus te deu.
      nem todos têm esse" Dom" de agradar.

      Te digo, eu não tenho e aos mais desconfiados ... não gostam de mim! Vivo com isso!
      Não percas tempo a responder! Eu agradeço
      teres respondido, mas ficamos por aqui e muito bem!
      Beijos,

      Maria Luísa

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    3. Mas eu não perco tempo contigo, Maria Luísa! Quando não respondo logo é porque estou a trabalhar fora da net ou a tratar dos animais. Olha, amiga, pelo que tenho "visto" nos muitos comentários do teu blog, tu tens mesmo o "Dom de Agradar"... e estou a lembrar-me da história das Fadazinhas de Baudelaire, quando uma das fadas oferece a uma criança o Dom de Agradar e os pais ficam muito aborrecidos por não lhe ter sido oferecido nada de muito palpável, como ouro e riqueza... tanto quanto me lembro, a fadazinha ficou muito espantada pois havia dado o mais precioso de todos os dons e ele não tinha sido muito bem recebido...
      Abraços e beijos para ti, minha amiga.
      Ps -A minha vida material não está a ser mesmo nada fácil, começam a faltar os minímos essenciais à vida, por isso vou compensando e tentando "enriquecer" interiormente. Só tenho esses dois caminhos, amiga. Ou desespero e atiro-me para uma cama a chorar, ou crio e vou sobrevivendo nesta fé que me anima. Estou a ser muito, muito sincera, Maria Luísa. E, se morrer, morro de pé e a sorrir, porque me foi dada a oportunidade de amar tudo e todos.

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    4. Mª. joão

      Parece que tens razão, alguém disse, há minutos, "tu tocas o coração dos rudes e dos
      românticos". fiquei espantada , não sabia...

      Tales de Mileto nasceu em Tebas no ano 625 A.C.

      Morreu em Atenas com 78 anos de idade :

      foi considerado Um dos 7 sábios da Grécia Antiga
      e lhe perguntaram, um dia:

      - O que é o mais difícil?
      ele respondeu:

      - Conhecer-se a si mesmo!...

      Isto responde a tudo!

      Outro assunto:

      De que precisas? Que se passa contigo? Posso
      saír do País e deixar-te em dificuldades?Posso?... Que posso fazer?Ajudar como?

      São estas as minhas interrogações!

      Beijos,

      Maria Luísa

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    5. Minha querida amiga, é claro que podes sair do país na paz de Deus. Trata-se, apenas, de uma fase menos boa neste meu percurso. Eu sei lidar muito bem com as dificuldades físicas, quando se trata de mim e do meu corpo, mas fico mais frágil quando as dificuldades atingem os "meus meninos". Como te disse, não estou sozinha nesta tarefa de alimentar 14 bocas e bicos. O esforço físico é todo meu, mas tenho duas amigas que vão contribuindo para a alimentação deles. Com a crise, essas minhas amigas estão, também, a ficar em dificuldades e eu fiquei um pouco desfalcada de mantimentos. mas quero acreditar que, amanhã ou depois, elas me conseguirão arranjar alguma coisa. Se não, terei de comprar mantimentos no veterinário e peço para pagar para o mês que vem. Tudo se arranjará de forma a manter a harmonia neste micro ecossistema que é a minha-nossa casa!
      Um grande, grande abraço e vai em Paz!

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